Como pude fazer isso ??!!

“(…) é freqüente perguntarmo-nos, ao recordar os nossos pecados: “Como pude ser tão estúpido ? Como é possível que me tenha comportado como um animal, que tenha caído outra vez após outra nisto… e também naquilo?” Falamos como se no fundo, fôssemos pessoas excelentes, e os nossos pecados uma espécie de lapsos inexplicáveis.

Não é necessário dizer-te que essa visão é completamente falsa. A verdade – tanto do ponto de vista teológico como do da experiência própria – é que somos criaturas caídas e, por isso, constantemente inclinadas a deixar-nos levar pela tentação, embora nos esqueçamos disso com freqüência. Dizemos a nós mesmos: “Que coisa extraordinária ! Vi claramente que não deveria fazer aquilo, mas acabei fazendo-o apesar de tudo. É absurdo”. Como vês, não o é de maneira nenhuma, desde que compreendas retamente a doutrina do pecado original.

(…) quando confessamos os nossos pecados, devemos sentir dor de coração, envergonhar-nos deles, odiá-los, mas não surpreender-nos de tê-los cometido. E muito menos dizer: “Isto não é próprio de mim”. Muito pelo contrário, isso é que é próprio de nós, visto que somos criaturas caídas ! Mas sobretudo não te aborreças, não te irrites por teres caído; nunca essa atitude fez bem a ninguém.

É uma sutil vaidade a que nos faz ter essas reações; tendemos inconscientemente a pensar no nosso progresso espiritual como se tratasse de ir vencendo uma corrida de obstáculos ou de ir conquistando recordes, e, se tropeçamos ou não conseguimos a marca prevista, sentimo-nos humilhados, quando na verdade o que Deus quer é que sejamos humildes, o que é completamente diferente.

Oxalá não nos aconteça o mesmo com os nossos pecados, já que pecar não é surpreendente. Pelo contrário, é o normal numas criaturas caídas como nós, que necessitam da graça de Deus a cada instante. Sem ela, não podemos fazer nada de bom.

(…)

Mas não metas os pés pelas mãos. Não penses que, pelo fato de seres uma criatura caída, não podes evitar o pecado. Todos somos – não é necessário insistir nisto – responsáveis pelos nossos atos. Nem sempre é possível ter a certeza de que uma falta em concreto é um pecado ou uma simples imperfeição; nem de que um pecado que cometemos é venial ou mortal. Em última instância, esse juízo cabe a Deus. Mas com muita freqüência não é assim. Normalmente, sabemos que pecamos, mortal ou venialmente. E é aqui que precisamos ter em conta retamente a nossa condição de criaturas caídas: ela não desculpa as nossas faltas, apesar de explicá-las.

Por isso, sejamos pacientes com os nossos pecados, como o seríamos com os dos outros; alimentemos a esperança de ser curados, e rezemos com constância para isso.  Consideremos as nossas faltas com humildade, tal como as nossas virtudes.”

KNOX, Ronald. Deus e Eu. Quadrante, São Paulo, 1987, p-86/89.

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2 respostas em “Como pude fazer isso ??!!

  1. O pecado é uma coisa muito insidiosa. Até o arrependimento, a ciência do erro, pode nos levar a outro pecado, se estiver associado a essa idéia de “pôxa, como EU (justo EU) pude fazer isso?”.
    Muito bom este post!

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