O Apostolado das Pequenas Coisas

SÃO AS PEQUENAS COISAS que tornam perfeita uma obra e, portanto, digna de ser oferecida ao Senhor. Não basta que aquilo que se realiza seja bom (trabalhar, rezar…); deve, além disso, ser uma obra bem terminada. Para que haja virtude – ensina São Tomás de Aquino –, é preciso reparar em duas coisas: naquilo que se faz e no modo de fazê-lo. E quanto ao modo de fazê-lo, a cinzelada, a pincelada, o retoque final convertem aquele trabalho numa obra-prima. Pelo contrário, toda a obra “marretada”, feita de um modo desleixado e defeituoso, é sinal de languidez espiritual e de tibieza: Conheço as tuas obras, e que tens nome de vivo mas estás morto […], pois não achei as tuas obras perfeitas na presença do meu Deus. Quantas vezes os detalhes no trabalho, no estudo, no convívio social, são o coroamento de algo bom que, sem esse detalhe, ficaria incompleto!

O cuidado das pequenas coisas é exigido pela natureza própria da vocação cristã; é imitar Jesus nos seus anos de Nazaré, naqueles seus longos anos de trabalho, de vida familiar, de relacionamento amistoso com as pessoas da sua cidade. Um pequeno detalhe isolado pode não ter importância: “O que é pequeno, pequeno é; mas aquele que é fiel no pouco, esse é grande”, porque a perfeição no detalhe exige generosidade, sacrifício e sobretudo amor.

O amor é o que torna importantes as pequenas coisas. Se faltasse, não teria sentido o interesse em estarmos atentos aos detalhes: converter-se-iam em mania ou farisaísmo; pagaríamos os dízimos da hortelã e do cominho – como faziam os fariseus –, e correríamos o risco de abandonar os pontos mais essenciais da lei, da justiça e da misericórdia.

Ainda que o que possamos oferecer a Deus como prova de amor por Ele nos pareça irrelevante – como a esmola da pobre viúva –, adquire um grande valor se o colocamos sobre o altar e o unimos ao oferecimento que o Senhor Jesus faz de si próprio ao Pai. Então “a nossa humilde entrega – insignificante em si, como o óleo da viúva de Sarepta ou o óbolo da pobre viúva – torna-se aceitável aos olhos de Deus pela sua união com a oblação de Jesus”.

Um dos sintomas mais claros de que se começa a enveredar pelo caminho da tibieza é que se passa a menosprezar os pormenores da vida de piedade, os detalhes no trabalho, os atos pequenos e concretos pelos quais se consolidam as virtudes. “A desgraça é tanto mais funesta e incurável quanto esse escorregar para o fundo mal se nota e se dá com maior lentidão […]. É claro para todos que, com esse estado, se assesta um golpe mortal na vida do espírito”. O amor de Deus, pelo contrário, leva à vibração, ao engenho e ao esforço por encontrar em tudo ocasião de amor a Deus e de serviço aos outros.

Se estivermos atentos ao que é pequeno, viveremos em plenitude cada um dos nossos dias, saberemos dar a cada um dos instantes da nossa existência o sentido de uma preparação para a eternidade. Para isso, peçamos com muita freqüência a ajuda de Maria. Digamos-lhe constantemente: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós… agora, em cada situação pequena e normal da nossa vida.

 

Fonte: http://hablarcondios.org/meditacaodiaria.asp

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Uma resposta em “O Apostolado das Pequenas Coisas

  1. às vezes nos falta o entendimento de que a messe é grande, e isso não significa apenas chamado sacerdotal ou para vida religiosa. Como leigos temos muito o que fazer e ajudar. Desde fazer uma leitura na Santa Missa até abrir a porta da sala pra um catequizando que chega mais cedo ao encontro. Por menores que pareçam os trabalhos ou atividades, todos são igualmente dignos e devem ser realizados com todo amor e devoção, lembrando que o fazemos a Deus, e Ele, que tudo vê, honra nossa postura e obediência.

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