Oração Vocal (II)

É necessário pôr atenção no que dizemos ao Senhor. E para isso temos que lutar às vezes em detalhes muito pequenos, mas necessários; pronunciando claramente as palavras, com pausa, fugindo da rotina. Tem que haver tempo também para a reflexão, de modo que cada uma das nossas orações vocais chegue a ser, de certa forma, uma verdadeira oração mental, ainda que não possamos evitar totalmente as distrações.

Sem uma graça especial de Deus, não é possível manter uma atenção contínua e perfeita ao significado das palavras. Por isso, haverá ocasiões em que a atenção se concentrará particularmente no modo como essas palavras se pronunciam; noutras, teremos presente a pessoa a quem nos dirigimos. Mas haverá momentos em que, por circunstâncias pessoais ou do ambiente, não conseguiremos de modo conveniente nenhuma dessas três formas de atenção. Então será necessário pormos ao menos nas nossas orações um cuidado externo, que consiste em afastar qualquer atividade exterior que pela sua própria natureza impeça a atenção interior.

Alguns trabalhos manuais, por exemplo, não impedem de ter a cabeça em outra coisa; como a mãe de família, que reza o terço em casa enquanto cuida da limpeza do lar ou olha pelos filhos pequenos; ainda que se distraia em algum momento, mantém ao menos essa atenção interior, coisa que não aconteceria se quisesse ao mesmo tempo ver televisão. De qualquer forma, devemos organizar o nosso plano de vida de tal forma que, sempre que seja possível, o tempo que dedicamos a algumas orações vocais, como o Angelus ou o terço, seja uma ocasião em que possamos concentrar-nos bem.

Juntamente com as orações vocais, a alma necessita do alimento diário da oração mental. E, desse modo, “graças a esses momentos de meditação, às orações vocais, às jaculatórias, saberemos converter o nosso dia num contínuo louvor a Deus, sempre com naturalidade e sem espetáculo. Assim, à semelhança dos enamorados, que não tiram nunca os sentidos da pessoa que amam, manter-nos-emos sempre na sua presença; e todas as nossas ações – mesmo as mais pequenas e insignificantes – transbordarão de eficácia espiritual”. O Senhor as olhará com agrado e as abençoará.

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Uma resposta em “Oração Vocal (II)

  1. Sempre acreditei que através da oração mental não poderia ficar distante de nossas tarefas diárias. A sua exposição é estupenda pois nos permite ter presente as condições básicas para um espiritualidade contínua. Já que em todos momentos nossos pensamentos estão presentes concordo contigo quando escreve: “É necessário pôr atenção no que dizemos ao Senhor”.
    Obrigado!

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