Parábola do Semeador (II)

OUTRA PARTE CAIU em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo porque o terreno não era profundo; mas, ao sair o sol, queimou?se e secou porque não tinha raiz. Este terreno pedregoso representa as almas superficiais, com pouca profundidade interior, inconstantes, incapazes de perseverar. Têm boas disposições, e até recebem a graça com alegria, mas, quando chega o momento de enfrentar as dificuldades, retrocedem; não são capazes de empenhar?se sacrificadamente em cumprir os propósitos que um dia fizeram, e morrem sem dar fruto.

Há alguns, ensina Santa Teresa, que depois de vencerem os primeiros inimigos da vida interior, “acabou?se?lhes o esforço, faltou?lhes ânimo”, deixaram de lutar, quando estavam “a dois passos da fonte de água viva que é capaz de saciar para sempre, como disse o Senhor à Samaritana”.

Devemos pedir ao Senhor constância nos propósitos, espírito de sacrifício para não nos determos perante as dificuldades que saem ao nosso encontro necessariamente. Temos de começar e recomeçar uma vez e outra, com santa teimosia, empenhando?nos em chegar à santidade a que Jesus Cristo nos chama e para a qual nos dá as graças necessárias. “A alma que ama a Deus de verdade não deixa por preguiça de fazer o que pode para encontrar o Filho de Deus, o seu Amado. E depois de ter feito tudo o que pode, não fica satisfeita e pensa que não fez nada”, ensina São João da Cruz.

Outra parte caiu entre espinhos; cresceram os espinhos e sufocaram?na. São os que ouvem a palavra de Deus, mas as preocupações deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutuosa.

O amor às riquezas, a ânsia desordenada de influência ou de poder, uma excessiva preocupação pelo bem?estar e pelo conforto são duros espinhos que impedem a união com Deus. Trata?se de almas obcecadas pelas coisas materiais, envoltas numa “avareza de fundo que leva a apreciar apenas o que se pode tocar: os olhos que parecem ter ficado colados às coisas terrenas, mas também os olhos que, por isso mesmo, não sabem descobrir as realidades sobrenaturais”. É como se estivessem cegos para o que verdadeiramente importa.

Deixar que o coração se apegue ao dinheiro, às influências, ao aplauso, à última comodidade apregoada pelos anúncios, aos caprichos, à abundância de coisas supérfluas, é um grave obstáculo para que o amor de Deus deite raízes no coração. É difícil que uma pessoa dominada pela vontade de ter mais, de dispor sempre do mais cômodo, não caia em outros pecados. “Por isso – comenta São João da Cruz – o Senhor no Evangelho chamou?os espinhos, para dar a entender que quem os manuseasse com a vontade ficaria ferido de algum pecado”.

São Paulo ensina que quem coloca o seu coração nos bens terrenos como se fossem bens absolutos comete uma espécie de idolatria. Esta desordem da alma conduz com freqüência à falta de mortificação, à sensualidade, à fuga ou ao esquecimento dos bens sobrenaturais, pois sempre se cumprem aquelas palavras do Senhor: Onde estiver o vosso tesouro, ali estará o vosso coração. Neste tipo de terreno, a semente da graça será indubitavelmente sufocada.

Fonte: Falar com Deus.

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