Purgatório

Ó DEUS!, Tu és o meu Deus, eu te busco desde o amanhecer; a minha alma tem sede de ti, a minha carne enlanguesce junto de ti como terra árida e seca, sem água. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: Quando irei e contemplarei a face de Deus? Esta necessidade e esta ânsia reveladas pelo autor sagrado podem ser aplicadas em toda a sua força às almas do Purgatório.

Os pecados provocam uma dupla desordem. Em primeiro lugar, a ofensa a Deus, que acarreta para a alma o que os teólogos chamam reato de culpa, a inimizade, o afastamento de Deus que – em caso de pecado mortal – implica um desvio radical da alma em relação ao fim para que foi criada e a torna merecedora da eterna privação de Deus. Esta culpa, no caso dos pecados cometidos depois do Batismo, é perdoada na Confissão sacramental.

Além disso, e na medida em que o pecado significa uma conversão às criaturas, provoca uma desordem que atinge o próprio pecador e que trunca a sua realização pessoal: “O pecado diminui o próprio homem, impedindo-o de conseguir a plenitude”. E como pela Comunhão dos Santos todos os fiéis estão unidos entre si, esse pecado prejudica e ofende os outros: “A alma que se rebaixa pelo pecado arrasta consigo a Igreja, e, de certa maneira, o mundo inteiro”.

Estas conseqüências do pecado pessoal são o que se chama reato (ou resto) de pena, que subsiste ordinariamente mesmo depois da absolvição sacramental, e que deve ser reparado nesta vida pelo cumprimento da penitência imposta na Confissão, pela prática de obras boas ou mediante as indulgências concedidas pela Igreja.

A alma que parte deste mundo sem a suficiente reparação ou com pecados veniais e faltas de amor a Deus, deverá purificar-se no Purgatório, pois no Céu não pode entrar nada contaminado. No Purgatório, as almas satisfazem pelas suas culpas e manchas sem com isso terem merecimento algum – com a morte termina o tempo de merecer –, sem experimentarem nenhum crescimento no seu amor a Deus. Por outro lado, porém, junto com uma dor inimaginável, existe também no Purgatório uma grande alegria, porque as almas ali retidas sabem-se confirmadas em graça e, portanto, destinadas à felicidade eterna.

A Igreja, ao comemorar anualmente os fiéis defuntos, lembra-se ao longo deste mês de novembro desses seus filhos que ainda não podem participar plenamente da bem-aventurança eterna e anima-nos a oferecer o Santo Sacrifício por eles – nada mais valioso pode ser oferecido ao Pai neste mundo –, ao mesmo tempo que concede especiais indulgências aplicáveis a essas almas. O Senhor quis que qualquer obra boa realizada em estado de graça pudesse ser útil e alcançasse um prêmio diante dEle; e estes méritos podem ser aplicados pelos defuntos do Purgatório a título de sufrágio, de ajuda. Assim, podemos oferecer por essa intenção a recepção dos sacramentos, especialmente a Comunhão, o terço, as doenças, a dor, as contrariedades da jornada. Sem esquecermos esse outro cabedal de que dispomos todos os dias como um grande instrumento de ajuda aos nossos irmãos defuntos: o trabalho ou o estudo, feitos com perfeição humana e sentido sobrenatural.

III. AS INDULGÊNCIAS – plenárias ou parciais – que podem ser aplicadas como sufrágio têm uma particular importância na ajuda que podemos prestar às almas do Purgatório; algumas até foram previstas exclusivamente em favor dos defuntos.

A Igreja concede indulgência parcial por muitas obras de piedade. Estão neste caso a oração mental, a recitação do Angelus ou do Regina Coeli; o uso de um objeto piedoso – crucifixo, terço, escapulário, medalha – abençoado por um sacerdote (se tiver sido abençoado pelo Sumo Pontífice ou por um prelado, ganha-se indulgência plenária na festa de São Pedro e São Paulo, após um ato de fé); a leitura da Sagrada Escritura; a recitação do Lembrai-vos; a Comunhão espiritual, com qualquer fórmula; todas as ladainhas; a recitação do Adoro te devote; a Salve Rainha; as orações pelo Papa; um retiro espiritual… Algumas destas práticas são ainda mais enriquecidas pela concessão – nas condições habituais: Confissão, Comunhão, oração pelo Sumo Pontífice – do benefício da indulgência plenária, que apaga toda a pena temporal devida pelos pecados. É o que acontece, por exemplo, com a recitação do terço em família, a prática da Via-Sacra, a meia hora de oração diante do Santíssimo Sacramento, a piedosa visita a um cemitério nos primeiros oito dias do mês de novembro…

Conforme ensinam São Tomás de Aquino e muitos outros teólogos, as almas do Purgatório podem lembrar-se das pessoas queridas que deixaram na terra e pedir por elas, ainda que ignorem – a não ser que Deus disponha o contrário – as necessidades concretas dos que ainda vivem. Intercedem pelos seres queridos que aqui deixaram, como nós rezamos por elas mesmo sem sabermos com certeza se estão no Purgatório ou se já gozam de Deus no Céu. Não podem merecer, mas podem interceder, apresentando ao Senhor os méritos adquiridos aqui na terra. Ajudam-nos em muitas das necessidades diárias, e fazem-no “especialmente em relação aos que estiveram unidos a elas durante esta vida”, aos que mais as ajudaram a alcançar a salvação, aos que tinham a seu cargo nesta terra.

Não deixemos de recorrer a elas…, e sejamos generosos nos sufrágios que a liturgia nos propõe especialmente neste mês de novembro. Tendo-as muito presentes, relacionando-nos com elas nesse intercâmbio de orações, devemos chegar a poder dizer delas: “Minhas boas amigas, as almas do Purgatório…”

Fonte: Falar com Deus.

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Uma resposta em “Purgatório

  1. Muito bom esse artigo, afinal temos tantas dúvidas que a igreja não nos deixa claro, (a não pelo fato que precisamos nos aprofundar e conhecer melhor a riqueza da nossa igreja, é claro) mas é assim que temos que evangelizar com claresa de fatos, se as pessoas souberem desde cedo da veracidade do purgatório, não averia tanto pecado, tanta falta de amor, obrigada assim estarei esclarecendo mais a minha família e as pessoas que convivem comigo.
    Abraços cheio do amor de DEUS.

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