Diálogo Ecumênico (III)

SÃO PAULO RECORDAVA aos primeiros cristãos de Éfeso que deviam proclamar a verdade com caridade: veritatem facientes in caritate, e é isso o que nós devemos fazer: com aqueles que já estão perto da plena comunhão na fé e com os que possuem apenas um vago sentimento religioso.

Sem ceder na doutrina, devemos ser compreensivos, cordiais. E mais do que isso: se por qualquer circunstância nos encontramos num ambiente ou devemos estar com alguém que nos trata com frieza, seguiremos o sábio conselho de São João da Cruz: “Não pense em outra coisa – exortava o Santo a uma pessoa que lhe pedia luz no meio das suas tribulações e dificuldades – senão que Deus ordena todas as coisas; e onde não há amor, ponha amor e tirará amor”. Nas pequenas e grandes circunstâncias da vida, teremos abundantes ocasiões de pôr este conselho em prática. E veremos muitas vezes como, quase sem o percebermos, nos foi possível mudar esse ambiente hostil ou indiferente.

A verdade deve ser apresentada integralmente, sem falsas composições, mas de maneira amável; nunca pode ser uma verdade azeda ou implicante, nem imposta à força ou com violência. Todas as pessoas têm o direito de ser tratadas com respeito, de que se aprecie o que sempre há de positivo nas suas idéias ou na sua conduta, por mais que estejam erradas ou que lhes façamos uma crítica legítima. Não devemos julgar ninguém, e muito menos condenar. A mesma caridade que nos anima a manter-nos firmes na fé é a que nos leva a querer bem às pessoas, a compreender, a desculpar, a deixar agir a graça de Deus, que não força nem tira a liberdade das almas.

A compreensão leva-nos a querer saciar a maior necessidade que o coração humano experimenta: a ânsia de verdade e de felicidade, que Deus imprimiu em cada criatura. As circunstâncias em que cada qual se encontra são diferentes, como também o grau de verdade que se alcançou; e para que todos cheguem à plenitude da fé, o nosso afeto e a nossa amizade podem ser a ponte de que Deus muitas vezes se serve para penetrar mais profundamente nessas almas.

Nossa Senhora, se lhe pedirmos que nos ajude, há de ensinar-nos a tratar a cada um como convém: com infinito carinho e respeito pela pessoa, e ao mesmo tempo com imenso amor pela verdade, com um amor que não nos levará, por falsa compreensão, a ceder na doutrina.

Fonte: Falar com Deus

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