Diálogo Ecumênico (II)

A BOA NOVA que a Igreja proclama é precisamente fonte da salvação porque é a mesma verdade pregada por Cristo. “Consciente disso, Paulo quer confrontar a doutrina que anuncia com a dos outros Apóstolos, para estar certo da autenticidade da sua pregação (Gal 2, 10); e durante toda a sua vida, nunca deixou de recomendar a fidelidade aos ensinamentos recebidos, porque ninguém pode estabelecer outro fundamento senão aquele que já foi estabelecido, que é Jesus Cristo (1 Cor 3, 11)”.

A verdade que recebemos do Senhor é una, imutável, integramente conservada nos começos e através dos séculos, e nunca será lícito relativizá-la e aceitar dela somente aquilo que pareça conveniente, pois “qualquer atentado à unidade da fé é um atentado contra o próprio Cristo”. São Paulo está tão profundamente convencido desta verdade que não cessa de censurar nas suas Epístolas as pequenas facções que iam aparecendo naquela primeira época. Trago-vos à memória, irmãos, o Evangelho que vos tenho pregado, que recebestes, no qual vos mantendes firmes e pelo qual sois salvos […]. Pois transmiti-vos em primeiro lugar aquilo que eu mesmo recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; e que apareceu a Cefas e depois aos doze. Posteriormente, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais muitos ainda vivem e alguns morreram.

O Apóstolo anuncia a esses primeiros cristãos que a doutrina que devem crer não é uma teoria sua, pessoal, nem de nenhum outro, mas a doutrina comum dos Doze, daqueles que foram testemunhas da vida, morte e ressurreição de Cristo, de quem por sua vez a receberam. O conteúdo da fé – nos primeiros tempos e hoje – encontra-se resumido no Credo, que tem a sua origem nos ensinamentos de Jesus, transmitidos pelos Apóstolos com a assistência constante do Espírito Santo. Este conteúdo não é uma teoria abstrata acerca de Deus, mas a verdade salvadora revelada pelo Senhor, que tem umas conseqüências práticas e reais no nosso modo de ser, de pensar, de trabalhar, de agir… Por não resultar de um convênio humano nem ser uma doutrina inventada pelos homens, “é absolutamente necessário expor com clareza toda a doutrina. Nada é tão alheio ao ecumenismo – ensina o Concílio Vaticano II – como aquele falso irenismo que desvirtua a pureza da doutrina católica e obscurece o seu sentido genuíno”.

O verdadeiro objetivo do diálogo ecumênico, bem como de todo o diálogo apostólico, reside, pois, em procurar a comunhão mais perfeita com a verdade salvadora de Cristo. O progresso no conhecimento e na aceitação dessa verdade necessita da contínua assistência do Espírito Santo, a quem pedimos luz nestes dias, e de estudo e reflexão para podermos entender e explicar cada vez de modo mais claro tudo aquilo que Jesus Cristo nos revelou, e que se encontra guardado como um tesouro no seio da Igreja Católica. Só então é que podemos compreender – diz Paulo VI – por que a Igreja, “ontem e hoje, dá tanta importância à rigorosa conservação da autêntica revelação, por que a considera um tesouro inviolável e tem uma consciência tão severa do seu dever fundamental de defender e transmitir em termos inequívocos a doutrina da fé. A ortodoxia é a sua primeira preocupação; o magistério pastoral, a sua função primária e providencial […]; e o lema do Apóstolo Paulo: Depositum custodi (1 Tim 6, 20; 2 Tim 1, 14), constitui para ela um compromisso tal, que seria uma traição violá-lo.

“A Igreja, mestra, não inventa a sua doutrina; ela é testemunha, guardiã, intérprete, meio; e naquilo que se refere às verdades próprias da mensagem cristã, pode-se dizer que é conservadora, intransigente; e a quem lhe pede que torne a sua fé mais fácil, mais de acordo com os gostos da cambiante mentalidade dos tempos, responde-lhe com os Apóstolos: Non possumus, não podemos (At 4, 20)”. Este ensinamento também deve servir de critério na ação apostólica com aqueles católicos que quereriam adaptar a doutrina, às vezes severa, a uma situação particular em que está ausente o espírito de sacrifício e que, portanto, é incompatível com o seguimento do Senhor.

Fonte: Falar com Deus

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