Exame sobre o Bom Exemplo – 2 (II)

Por Pe. Francisco Faus

A IMAGEM DO PASTOR

Também há lobos e mercenários

A parábola do Bom Pastor fala, por contraste, do mercenário: O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge; e o lobo rouba e dispersa as ovelhas (Jo 10, 12).

Cristo lembra-nos que, ao lado dos bons pastores, existem os mercenários que fogem dos lobos. Seria muito penoso que os pais, orientadores e educadores encarnassem a figura covarde do mercenário que se omite, que foge de enfrentar os problemas difíceis das crianças, adolescentes e jovens e os abandonam à mercê dos lobos.

Mas mais penoso ainda seria que encarnassem a figura do lobo. E fariam isso, infelizmente, os que, chamados por Deus para guiar como pastores bons, em vez de edificar, destruíssem com os seus maus exemplos.

Podem ser chamados de lobos – por dura que pareça a expressão – os pais e educadores que, com as suas próprias mãos, isto é, com os seus maus conselhos e os seus péssimos exemplos, empurram os filhos e educandos para a desorientação, o erro, a má conduta, a confusão religiosa, espiritual e moral.

Fazem isso, sem dúvida, os que se gabam, diante dos filhos ou dos alunos, de desprezar a religião e a Igreja, e não se cansam de expelir sarcasmos contra a fé e a moral “tradicional”; os que exibem exemplos de mau comportamento pessoal, ou de falta de escrúpulos nos negócios, ou, então, péssimos exemplos da infidelidade, justificada em nome dos direitos do egoísmo (de um egoísmo mais forte que o amor conjugal e o carinho pelos filhos, um egoísmo que não hesita em provocar separações traumáticas com a única mira de buscar a “felicidade” pessoal ao preço da infelicidade da família). Esse tipo de “exemplo” diabólico tem o nome de “escândalo”.

Parecido com esse é o mal provocado por um lobo aparentemente mais manso; chame-o de raposa, se quiser. Refiro-me ao mau exemplo que muitas mães dão às filhas em matéria de moda, de compras descontroladas, de dependência viciada das telenovelas e, em geral, de futilidade e frivolidade mundana. Dirão que não é nada, que são bobagens. Também era nada, aparentemente, a “vovozinha” de Chapeuzinho vermelho, coitada, mas tinha dentes grandes e afiados, prontos para matar.

Creio que faria muito bem a essa mães “inconscientes” pegar num bom catecismo, e recordar, em relação à moda, um ponto fundamental da doutrina cristã sobre o nono mandamento da Lei de Deus: “A pureza de pensamento e de coração exige o pudor, que preserva a intimidade da pessoa. Jesus disse que o homem que olhar para uma mulher, desejando-a, já pecou com ela no seu coração. Por isso, a mulher tem o dever de cooperar com esse preceito vestindo-se com pudor e modéstia, sem pretextos de arte, moda e beleza?” iii

Tudo isso é pecado de “escândalo” (induzir os outros a pecar), e, quando de trata de gente ainda imatura, não se pode esquecer o que Cristo disse sobre esse mal: Se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem no pescoço uma mó de moinho e o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa! (Mat 18, 6-7). O Catecismo da Igreja Católica, ao recordar esse ensinamento de Jesus, frisa especialmente que “o escândalo é grave quando é dado por aqueles que, por natureza ou por função, devem ensinar e educar os outros” (n. 2285).

Fonte: http://padrefaus.googlepages.com/

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