Sobre o Pecado (I)

FORA DE DEUS, o homem só encontrará infelicidade e morte; o pecado é uma vã tentativa de conservar água numa cisterna fendida. “Ajuda?me a repetir ao ouvido daquele, e do outro…, e de todos: um homem com fé que for pecador, ainda que consiga todas as bem?aventuranças da terra, é necessariamente infeliz e desgraçado.

“É verdade que o motivo que nos há de levar a odiar o pecado – mesmo o venial – e que deve mover a todos, é sobrenatural: que Deus o detesta com toda a sua infinitude, com ódio sumo, eterno e necessário, como mal oposto ao infinito bem… Mas a primeira consideração que te apontei acima pode conduzir?nos a esta última”: a solidão que o pecado deixa na alma deve também levar?nos a lutar contra ele. Não sem razão se disse que, com muita freqüência, “o caminho do inferno já é um inferno”.

O pecado endurece a alma para as coisas de Deus. No Evangelho da Missa ( Mt 13, 10-17), Jesus diz, citando o profeta Isaías: Ouvireis com os vossos ouvidos e não entendereis; olhareis com os vossos olhos e não vereis. Porque o coração deste povo tornou?se insensível, e os seus ouvidos tornaram?se duros, e fecharam os olhos para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos e entendam com o coração… Basta lançar um olhar ao nosso redor para ver com pena como estas palavras do Senhor são também uma realidade em muitos que perderam o sentido do pecado e estão como que embrutecidos em face das realidades sobrenaturais.

O pecado mortal afasta o homem radicalmente de Deus, porque priva a alma da graça santificante; faz perder todos os méritos adquiridos pelas boas obras já realizadas e impede de receber outros novos; submete de certo modo a pessoa à escravidão do demônio; diminui a inclinação natural para a virtude, de tal maneira que cada vez se torna mais difícil realizar atos bons. Por vezes, afeta também o corpo: causa faltas de paz, mau?humor, desânimo, pouca vontade para o trabalho; provoca uma desordem nas potências e sentimentos; ocasiona um mal para toda a Igreja e para todos os homens e separa?os deles, ainda que externamente não se note: assim como todo o justo que se esforça por amar a Deus eleva o mundo e cada homem, todo o pecado “arrasta consigo a Igreja e, de certa maneira, o mundo inteiro. Por outras palavras, não há nenhum pecado, mesmo o mais íntimo e secreto, o mais estritamente individual, que diga respeito exclusivamente àquele que o comete. Todo o pecado repercute com maior ou menor veemência, com maior ou menor dano, em toda a estrutura eclesial e em toda a família humana”.

Todo o pecado está íntima e misteriosamente relacionado com a Paixão de Cristo. Os nossos pecados estiveram presentes e foram a causa de tanta dor; e agora, no que depende de nós, crucificam novamente o Filho de Deus. “Como Ele nos ama! Quanto sacrifício, quantas penas não passou para nos salvar, desde o presépio até à Cruz! O que nos dizem os mistérios dolorosos do Rosário, as estações da Via Sacra, a Cruz, os pregos e a lança, as feridas? O Senhor sofreu tudo isso por nós, por cada um de nós, unicamente para nos abrir o acesso ao Pai (Ef 2, 18), para nos obter o perdão dos pecados e o direito de possuirmos a vida eterna. Nós, em recompensa, pecamos e desprezamos todos os seus sacrifícios. E a dor mais aguda da agonia em Getsêmani foi esta: Jesus previu com clarividência divina a ingratidão com que lhe iríamos corresponder”.

Com a ajuda da misericórdia divina, porque ninguém está confirmado na graça, o cristão que segue de perto o Senhor não cai habitualmente em faltas graves. Mas o conhecimento da nossa debilidade deve levar?nos a evitar com cuidado as ocasiões de pecar, mesmo as mais remotas; a praticar a mortificação dos sentidos; a não confiar na experiência própria, nos anos de entrega a Deus e de uma formação esmerada… E temos de pedir ao Senhor que saibamos detestar toda a falta deliberada, que nos dê finura de consciência para não perdermos o sentido do pecado, essa tremenda realidade que parece alheia a uma boa parte da sociedade a que pertencemos, porque deu as costas a Deus.

Dizemos a Jesus com palavras de João Paulo II: “Ajuda?nos, Senhor, a vencer a nossa indiferença e o nosso torpor! Dá?nos o sentido do pecado. Cria em nós um coração puro e renova na nossa consciência um espírito firme”

Fonte: Falar com Deus.

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