Um Clamor de Justiça (II)

II. OS DEVERES PROFISSIONAIS são um campo excelente para vivermos a virtude da justiça. Dar a cada um o que é seu – característica própria dessa virtude – significa neste caso cumprir aquilo a que nos comprometemos. O patrão, a dona de casa, o chefe, obrigam-se a remunerar as pessoas que trabalham às suas ordens de acordo com as leis civis justas e com os ditames de uma consciência reta, que muitas vezes irá mais longe que a própria lei.

Por seu turno, os operários e empregados têm o grave dever de trabalhar responsavelmente, com espírito profissional, aproveitando o tempo. A laboriosidade apresenta-se assim como uma manifestação prática da justiça. “Não acredito na justiça dos folgazões, porque com o seu dolce far niente – como dizem na minha querida Itália – faltam, e às vezes de modo grave, ao mais fundamental dos princípios da eqüidade: o do trabalho“.

O mesmo princípio se pode aplicar aos estudantes. Têm o grave dever de estudar – é o seu trabalho – e contraíram uma obrigação de justiça para com a família e a sociedade, que os sustentam economicamente para que se preparem e possam vir a prestar serviços eficazes.

Os deveres profissionais são, por outro lado, o caminho mais à mão com que contamos ordinariamente para colaborar na resolução dos problemas sociais e para intervir na construção de um mundo mais justo. No seu desejo de construir esse mundo, o cristão deve ser exemplar no cumprimento das legítimas leis civis, porque, se essas leis são justas, são queridas por Deus e constituem a base da própria convivência humana. Como cidadãos correntes que são, os cristãos devem ser exemplares no pagamento dos impostos justos, necessários para que a sociedade organizada possa chegar aonde o indivíduo pessoalmente seria ineficaz. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem imposto, imposto; a quem tributo, tributo; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.É necessário, pois, submeter-se, não só por temor do castigo, mas por dever de consciência. Assim viveram os cristãos desde o começo as suas obrigações sociais, mesmo no meio das perseguições e do paganismo dos poderes públicos. “Tal como aprendemos dEle (de Cristo) – escrevia São Justino, nos meados do século II -, nós procuramos pagar os tributos e contribuições, integralmente e com prontidão, aos vossos encarregados”.

Entre os deveres sociais do cristão, o Concílio Vaticano II recorda “o direito e ao mesmo tempo o dever […] de votar para promover o bem comum“. Desinteressar-se de manifestar a própria opinião nos diferentes níveis em que devemos exercer os nossos direitos sociais e cívicos seria uma falta contra a justiça, às vezes grave, se essa abstenção favorecesse candidaturas (tanto na composição dos parlamentos como na das associações de pais e mestres de um colégio, na direção de uma escola profissional, etc.) cujo programa se opusesse aos princípios da doutrina cristã. Com maior razão, seria uma irresponsabilidade, e talvez uma grave falta contra a justiça, apoiar organizações ou pessoas que não respeitassem na sua atuação os fundamentos da lei natural e da dignidade humana (aborto, divórcio, liberdade de ensino, respeito à família…)

Fonte: Falar com Deus.

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