Parábola do Semeador (I)

SÃO MATEUS NARRA no Evangelho da Missa1 que Jesus se sentou à beira do mar e que se aproximaram dEle tantas pessoas para ouvir as suas palavras que foi necessário subir a uma barca, enquanto a multidão o escutava da praia. O Senhor, sentado na pequena embarcação, começou a ensinar?lhes: Saiu o semeador a semear, e as sementes caíram em terrenos muito diversos.

Na Galiléia, terreno acidentado e cheio de colinas, destinavam?se ao plantio pequenas glebas de terra em vales e encostas; a parábola reproduz a situação agrícola daquelas paragens. O semeador espalha a sua semente aos quatro ventos, e assim se explica que uma parte caia no caminho. A semente caída nessa terra batida era logo comida pelos pássaros ou calcada pelos transeuntes. A referência ao terreno pedregoso, coberto somente por uma fina camada de terra, correspondia também à realidade. Por causa da sua pouca profundidade, a semente brota mais depressa, mas, por carecer de raízes profundas, o calor seca?a com a mesma rapidez. O terreno onde cai a boa semente é o mundo inteiro, cada homem.

Nós somos também terra para a semente divina. E ainda que a semeadura seja feita com todo o amor – é Deus que se derrama na alma –, o fruto depende em boa parte do estado da terra onde cai. As palavras de Jesus mostram?nos expressivamente a responsabilidade que o homem tem de preparar?se para aceitar e corresponder à graça de Deus.

Uma parte da semente caiu ao longo do caminho, e vieram os pássaros e comeram?na. São os que ouvem a palavra de Deus, mas depois vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. O caminho é a terra pisada, endurecida. São as almas dissipadas, vazias, completamente voltadas para o que é externo, incapazes de recolher os seus pensamentos e de guardar os sentidos; não têm ordem nos seus afetos, vigiam pouco os seus sentimentos, deixam a imaginação absorver?se em pensamentos inúteis. São também as almas sem cultivo algum, que nunca foram aradas, acostumadas a viver de costas para Deus. São corações duros, como esses velhos caminhos continuamente transitados. Escutam a palavra divina, mas com imensa facilidade ela lhes é arrancada da alma pelo demônio, que “não é preguiçoso, antes tem os olhos sempre abertos e está sempre preparado para saltar e arrebatar o dom que vós não usais”.

Temos de pedir fortaleza ao Senhor para não sermos nunca como esses que “se assemelham ao caminho onde caiu a semente: negligentes, tíbios, desdenhosos”. Quando fomos batizados, o Semeador lançou pela primeira vez a sua semente na terra da nossa alma. Desde então, quantas vezes não nos deu a sua graça abundante! Quantas vezes não passou ao nosso lado, ajudando?nos, animando?nos, perdoando?nos! Agora, na intimidade da oração, silenciosamente, podemos dizer?lhe:

“Ó Jesus! Se, sendo como tenho sido! – pobre de mim –, fizeste o que fizeste…, se eu correspondesse, o que não farias?

“Esta verdade há de levar?te a uma generosidade sem tréguas.

“Chora, e dói?te com pena e com amor, porque o Senhor e a sua Mãe bendita merecem outro comportamento da tua parte”.

Fonte: Falar com Deus.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s