Obstáculos ao Progresso na Vida Interior

AS CAUSAS que levam a não progredir na vida interior e, portanto, a retroceder e a dar lugar ao desalento, podem ser muito diversas, mas por vezes podem reduzir-se a poucas: ao desleixo, à falta de vigilância nas pequenas coisas que dizem respeito ao serviço e à amizade com Deus, e ao recuo perante os sacrifícios que essa amizade nos pede.

Tudo o que possuímos para oferecer ao Senhor são pequenos atos de fé e de amor, ações de graças, uma breve visita ao Santíssimo Sacramento, as orações costumeiras ao longo do dia; e esforço no trabalho profissional, amabilidade nas respostas, delicadeza ao prestar ou ao pedir um favor… Muitas pequenas coisas feitas com amor e por amor constituem o nosso tesouro deste dia que levaremos para a eternidade.

Normalmente, a vida interior alimenta-se, pois, do corriqueiro realizado com atenção e com amor. Pretender outra coisa seria errar de caminho, não achar nada, ou muito pouco, para oferecer a Deus. “Vem a propósito – diz-nos Mons. Escrivá – recordar a história daquele personagem imaginado por um escritor francês, que pretendia caçar leões nos corredores da sua casa e, naturalmente, não os encontrava. A nossa vida é comum e corrente: pretender servir o Senhor com coisas grandes seria como tentar ir à caça de leões pelos corredores. Assim como o caçador do conto, acabaríamos de mãos vazias”, sem nada que oferecer.

As nossas pequenas obras são como as gotas de água que, somadas umas às outras, fecundam a terra sedenta: um olhar a uma imagem de Nossa Senhora, uma palavra de alento a um amigo, uma genuflexão reverente diante do Sacrário, um movimento imperceptível de domínio da vista pela rua, um pequeno ato de força de vontade para fugir de um dissimulado convite à preguiça… criam os bons hábitos, as virtudes, que conservam e fazem progredir a vida da alma. Se formos fiéis em realizar esses pequenos atos, quando tivermos de enfrentar alguma coisa mais importante – uma doença mais séria, um fracasso profissional… -, saberemos também tirar fruto dessa situação que o Senhor quis ou permitiu. Cumprir-se-ão então as palavras de Jesus: Aquele que é fiel no pouco também o é no muito.

Outra causa de retrocesso na vida da alma é “negarmo-nos a aceitar os sacrifícios que Deus nos pede”, esquivando-nos a essas ocasiões em que devemos dar combate ao nosso egoísmo para procurar Cristo durante o dia, ao invés de nos procurarmos a nós mesmos. O amor a Deus “adquire-se na fadiga espiritual”. Não existe amor, nem humano nem divino, sem este sacrifício voluntário. “O amor cresce e desenvolve-se em nós no meio das contradições, entre as resistências que o interior de cada um de nós lhe opõe, e ao mesmo tempo entre os obstáculos que provêm «de fora», isto é, das múltiplas forças que lhe são estranhas e até hostis”.

Como o Senhor nos prometeu que não nos faltaria com a ajuda da sua graça, o nosso progresso só depende da nossa correspondência, do nosso empenho em recomeçar constantemente, sem desanimar, apoiando-nos nos “muitos poucos” que compõem a nossa vida e que estão sempre ao nosso alcance, como um convite ao sacrifício por amor.

Fonte : Falar com Deus.

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