Poesia para almas cansadas de tanta tribulação… (I)

À VIRGEM SANTÍSSIMA

Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia

(Anthero de Quental)

Num sono todo feito de incerteza,
De noturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza.

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade,
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza.

Um místico sofrer, uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira.

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa…
E deixa-me sonhar a vida inteira!

………………………………………………………………………………………………………….

BUSCANDO A CRISTO

(Gregório de Matos)

À vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p’ra chamar-me

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

 

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