Família, a escola da fé

Por Juan Du Solier

Em minha casa a religião não se revestia de nenhuma solenidade. Era reduzida a rezar pela noite todos juntos. Minha irmã mais velha, Elena, era a que dirigia a oração. Para que nós os menores não nos aborrecessemos, Elena acelerava às vezes o ritmo, de modo que maltratava ou se comia algumas palavras. Então intervia meu pai, e lhe ordenava severamente: “Começa de novo“. Assim se aprendia que a Deus há que lhe falar com calma e com respeito.

Meu pai, ao rezar, se ajoellhava no chão; apoiava seus cotovelos numa cadeira, e cobria o rosto com as mãos. Não se movia, nem nos olhava, nem se impacientava.

Eu pensava: “Deve ser muito grande Deus se meu pai, quando lhe fala, se põe de joelhos. Deus deve ser também muito bom se meu pai lhe fala sem tirar sua roupa de trabalho“.

Pelas noites minha mãe rezava, porém não ajoelhada; estava demasiado cansada. Ela se sentava no meio de nós, tendo em seus braços o meu irmãozinho caçula. À hora de rezar, minha mãe se cobria com um avental negro, que a cobria até os pés; e deixava o cabelo solto sobres seus ombros.

Minha mãe rezava todas as orações sem perder sequer uma sílaba, porém sempre em voz baixa. Ao mesmo tempo não deixava de olhar sobretudo aos menores. Nos mirava, porém não nos dizia nada, nem sequer quando os menores a molestavam, ou quando lá fora havia uma tormenta, ou quando o gato cometia alguma travessura.

Eu pensava: “Deve ser muito simples Deus se minha mãe pode lhe falar coberta com esse avental, e tendo um menino nos braços“.

E também pensava: “Deus deve ser um personagem muito importante se minha mãe, quando lhe fala, já não faz caso nem do gato, nem da tormenta“.

Recordo que estávamos todos sentados ao redor da lareira, numa noite de inverno, depois de fazer as orações como fazíamos todos os dias. Meu pai se via realmente consolado e minha mãe muito segura, assim que rompendo o silêncio que dominava a sala perguntei:

“E… como se chama Deus, mamãe?”

Todavia recordo seu olhar carinhoso, o sinal que me fez para que corresse para sentar ao seu lado e como acaricando-me o cabelo me disse em voz suave:

“Se chama Jesus, Miguelito”.

Eu continuei com minha perguntas, as que qualquer menino de uns 7 ou 8 anos faria sobre o tema:

“E como é? Por que sabemos que nos quer tanto?”

Minha mãe respondeu:

“É como teu papai…” – olhando-o me disse ao ouvido – “… te quer mais que ninguém no mundo, sempre está ali onde o necessitas, nunca te abandona, sempre firme junto a ti, querendo te consolar, com os braços abertos para te abraçar” – concluiu olhando agora ao crucifixo que estava sobre a lareira.

“Que faz na cruz? Parece lhe doer” – perguntei.

“Lhe dói muito, filho, porém está ali para recordar a todos os homens que lhes ama, é uma prova de seu infinito amor…”

As mãos de meu pai e os lábios de minha mãe me ensinaram muito mais que o melhor livro de catecismo.

Eu agora estou formando minha família, tenho três filhos, uma grande esposa e muito adiante, somente espero que ainda que eu seja humano e tenha erros, não falhe em levar meus filhos ao conhecimento de Cristo, pois é na família onde realmente se deve ensinar.

Fonte: http://www.ef.catholic.net/CatequesisEF/Articulos/Articulos%20Cuentos6.htm

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