SALMO II

Por que bramaram as nações
E os povos tramam vãs conspirações?
Erguem-se os reis da terra
E, unidos, os príncipes se insurgem
Contra o Senhor e contra seu Cristo.
“Quebremos seu jugo”, disseram eles,
“E sacudamos para longe de nós seus vínculos que nos atam”.
Aquele, porém, que habita nos céus, se ri,
O Senhor faz troça deles.
Dirigindo-se a eles em sua cólera,
Ele os aterra com seu furor:
“Eu, porém, fui constituído rei
Em Sião, meu monte santo.
Vou publicar o preceito do Senhor:
Disse-me o Senhor:
Tu és meu filho, eu hoje te gerei.
Pede-me; dar-te-ei por herança as nações;
Tu possuirás os confins do mundo,
Tu as governarás com cetro de ferro,
Tu as desfarás como um vaso de argila”.
Agora, ó reis, compreendei isto
Instruí-vos, ó vós que julgais a terra.
Servi ao Senhor com temor
E exultai em sua presença com tremor;
Acolhei a disciplina para que não se irrite
E não pereçais fora do caminho justo.
Pois, quando, em breve, se acender sua cólera
Bem-aventurados todos os que nele confiam.

As palavras que o salmista dirige a Deus contemplando a situação do seu tempo foram palavras proféticas que se verificaram no tempo dos Apóstolos e ao longo dos séculos de vida da Igreja, e que se verificam nos nossos dias. Também nós podemos repetir com total realismo: Por que se amotinam as nações e os povos maquinam planos vãos?… Por que tanto ódio e tanto mal? Por que tanta rebeldia?

Desde o pecado original, essa luta não cessou um momento sequer: os poderosos do mundo aliam-se contra Deus e contra o que é de Deus. Basta ver como a dignidade da criatura humana é conculcada em tantos lugares, como se multiplicam as calúnias, as difamações, os meios de comunicação a serviço do mal, o aborto de centenas de milhares de criaturas que não puderam optar pela vida humana e pela vida sobrenatural para a qual Deus as havia destinado, tantos ataques contra a Igreja, contra o Sumo Pontífice e contra aqueles que querem ser fiéis à fé…

Mas Deus é mais forte. Ele é a Rocha. A Ele recorreram Pedro e João e aqueles que estavam reunidos com eles naquele dia em Jerusalém. E, quando terminou aquela oração – diz-nos São Lucas –, todos se sentiram reconfortados e cheios do Espírito Santo, e anunciavam com toda a liberdade a palavra de Deus.

Na meditação do Salmo II, podemos nós encontrar fortaleza para vencer os obstáculos que podem apresentar-se num ambiente afastado de Deus.

Comentando estes versículos do Salmo, Santo Agostinho salienta que também se pode entender por ira de Deus a cegueira da mente que se apodera daqueles que transgridem a lei divina. Não há nenhuma desgraça comparável à de não se conhecer a Deus, de se viver afastado dEle, de se procurar a auto-afirmação no erro e no mal.

O Papa João Paulo II indicava como sinal característico do nosso tempo precisamente essa cegueira, isto é, a recusa da misericórdia divina. Todos temos presente a imagem de tantos homens que se fecham aos sentimentos de misericórdia do Senhor, que consideram a remissão dos seus pecados “não essencial ou sem importância para a sua vida”, e que adquirem uma “impermeabilidade de consciência, um estado de ânimo que se poderia dizer consolidado em função de uma livre escolha: é o que a Sagrada Escritura costuma chamar dureza de coração. Nos nossos tempos, esta atitude da mente e do coração corresponde talvez à perda do sentido do pecado”.

Nós, que desejamos seguir a Cristo de perto, temos o dever de desagravar a Deus por essa rejeição violenta que sofre por parte de tantos homens, suplicando-lhe abundância de graça e de misericórdia. Peçamos-lhe que nunca deixe esgotar-se a sua clemência, que é para muitos como o último cabo a que se pode agarrar o náufrago que já havia recusado outros meios de salvação.

O Salmo termina com uma chamada para que nos mantenhamos fiéis ao nosso caminho e à confiança no Senhor: Prestai-lhe vassalagem, para que não se indigne e pereçais fora do caminho, quando em breve se acender a sua cólera. Bem-aventurados todos os que nEle confiam19. Nós pusemos no Senhor toda a nossa confiança.

Pedimos aos Santos Anjos da Guarda, fiéis servidores de Deus, que nos ajudem a perseverar cada dia com maior fidelidade e amor na nossa vocação de cristãos, servindo com todas as forças o reinado de Cristo no lugar em que Ele nos chamou.

http://www.hablarcondios.org/meditacaodiaria.asp

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