Desprendimento (II)

O segredo: apegar-se a Cristo

“…revesti-vos do homem novo…” (Ef 4,24)

Agora ensinar-te-ei um grande principio: esforça-te menos por desprender-te e mais por prender-te… Concentra teus esforços em te enriqueceres mais de mim do que em te esvaziares de ti mesmo. Permite-me entrar em ti e farei sair tudo o que seja alheio a mim. Deixa-me inundar-te com minha graça para livrá-lo de todos os vínculos terrenos. Este é o caminho tranqüilo para chegar à pureza do coração. Caminho fácil, seguro.

Tens de dominar muitas tendências naturais. Mas haverá uma predominante. Qual é o teu prazer ou paixão dominante? Talvez não o saibas. Pergunta-me e ajudar-te-ei a descobrir.

O que é que mais te perturba? O que é que mais te inquieta? Qual é o amor, o desejo, que te parece mais difícil submeter à minha vontade? É a impureza? São os maus companheiros? É o orgulho desordenado? O amor ao dinheiro? O desejo de ser louvado? A tagarelice? A impaciência?

Podes conhecer aquilo a que estás mais apegado, pelas coisas que facilmente te irritam. Em geral, ficas mais irritado quando, lendo teu jornal, alguém te molesta? Então estás apegado à tua tranqüilidade e à leitura do jornal. Ficas irritado quando alguém te contradiz? Então estás apegado aos teus pontos de vista. Sentes inveja quando outros são promovidos? Então estás apegado ao desejo de ser conhecido, de ser promovido, ou talvez, de enriquecer. Ficas contrariado quando outros são convidados para banquetes? Então estás apegado ao prazer da comida.

Examina-te seriamente, pede-me luz e te mostrarei qual é o defeito-chave que impede a tua identificação comigo.

Quando o tiveres descoberto, faze a substituição com a virtude contrária.

Estuda em mim qual é a virtude diretamente oposta ao teu vício predominante. Lendo os evangelhos, descobrirás como a pratiquei e em que circunstâncias.

És orgulhoso? Considera minha humildade e imita-a.

És avarento? Observa minha generosidade e imita-a.

És invejoso? Observa minha benevolência e imita-a.

És intemperante no comer e no beber? Observa minha temperança e imita-a.

És inclinado à cólera? Observa minha paciência e imita-a.

És sensual? Observa minha pureza e imita-a.

És preguiçoso? Gastas demasiado tempo na recreação, no sono, na leitura, nos programas de televisão, nas conversas? Estuda o modo como eu empregava o tempo e imita-me.

Planeja a prática da virtude de que mais necessitas. Visualiza exatamente as circunstâncias em que te encontrarás hoje e nas quais poderás praticar esta virtude. Fala comigo sobre teu plano. Lembra-te dele de vez em quando, durante o dia.

Quando sentires a tentação ou mesmo quando caíres, não desanimes. Pensa como praticarás, no futuro, a mesma virtude em circunstâncias semelhantes. Volta-te para mim. Relembra como eu a pratiquei e reze assim: “Senhor, ajuda-me; Jesus, ensina-me. Mestre, dá-me forças.”

Em tudo procura a minha ajuda e a acharás. Pede a minha mãe que estenda a mão e ela jamais deixará de fazê-lo.

Reza agora, esta oração de oferecimento: Senhor eu te ofereço minha vida e aceita, de boa vontade, as alegrias e as tristezas que me sobrevierem.

Eu te ofereço meus bens terrenos, e se for tua vontade que eu os perca, esta será também minha vontade.

Eu te ofereço minha família e meus amigos. E aceito desde agora, o momento e as circunstâncias que me irão separar deles.

Eu te ofereço minha morte com todas as dores que possam acompanhá-la. Não quero prolongar nem diminuir minha vida por um só momento.

Eu te ofereço o sofrimento daqueles que amo. Sofrimentos muitas vezes mais difíceis de suportar do que os meus. Eu te ofereço as decepções, as injustiças, os pesares que sobrevirão aos que me são queridos, em união com Maria que ofereceu seus sofrimentos na cruz.

Ajude-me, ó Cristo, a desprender-me. Enriquece-me com tuas virtudes. Que a tua vontade seja a minha vontade.

Pede-me o maior dom que posso fazer: o dom de mim mesmo. Em compensação, oferece-me o maior dom de Deus: o dom de ti mesmo.

Ajuda-me, ó Mestre, a ser generoso, desprendido, perseverante.

Transforma-me em ti. Assim como o sacerdote muda o pão e o vinho no teu Corpo e no teu Sangue, faze de mim uma extensão de ti mesmo, um outro Cristo.

Do livro Cristo minha Vida, págs. 77-79.

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