Diálogo Ecumênico (I)

O ESPÍRITO SANTO impele todos os cristãos a realizarem múltiplos esforços para que se alcance a plenitude da unidade desejada por Cristo; é Ele quem promove os desejos de diálogo ecumênico. Mas este diálogo, para que tenha razão de ser, deve tender para a verdade e fundamentar-se nela. Não pode consistir, portanto, num simples intercâmbio de opiniões, nem num mútuo acordo sobre a visão particular que cada um tenha dos problemas que se apresentam e das suas possíveis soluções. Pelo contrário, deve expressar com clareza e nitidez as verdades que Cristo deixou em depósito ao Magistério da Igreja, as únicas que podem salvar; deve manifestar o conteúdo e o significado dos dogmas e, ao mesmo tempo, fomentar nas almas um maior desejo de seguir o Senhor de perto, isto é, a ânsia de santidade pessoal.

A verdade do cristão é salvadora precisamente porque não resulta de profundas reflexões humanas, mas é fruto da revelação de Jesus Cristo, confiada aos Apóstolos e aos seus sucessores, o Papa e os bispos, e transmitida pela Igreja como canal divino, com a assistência constante do Espírito Santo. Cada geraçãorecebe o depósito da fé, o conjunto de verdades reveladas por Cristo, etransmite-o íntegro à seguinte, e assim até o fim dos tempos.

Guarda o depósito que te foi confiado, escrevia São Paulo a Timóteo. E São Vicente de Lerins comenta: “O que é o depósito? É aquilo em que creste, não o que encontraste; o que recebeste, não o que pensaste; algo que procede, não do engenho pessoal, mas da doutrina; não fruto de um roubo privado, mas da tradição pública. É uma coisa que chegou até ti, que por ti não foi inventada; algo de que não és autor, mas guardião; não criador, mas conservador; não condutor, mas conduzido. Guarda o depósito: conserva limpo e inviolado o talento da fé católica. Aquilo em que creste, isso mesmo permaneça em ti, isso mesmo entrega-o aos outros. Recebeste ouro, devolve ouro; não substituas uma coisa por outra, não ponhas chumbo em lugar de ouro, não mistures nada fraudulentamente. Não quero aparência de ouro, mas ouro puro”.

O diálogo ecumênico não consiste em inventar novas verdades, nem em alcançar um pensamento concorde, um conjunto de doutrinas aceito por todos, depois de cada um ter cedido um pouco. A doutrina revelada não permite composições, porque é de Cristo, e é a única que salva. O desejo de união com todos e a caridade não podem levar-nos – deixaria de ser caridade – “a amortecer a fé, a tirar-lhe as arestas que a definem, a dulcificá-la até convertê-la, como pretendem alguns, em algo de amorfo que não tem a força e o poder de Deus”.

O desejo de diálogo com os irmãos separados, e com todos aqueles que dentro da Igreja se encontram longe de Cristo, deve levar-nos, pois, a meditar com freqüência no empenho com que nos esforçamos por melhorar a nossa formação pessoal, o conhecimento adequado da verdade revelada. Agora, nestes minutos de oração pensemos como é que aproveitamos esses meios que temos ao nosso alcance para uma formação intensa e constante: em particular, a leitura espiritual e o estudo metódico da doutrina cristã.

Fonte: Falar com Deus

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