Um Clamor de Justiça (I)

I. FAZEI-ME JUSTIÇA, ó Deus, e defendei a minha causa… Pois Vós, ó meu Deus, sois a minha fortaleza, rezamos na antífona de entrada da Missa.

Grande parte da humanidade clama aos brados por uma maior justiça, por “uma paz melhor assegurada num ambiente de respeito mútuo entre os homens e entre os povos”. Este desejo de construir um mundo mais justo, em que se respeite mais o homem criado por Deus à sua imagem e semelhança, é parte fundamental da fome e sede de justiça que deve palpitar no coração cristão.

Toda a pregação de Jesus Cristo é um apelo à justiça (na sua plenitude, sem reducionismos) e à misericórdia. O próprio Senhor condena os fariseus que devoram as casas das viúvas, enquanto fingem longas orações. E é o Apóstolo Tiago quem dirige esta severa censura aos que se enriquecem mediante a fraude e a injustiça: As vossas riquezas estão podres […]. Eis que brada aos céus o salário que defraudastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, e os gritos dos ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos.

Fiel ao ensinamento da Sagrada Escritura, a Igreja pede-nos que nos unamos urgentemente a este clamor do mundo e o convertamos numa oração que chegue até o nosso Pai-Deus. Ao mesmo tempo, anima-nos e concita-nos a observar as exigências da justiça na vida pessoal, profissional e social, e a sair em defesa daqueles que – por serem mais fracos – não podem fazer valer os seus direitos. Não são próprias do cristão as lamentações estéreis. O Senhor, ao invés de queixas inúteis, quer que o desagravemos pelas injustiças que todos os dias se cometem no mundo, e que procuremos remediar todas as que possamos, começando pelas que estão ao nosso alcance, no âmbito em que se desenvolve a nossa vida: a mãe de família no seu lar e com as pessoas com quem se relaciona, o empresário na empresa, o professor na Universidade…

A solução definitiva para instaurar e promover a justiça em todos os níveis está no coração de cada homem, pois é nele que se forjam todas as injustiças existentes e que está a possibilidade de tornar retas todas as relações humanas. “O homem, negando e tentando negar a Deus, seu Princípio e Fim, altera profundamente a sua ordem e equilíbrio interior, o da sociedade e também o da criação visível. É em conexão com o pecado que a Escritura considera o conjunto das calamidades que oprimem o homem no seu ser individual e social”.

Por isso, nós, cristãos, não podemos esquecer que quando, mediante o apostolado pessoal, aproximamos os homens de Deus, estamos construindo um mundo mais humano e mais justo. Além disso, a nossa fé intima-nos urgentemente a nunca eludir o compromisso pessoal de sair em defesa da justiça, particularmente no âmbito dos direitos fundamentais da pessoa: o direito à vida, ao trabalho, à educação, à boa fama… “Cumpre-nos defender o direito, que todos os homens têm, de viver, de possuir o necessário para desenvolver uma existência digna, de trabalhar e descansar, de escolher o seu estado, de formar um lar, de trazer filhos ao mundo dentro do matrimônio e de poder educá-los, de passar serenamente o tempo da doença ou da velhice, de ter acesso à cultura, de associar-se com os demais cidadãos para atingir fins lícitos, e, em primeiro lugar, de conhecer e amar a Deus com plena liberdade”.

Na nossa esfera pessoal, devemos perguntar-nos se executamos com perfeição e intensidade o trabalho pelo qual nos pagam, se remuneramos devidamente as pessoas que nos prestam serviços, se exercemos responsavelmente os direitos e deveres que podem influir na configuração das instituições de que fazemos parte, se defendemos o bom nome dos outros, se saímos em defesa dos fracos, se fazemos silenciar as críticas difamatórias que podem surgir à nossa volta… É assim que amaremos a justiça.

Fonte: Falar com Deus.

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