Oração Vocal (I)

O SEGREDO DA FECUNDIDADE dos bons cristãos está na sua oração, em que rezem muito e bem. Da oração – tanto da mental como da vocal – tiramos forças para a abnegação e o sacrifício, e para superar e oferecer a Deus o cansaço no trabalho, para sermos fiéis nos pequenos atos heróicos de cada dia… A oração é como o alimento e a respiração da alma, porque nos põe em relação íntima com Deus, fonte de sentido para a vida.

A autêntica piedade é essa atitude estável que permite ao cristão encarar o vaivém e a azáfama diária como um leque imenso de ocasiões para o exercício das virtudes, para o oferecimento das obras bem acabadas, para as pequenas renúncias… Quase sem nos apercebermos disso, estamos então “metidos em Deus”, e passamos a orar também com o exercício do nosso trabalho, ainda que nesses momentos não façamos atos expressos de oração.

A oração vocal é muito agradável a Deus, mas tem que ser verdadeira oração: as palavras devem manifestar o sentir do coração. Não basta recitar fórmulas, pois Deus não quer um culto exclusivamente externo; quer a nossa intimidade.

Um olhar ao crucifixo ou a uma imagem de Nossa Senhor, uma jaculatória, uma breve oração vocal, ajudam então a manter “esse modo estável de ser da alma”, e assim nos é possível orar sem interrupção, orar sempre, como o Senhor nos pede. Há muitos momentos em que devemos concentrar-nos no trabalho e em que a cabeça não nos permite pensar ao mesmo tempo em Deus e no que fazemos. No entanto, se preservarmos essa disposição habitual da alma, essa união com Deus, pelo menos o desejo de fazer tudo pelo Senhor, estaremos orando sem interrupção…

Tal como o corpo necessita de alimento e os pulmões de ar puro, assim a alma necessita de se dirigir ao Senhor. “O coração saberá desafogar-se habitualmente, por meio de palavras, nessas orações vocais ensinadas pelo próprio Deus – o Pai Nosso – ou pelos seus anjos – a Ave Maria. Outras vezes, utilizaremos orações acrisoladas pelo tempo, nas quais se verteu a piedade de milhões de irmãos na fé: as da liturgia – lex orandi –, ou as que nasceram do ardor de um coração enamorado, como tantas antífonas marianas: Sub tuum praesidium…, Memorare…, Salve Regina…

Muitas dessas orações vocais (o Bendita a tua pureza, o Adoro te devote, que podemos rezar às quintas-feiras, adorando o Senhor na Eucaristia…) foram compostas por homens e mulheres – conhecidos ou não – cheios de muito amor a Deus, e foram guardadas no seio da Igreja como pedras preciosas para que nós as utilizássemos. Talvez tenham para muitos o candor daquelas lições fundamentais para a vida que aprenderam de suas mães. São uma parte muito importante da bagagem espiritual que possuímos para enfrentar todo o tipo de dificuldades.

A oração vocal é superabundância de amor, e por isso é lógico que seja muito freqüente desde que iniciamos o dia até o nosso último pensamento antes de dormir. E uma ou outra sairá dos nossos lábios – talvez “sem ruído de palavras” – nos momentos mais inesperados. “Habitua-te a rezar orações vocais pela manhã, ao vestir-te, como as crianças. – E terás mais presença de Deus depois, ao longo da jornada”.

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