Mortificações

QUEM ADOTOU a firme resolução de levar uma vida cristã, na sua mais plena integridade, precisa do exercício contínuo de fazer morrer o homem velho com todas as suas obras6, quer dizer, de lutar contra o “conjunto de más inclinações que herdamos de Adão, a tríplice concupiscência que temos de reprimir e refrear mediante o exercício da mortificação”.

Mas essas mortificações não são algo negativo; pelo contrário, rejuvenescem a alma, preparam-na para entender e receber os bens divinos, e servem para reparar os pecados passados. Por isso pedimos freqüentemente ao Senhor emendationem vitae, spatium verae paenitentiae: um tempo para fazer penitência e emendar a vida.

São três os principais campos em que podemos desenvolver generosamente o espírito de penitência no meio dos nossos afazeres diários.

Em primeiro lugar, o da aceitação amorosa e serena dos contratempos que nos chegam a cada passo. Trata-se de coisas, muitas vezes pequenas, que nos são contrárias, que não se apresentam como desejaríamos ou que chegam de modo inesperado ou contrário ao que tínhamos previsto, e que exigem uma mudança de planos: uma pequena doença que diminui a nossa capacidade de trabalho, um esquecimento, o mau tempo que dificulta uma viagem, o excesso de trânsito, o caráter difícil de uma pessoa com quem temos de trabalhar… Essas coisas não dependem de nós, mas temos de recebê-las como uma oportunidade para amar a Deus, acolhendo-as com paz, sem permitir que nos tirem a alegria.

São coisas pequenas, “mas que, se não se assimilam por Amor, vão gerando no homem uma espécie de nervosismo, um ânimo pouco aprazível e triste. A maior parte dos nossos aborrecimentos não provêm de grandes contratempos, mas de pequenas dificuldades não assimiladas. O homem que chega ao fim do dia preocupado, entristecido, de mau humor, de mau gênio, não é ordinariamente por ter experimentado graves reveses, mas porque foi acumulando uma série de contratempos mínimos que não soube incorporar a uma vida de amor, a uma vida de proximidade com Deus”.

Esse homem perdeu muitas ocasiões de crescer nas virtudes e, além disso, deixou de fortalecer-se para poder aceitar situações mais difíceis, como queridas ou ao menos permitidas pelo Senhor para uni-lo mais intimamente a Ele.

Quando Deus vem ao mundo “para curar e remediar as nossas rebeldias e misérias espirituais na sua raiz, destrói muitas coisas por serem inúteis; mas deixa intacta a dor. Não a suprime, dá-lhe um novo sentido. Ele poderia ter escolhido mil caminhos diferentes para alcançar a Redenção do gênero humano – para isso veio ao mundo –, mas na realidade escolheu um único: o da Cruz. E por essa via leva a sua própria Mãe, Maria, e José, e os Apóstolos, e todos os filhos de Deus. O Senhor, que permite o mal, sabe tirar bens em benefício das nossas almas”.

Não deixemos de converter as contrariedades em ocasião de crescimento no amor.

Fonte: Falar com Deus.

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