Por que pertenço à Igreja?

Colocamos aqui uma tradução nossa de uma conferência ministrada em 1971, pelo então Cardeal Joseph Ratzinger

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“Podemos pensar na Igreja Católica comparando-a com a Lua: pela relação lua-mulher (mãe) e pelo fato que a Lua não possui luz própria, a não ser a que recebe do Sol e sem a qual seria escuridão completa. A Lua resplandece, porém a luz não é sua, é de outro. As sondas lunares e os astronautas descobriram que a Lua é somente uma estepe rochosa e desértica, com montanhas e areia; viram uma realidade distinta da antiguidade e não como luz. E efetivamente, a Lua é em si e por si mesma o deserto, areia e rochas. Sem dúvidas, é também luz e como tal permanece inclusa na época dos vôos espaciais.

Não é esta uma imagem exata da Igreja? Quem a explora e escava com a sonda, como na Lua, descobrirá somente deserto, areia e pedras, as debilidades do homem e sua história através do pó, os desertos e as montanhas. O fato decisivo é que ela, ainda que somente areia e rochas, é também luz, em virtude de outro, do Senhor.

Eu estou na Igreja porque creio que hoje como antes e independentemente de todos nós, por trás de nossa igreja vive Sua Igreja e não posso estar próximo Dele senão permanecendo em Sua Igreja. Eu estou na Igreja porque apesar de tudo creio que não é no fundo nossa, senão Dele. A Igreja é a que, não obstante a todas debilidades humanas existentes nela, nos dá a Jesus Cristo; unicamente por meio dela posso recebê-lo como uma realidade viva e poderosa, aqui e agora. Sem a Igreja, Cristo se evapora, se diminui, se anula. E o que seria da humanidade privada de Cristo?

Se eu estou na Igreja é pelas mesmas razões porque sou cristão. Não se pode crer solitário; a fé é possível em comunhão com outros crentes. A fé por sua natureza é força que une. Esta fé ou é eclesial ou não é esta tal fé. Além do que, assim como não se pode crer em solitário, senão somente em comunhão com outros, tampouco se pode ter fé por iniciativa própria ou por invenção. Eu permaneço na Igreja porque creio que a fé, realizável somente nela e nunca contra ela, é uma verdadeira necessidade para o homem e para o mundo. Eu permaneço na Igreja porque somente a fé da Igreja salva o homem.

O grande ideal de nossa geração é único – sociedade livre da tirania, da dor e da injustiça. Neste mundo, a dor não se deriva somente da desigualdade nas riquezas e no poder. Se nos querem fazer crer que se pode chegar a ser homens sem o domínio de si mesmos, sem a paciência da renúncia e da fadiga da superação, que não é necessário o sacrifício em manter os compromissos aceitados, nem o esforço para sofrer com paciência a tensão derivada do que deveria ser com o que realmente se é.

Na realidade, o homem não é salvo senão através da cruz, da aceitação de seus próprios sofrimentos e dos do mundo, que encontram seu sentido libertador na paixão de Deus. Somente assim o homem chegará a ser livre. Todas as demais ofertas a melhor preço estão destinadas ao fracasso. O amor não é estético nem carente de crítica. A única possibilidade que temos em transformar de modo positivo a um homem é amá-lo, transformá-lo lentamente do que é no que pode ser. De modo distinto seria na Igreja?” Conferência-testemunho, Alemanha (1971).

Fonte: http://www.todoratzinger.com/doctos/Pertenezco_Iglesia.pdf

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