O Silêncio

Por Pierre Blanchard

O silêncio é a pátria dos fortes e dos fracos, dos saudáveis e dos doentes, dos santos e dos criminosos. Há homens que se libertam pelo silêncio; há-os, que só a palavra libertaria. O silêncio é um dos aspectos do mistério do homem.

Yahvé é bom para o que nele espera,
para a alma que o busca.
É bom esperar em silêncio
a salvação de Yahvé.
(JEREMIAS, Lam. 111, 25)
Um Santo amadurece no silêncio…

(G. BERNANOS, Sous le soleil de Satan, pág. 280)

O silêncio dar-nos-á Deus? Há um silêncio que dá Deus. Qual silêncio? Não é o silêncio do homem, esse que o homem encontra entre os homens, esse em que o homem pode iniciar-se. É o silêncio da alma que se recolhe, da alma que escuta Deus, e a quem Deus fala. Deus fala àqueles que se calam, que reservam tempo para o ouvir e o esperar. “Deus não fala aos faladores”. No entanto, neste silêncio da alma, o homem tem três hipóteses: ou a palavra de Deus vem ao seu encontro, lhe dá alegria; ou o silêncio de Deus o esmaga; ou ele é iniciado no silêncio de Deus.
É portanto Deus que nos dá aquele silêncio que nos dá Deus. Ele dá-se no silêncio que nós lhe damos e que Ele nos dá. O silêncio é uma graça. Do silêncio do homem, cuja misteriosa ambiguidade nos vai aparecer, nós chegaremos ao silêncio da alma. E tomando o silêncio de Deus, alcançaremos o Deus do silêncio.

O SILÊNCIO DO HOMEM
Dizia Kierkegaard: “Se eu fosse médico e me pedissem um conselho, responderia: calem-se; façam calar os homens!” (1). Nem todo o silêncio é prova de profundeza espiritual. Nem todo o silêncio é virtuoso e são, sinal de santidade e de saúde. O silêncio é a pátria dos fortes e dos fracos, dos saudáveis e dos doentes, dos santos e dos criminosos. Há homens que se libertam pelo silêncio; há-os, que só a palavra libertaria. O silêncio é um dos aspectos do mistério do homem.

O homem cala-se: por indiferença (não se fala a alguém porque esse alguém não existe); por desprezo (não se lhe fala para sublinhar a nossa superioridade; para nós, ele não existe); por orgulho (não se lhe fala porque não se quer louvá-lo nem admirá-lo; ao nosso lado é que ele não poderia existir); por preguiça (não se lhe fala para pouparmos as nossas forças); por rancor (para quê retomar um diálogo interrompido?); por fraqueza (não podemos tomar posição nem empenhar-nos); por cobardia (não se quer ficar comprometido); por cumplicidade (mantemos com o outro um acordo secreto); por traição (recusa-se o testemunho que se devia prestar).

As sentinelas de Israel são todas cegas,
Nada sabem;
São todas elas cães mudos,
Que não podem ladrar;
Ora sonham, ora se deitam,
Gostam mais é de dormir.
(Isaías LVI, 10)

O Demônio é o Espírito de blasfêmia. Mas é também o Espírito surdo e emudecedor, que empareda os lábios, que impede as declarações nítidas e as envolve em ambigüidade, que proíbe as condenações vigorosas que difundem a luz e as afirmações graníticas que despertam os espíritos. O Demônio encadeia a palavra de Deus e pulveriza a palavra do homem. O Espírito de mentira não aceita a palavra de Jesus: sim, sim, não, não (Mateus, v, 37). São Paulo escrevia aos fiéis de Corinto: “Porventura os meus projectos se inspirarão em motivos carnais, de sorte que haja em mim continuamente o sim e o não? Deus me é testemunha! A linguagem que uso para convosco não é sim-e-não. Porque o Filho de Deus, o Cristo Jesus que que nós pregamos entre vós, não foi sim-e-não; não há nele senão «sim»” (II Cor., I, 17-19). O silêncio está ligado a todas as fraquezas do homem; é instrumento dos seus pecados. Pelo silêncio o homem se destrói.

Mas é também pelo silêncio que o homem cria e manifesta a sua força e constrói a mansão das suas virtudes; da prudência, pelo silêncio da discrição e da medida; da temperança, pelo silêncio dos seus sentimentos inconfessados; da força, pelo silêncio da paciência; da justiça, pelo silêncio do juízo; da humildade e do apagamento. Já dentro do templo das virtudes cardeais, é ainda pelo silêncio que o homem é introduzido no santuário das virtudes teologais: da fé, pelo silêncio da razão que reconhece os seus limites e se abre a uma luz mais alta; da esperança, pelo silêncio da expectativa, que, no desprendimento dos bens terrenos, aspira aos bens eternos; da caridade, pela união com Deus na oração e na dedicação aos outros.

Através do silêncio se revela, pois, o homem nas suas duas faces: face noturna – do pecado; face luminosa – da virtude. Ele acompanha os estados extremos do homem: silêncio de respeito e de desprezo, de amor e de ódio, de alegria e de dor, de reflexão e de idiotia, de esquizofrenia e de misticismo. O silêncio é o sinal do mistério do homem. O homem – homo silens – é um ser que pode falar e que pode calar-se: domina-se; é pois livre. Exprime-se e exterioriza-se; mas também concebe e se interioriza: patenteia-se e concentra-se: é espírito. Espalha-se pelo mundo, mas também se retira e se contrai nesse espaço de dentro, que é o seu paraíso, onde se purifica, se pacifica e se unifica, mas é também o seu inferno, onde se prende, se tortura e se desagrega.

Quando quer, comunica com os homens; consigo mesmo, comunica sempre. Tem seus segredos – seu segredo. É o seu segredo que as palavras banais não revelam, que as conversas sérias não deixam supor, que as confidências são incapazes de esgotar. É mais profundo que tudo o que parece ser, que tudo o que diz, que tudo o que faz. Está presente a si mesmo por um olhar permanente que abarca as zonas conscientes do seu mundo, olhar cheio de alegria diante das riquezas ainda inexploradas que descobre, acabrunhado de tristeza diante dos abismos ameaçadores que se abrem, esmagado pela responsabilidade, que tem de assumir o peso da existência. O silêncio é pois verdadeiramente ôntico; dá-nos a conhecer o ser; é instrumento da sua gênese, condição de – todas as suas metamorfoses. “0 homem que perdeu o silêncio, com ele não perdeu somente um atributo: foi modificado em toda a sua estrutura” (2)

Estas análises psicológicas sobre o silêncio do homem por desbravarem o terreno, preparam-nos para uma reflexão mais espiritual sobre o silêncio da alma. O homem não se cala senão porque é uma alma, e na medida em que o é e em que o quer vir a ser. A existência do silêncio é a prova da realidade e da interioridade da alma; a qualidade do silêncio é a garantia da sua profundeza. Mas que distância vai do silêncio do homem ao silêncio da alma!

O SILENCIO DA ALMA

É na solidão que o silêncio da alma encontra o clima ideal; mas não será possível senão aí? Não esconde esse silêncio, e não protege, um diálogo íntimo? Não garante o brotar da palavra interior?

SILENCIO E SOLIDÃO

Silêncio e solidão estão ligados entre si: chamam-se um ao outro. A alma busca a solidão para lá encontrar o silêncio. Aqueles a quem foi imposta a solidão receberam nela, por vezes, a graça do silêncio. E. Psichari e A. de Saint-Exupéry descobriram, no deserto, esse mestre que é o silêncio. Para Psichari, o silêncio é mestre da verdade e do amor mor: “Mas eu dizia: virá o tempo de me enfraquecer, quando encon
trar a fria Europa. Agora, deixemos agir o silêncio. É um grande mestre da verdade. A esses grandes espaços de silêncio que atravessam a minha vida devo eu afinal tudo o que em mim possa haver de bom. Pobres daqueles que não conheceram o silêncio! O silêncio, que faz mal e que faz bem, que faz bem com o mal! O silêncio que desliza como um grande rio sem escolhos, como uma esplêndida ribeira, cheia até cima, igual! … Por muitas vezes ele veio ter comigo, como um mestre bem-amado, e parecia ser um pouco de céu que descia até o homem para o tornar melhor. Em camadas imensas, ele vinha do Céu, dos grandes espaços interestelares, das paragens sem turbilhões da fria lua. Vinha de por detrás dos espaços, de para lá dos tempos, de antes que fossem os mundos e de lá onde os mundos não existem já… Então, eu parava cheio de amor e de respeito. Porque o silêncio é também o mestre do amor… A ausência dos barulhos é um grande repouso. Mas o silêncio é mais alguma coisa. É um grande plaino da África onde volteia o acre vento; é o Oceano Índico de noites sob as estrelas. Era o silêncio que Pascal encontrava nas noites do Port-Royal, e é ele que, por vezes, nós encontramos nas solidões da África. Nesses momentos, nós sabíamos, ai de nós! que era ele a única coisa que nos vinha de Deus” (3).

Na mesma via se tinha lançado Saint-Exupéry. Terá ele chegado ao mesmo santuário? “Hei-de escrever um hino ao silêncio… Vigilância de Deus sobre a nossa febre, manto de Deus sobre a agitação dos homens”. Senão na experiência, ao menos na expressão, ele encontra-se com Psichari ao marcar os momentos da progressão ascética: silêncio do coração, silêncio dos sentidos, das palavras interiores. E acrescenta: “É bom que encontres Deus, que é o silêncio no eterno”. Ele compreende que o silêncio é dado ao homem quando conclui que não têm sentido as suas interrogações e que a verdade chegou como quem apaga uma pergunta, que o amor só existe no mundo em que já não é posta nenhuma questão. Compreendeu, sobretudo, que Deus não responde ao homem senão apagando-lhe as interrogações. Deus não responde à palavra do homem, mas introdu-lo no seu silêncio. “Silêncio: porto do navio. Silêncio em Deus: porto de todos os navios”(4). A luz destas reflexões ele via que a relação essencial entre o silêncio e a oração está na mediação do amor: «E que o amor só começa onde já não há dom a esperar. O amor, primeiramente, é exercício da oração, e a oração exercício do silêncio» (5). O silêncio é o espaço espiritual para o encontro dos homens quando cessa a palavra, «fonte de mal-entendidos». “Eles e eu não éramos mais que a oração a diluir-se no silêncio de Deus” (6). E então Saint-Exupéry implorava Deus nestes termos: “Quando um dia enceleirares a tua criação, Senhor, abre-nos a tua viseira de dois batentes e faz-nos penetrar lá onde nada será respondido porque não haverá já resposta mas beatitude, que é fecho-de-abóbada das interrogações e rosto que satisfaz” (7).

É tentador o paralelo entre estes dois homens e estas duas experiências. Um não conheceu a fé na infância e encontra-a. Surge como vítima do pecado dos pais. O segundo perdeu-a e procura-a. Causa-nos tristeza como contemplar os destroços. Príncipe decaído, ausente do seu reino. Um e outro estão cansados dos. homens, porque estes não podem saciar a fome de absoluto que os devora. Um e outro atravessam o deserto, à conquista da Terra Prometida. O primeiro entra nela e morre na paz da verdade e na oferenda de um sacrifício, talvez suplicado, e com certeza esperado. O segundo desaparece sem que a última questão tenha caído sob o olhar do amor possuído. Psichari está mais perto de nós, delicado, frágil e fraternal. Saint-Exupéry, mais rude, mais selvagem, mais isolado e segregado, um grão-senhor. É mais consigo mesmo que fala, do que com os homens e com Deus. Ambos, no entanto, «amadureceram» no silêncio. Traduzindo uma experiência, são os profetas e as testemunhas da linguagem interior.

Se bem que a solidão chame o silêncio e o silêncio chame a solidão; se bem que a união de ambos favoreça a vida contemplativa e portanto a procura, a posse de Deus, como eminentemente testemunha a vida cartusiana, pode-se produzir uma dissociação desses dois valores: um silêncio sem solidão e uma solidão sem silêncio.

Um silêncio sem solidão
. Nem todos têm a vocação da soledade; nem todos podem ir para os desertos. Todos, porém, têm necessidade de silêncio. Esse silêncio não se lhes recusará. É oferecido e é dado àqueles que, movidos pela vontade de recolhimento, pelo esforço de desprendimento, descem à «cela interior» que no seu íntimo reconstroem. Estão no mundo e não são do mundo. Ao lado dos outros, e com os outros, é com Deus que sobretudo estão. Realizam o apego desapegado que é a forma suprema do amor. Mais do que escutarem as palavras que os outros lhes dirigem, o que fazem é levá-los para o seu silêncio. Libertam, pela própria liberdade que conquistaram. “Eu dependia de mim; era senhor das minhas presenças. Conhecia a minha liberdade” (8). Falam, com persuasiva eloquência, dessa pátria que se tornou deles. No meio das cidades há silenciosos destes, cartusianos de desejo, que encontraram a pátria: “O silêncio desta sala em que estou a escrever é uma das maiores riquezas da minha vida” (9). “A vida nunca é tão bela como quando se afasta do que se chama a vida” (10). Os verdadeiros desertos são aqueles que se criam e que se defendem.

Uma solidão sem silêncio. Outros, aparentemente mais felizes, possuem a solidão: é uma moldura sem retrato, uma natureza sem sol, um vaso sem flores, flores sem perfume. A solidão é-lhes imposta, o silêncio é-lhes recusado. Para esta solidão eles transportaram todos os tumultuosos desejos que os habitam, todas as presenças que os obsidiam. Queixam-se os homens do barulho porque dele morrem, porque com ele lhes murcham as almas; seus espíritos estão a abarrotar de palavras, mais que de ideias; suas imaginações estão fascinadas, enfeitiçadas por imagens; suas vontades atraídas, em direcções contrárias e contraditórias, por «solicitações simultâneas». Sonham com um espírito que encontre espaço para poder desabrochar, uma imaginação liberta de fantasmas, uma vontade disponível para o bem. Mas a solidão que atingiram é uma solidão sem silêncio. A solidão sem silêncio é um inferno: define o tédio em que o ser se desagrega, o vácuo em que a consciência se desorganiza. “Eu julgava que sabia tão bem viver sozinho! … A solidão, em verdade, começava mais longe: estava ali, dentro de mim, como um buraco… Não me era possível continuar a amar a minha soledade. Era preciso matá-la…” (11). “Não! O silêncio não existia: nascia de uma crispação, de uma preguiça provisória do espírito. A solidão não existia: era o meu sono interior. Eu nunca estava só e nada se calava” (12). Compreendemos que a solidão só nos é cara porque nos repousa do barulho: lei psicológica do contraste. Depressa ela nos esmaga, porque o silêncio nos não abre as portas da vida interior. Só por meio de uma graça a solidão, revela o silêncio. Por isso os panegíricos do silêncio (13) arriscam-se a ficar sem efeito sobre aqueles que não experimentaram a palavra interior. “O silêncio – diz Lavelle – não difere da palavra interior”. (14).

SILENCIO E PALAVRA

Dissemos que a solidão existe para o silêncio. Acrescentamos agora: o silêncio existe para a palavra. E, antes de tudo, para a palavra que a alma dirige a si mesma.

O silêncio sem a palavra interior seria o nada, vazio absoluto. Os medievais tinham razão quando distinguiam a palavra interior e a palavra exterior. O honro silens é ainda – e sobre
tudo – um homo loquens. É muito provável que o homem possa pensar sem que brote essa palavra, que é a expressão do pensar. O silêncio não é a ausência ou a recusa da palavra, mas a possibilidade de falar oferecida à alma. O homem fala, muitas vezes, sem a alma – palavras irreais, dizia Newman. Fala apesar da alma: palavras mentirosas. Fala contra a alma: palavras vãs e inúteis. Fala para que a alma não fale, ou porque ela não fala. Só tem ressonância a palavra que for eco de uma palavra interior. Jacques Lusseyran, ferido de cegueira, ouviu essa palavra interior que constitui a vida interior: “Por fora, era doravante o vazio; por dentro, uma floresta inteira de luz. Tive de olhar por muito tempo antes de me acostumar a esta luz sem sombra. Veio depois o hábito e, com ele, encontros desconcertantes. Eu não sabia ainda (e foi uma longa descoberta, nunca acabada) que a nossa vida interior era uma «vida» o nosso mundo interior efectivamente um «mundo»… O mundo exterior existe; existe o mundo interior. Quem sabe conciliar estes dois fatos? … Os dois mundos são igualmente reais, igualmente sensíveis… Eu descobria passo a passo os habitantes do mundo” (15).

A si mesma a alma fala da sua história, dessa extensão de si mesma que, segundo Santo Agostinho, é a duração (16). Esta história pessoal, a autêntica, a mais escondida, a que só Deus conhece, a que se desenrola num espaço e num tempo que ela própria gera, compreende recordações, estados presentes, projetos: recordações de atos e de rostos, de graças e de pecados, de êxitos e de insucessos, de expectativas e decepções. Estados atuais de tensão e de esforço, de distendimento e de sonho, de alegria e de tédio, de vazio e de plenitude. Projetos de fazer, de ter, de ser, de amar. No limiar das decisões a seguir, a alma institui seus debates, assinalados por progressos e retrocessos – concerto de muitas vozes. É a dialéctica da liberdade no seu primeiro momento – na escolha. E esta escolha é função dos valores aos quais a alma adere ou que ela renega, que abandona ou retoma. A alma considera o que lhe é necessário, interroga-se sobre os sacrifícios que virão: a ser necessários, dirige os seus apelos ao ser ideal com quem deseja comungar. Tenta decifrar-se, seguir a linha do seu destino. Apreende-se aplicada ao seu ato, mas nunca se esgotando nele. Aceita-se ou recusa-se, aprova-se ou condena-se, tortura-se ou alegra-se consigo mesma. A si mesma pergunta por que vínculo se prende a este corpo, ao seu corpo, que é o dócil instrumento dos seus desígnios mais nobres mas se torna obstáculo ao seu adiantamento, à sua liberdade.
Emocionante diálogo, este, mal interrompido pelo sono, e na realidade transposto para um outro mundo cuja natureza nos escapa: linguagem que prossegue mas em cifra; diálogo que o convívio com os outros não impede: enquanto se fala com os outros não se deixa de falar consigo próprio. Se fosse possível comparar as duas conversas! Esse é o diálogo a que se chama a vida interior, a própria. vida da consciência. Mas, através dela, a vida da alma. Diálogo que a morte faz parar. A última palavra clara que o homem diz a si mesmo, no último clarão da sua consciência, conclui a sua história no tempo.

O SILÊNCIO DE DEUS

No silêncio, a alma fala consigo mesma. O diálogo não é senão um aspecto dessa vida interior. O silêncio preenche uma função mais alta. Se não se fala com os homens é para falar com Deus, para falar dos homens a Deus, a fim de, em seguida, poder falar de Deus aos homens. O silêncio, por amor da palavra interior, para ouvir a palavra de Deus, para preparar a palavra acerca de Deus.

Mas Deus falar-nos-á? Dizia a um religioso um jovem internado num hospital: “Não quero conversar comigo mesmo e imaginar que é Deus que me fala. Deus não fala. Há o silêncio de Deus. O silêncio de Deus… Pensei nele todo o dia” (17). Não é quimérico este perigo de alucinações acústicas. Durante a sua semana de retiro na Trapa de Nossa Senhora de l´Atre, Durtal, presa de tentações violentas, a si mesmo pergunta se não estará a ser vítima de ilusões (18). Após exame, conclui pela existência de uma dualidade incontestável (19). Satã está presente; é ele que lhe fala, tal como noutros momentos, é Deus que lhe fala.

Muitos são perturbados por este silêncio de Deus e nele vêem a evidência da inexistência de Deus. O silêncio nos forçaria, pois, a um monólogo esgotante. Deus ouvirá? Escutará? Ele, que não fala e não responde. Na febre da adolescência, numa idade em que não tinha ainda renunciado à luta, André Gide chama o Senhor em seu auxílio: “Eterno! Meu Senhor! Oh! Dai-vos a conhecer! – Fica-se de joelhos por muito tempo, e o corpo inquieta-se enquanto a alma busca novas formas de oração e às vezes se apavora com o seu eterno monólogo. – Ah! não ouvir nada a responder-nos; acreditar ainda; a fé – sem que nada no-la garanta; – esperar, rezar, saber já que essa esperança nos ilude – e rezar ainda contra tudo, porque talvez…” (20). Na última página de Os Falsos Moedeiras, colhemos nos lábios de La Pérouse, desiludido, a última confissão, que é a posição de Gide, a do desespero místico: “Já repararam que neste mundo se cala sempre a voz de Deus? Só o diabo fala. Ou, pelo menos, pelo menos… tornou ele, … seja qual for a nossa atenção, nunca é senão o diabo que chegamos a ouvir… Nós não temos ouvidos para escutar a voz de Deus. A palavra de Deus!… “ (21). François Mauriac, na patética conversa entre o cura de Baluzac e Xavier, apresenta-nos o caso daquele padre que também caiu na noite da descrença por ter esperado em vão uma palavra de Deus. O cura de Baluzac tinha chamado esse rapaz para o desviar da sua vocação. Dá-lhe a entender que perdeu a fé. Xavier interroga-o acerca dos motivos que o tinham levado ao estado sacerdotal. O cura não menciona nem a ambição nem o cálculo. Reconhece que se exerceram sobre ele algumas influências. Xavier arrisca:

“Talvez amasse alguém? Só o amor explica a loucura de certos atos. E no enquanto não se pode amar uma idéia; não se pode amar um mito!”

Então o cura interrompeu-o bruscamente:

“Pode-se amar alguém morto há perto de dois mil anos; é verdade. Eu sou a prova disso; eu e muitos outros. Como ele me enganou! Como ele nos irá enganando de século em século! – tornou com voz premente. Rezei tanto! Implorei tanto! Na sua idade, fazem-se as perguntas e as respostas, e crê-se que é Deus que fala. Não se percebe que não há ninguém” (22).

Por graves que sejam estas confissões, não poderão impressionar-nos se reflectirmos. Que esperam esses cristãos? Palavras sensíveis de Deus, um sentimento da presença de Deus. Querem, na ordem da fé, ser favorecidos com uma experiência de Deus reservada aos místicos. Esquecem, por outro lado, que Deus fala incansavelmente aos homens por meio da Escritura. Esquecem ainda que nós não temos de começar por gozar de Deus, neste mundo, mas servi-lo, difundir a sua palavra, e não exigir dele novas mensagens. Por último, eles não deixam que Deus os inicie no silêncio, na fé e no amor, que é a recompensa da fidelidade. Que Deus falou a certas almas, é um fato incontestável. Santa Teresa d’Ávila manifestou-se longamente sobre o fenômeno das palavras interiores (23).

Inicia essa exposição de límpida clareza por uma declaração em que se espalha a sua sinceridade. “Que Deus me falou, verifiquei-o eu por uma experiência muito antiga” (24). E no Castelo afirma sem rodeios que tem «uma longa experiência dessas palavras de Deus» (25). Nas suas Relações Espirituais, reproduz numerosas palavras que ouviu. Foi dessas palavras substanciais que São Jo?
?o da Cruz tratou na Subida do Monte Carmelo (26):

-Sou Eu. Nada temas (27).
– Não penses encerrar-me em ti, mas encerrar-te em Mim (28).
– Vê esta chaga; é um sinal de que a partir deste momento serás minha esposa; até agora não o tinhas merecido; de futuro, não só verás em mim o teu Criador, o teu rei e o teu Deus, mas cuidarás da minha honra, como uma verdadeira esposa. A minha honra é a tua; a tua honra é a minha (29).

Santa Teresa sobe, do plano da pura descrição, ao da crítica metafísica desse fenômeno. Vêm de Deus essas palavras? Ou emanam do Demônio? Ou são criação do espírito humano? O problema está posto; ela fornece os critérios, «os sinais mais seguros» de que a origem delas é divina. A ordem de enumeração que segue é diferente da Vida para o Castelo. Os sinais são idênticos. As palavras divinas são perfeitamente distintas; mais poderosas que quaisquer outras, impõem-se à atenção. São de uma riqueza sintética tamanha que inundam a alma de luz. Brotam de forma imprevista e imprevisível, sem terem relação com o conteúdo atual da consciência e o desenvolvimento lógico da reflexão do sujeito.

São, pois, um acontecimento. A alma é inteiramente passiva: escuta, não fala. São ações de Deus, produzem os efeitos que anunciam, operam o que significam. Provocam uma fé mais viva, uma força mais indomável; mergulham a alma na paz e trazem «uma consolação doce, forte, penetrante, deliciosa, tranqüila» (30). Ficam gravadas para sempre na memória, não se podem esquecer. No momento em que ressoam, a alma está absolutamente certa do seu carácter sobrenatural. É só depois, sob a influência do Demônio, que algumas dúvidas se vão insinuar. Estas palavras divinas existem. Santa Teresa garante-nos a realidade delas e dá-nos os sinais da sua autenticidade. São João da Cruz preocupa-se sobretudo com lembrar-nos que não devemos desejá-las. Está convencido de que o Demónio se empenha em enganar as almas e perturbar os espíritos. Deus falou de maneira definitiva na pessoa de seu Filho. É às suas palavras que se deve pedir o segredo da perfeição.

A Igreja – às almas, a cada uma das almas -, Deus continua a falar pela Escritura. Aquele que quer ouvir palavras de Deus abra a sua Bíblia! E meditará essas palavras cuja verdade não passa (Mat., xxiv, 35), cuja profundidade é inesgotável para o espírito e para a vida (João, vi, 64). A substância delas, ele a assimilará como a um alimento (Ezequiel, III, 1). No seu coração as conservará como uma presença (Lucas, I, 19). Através das provações, conforta-lo-ão (Rom., xv, 4). É a experiência religiosa de Julien Green que dá a mais alta significação à sua obra literária. No coração desta experiência religiosa é fácil discernir uma experiência bíblica de uma qualidade, uma pureza e uma intensidade verdadeiramente notáveis e de tal modo rara que é impossível que não corresponda a uma graça. Esta graça é a resposta do céu a uma demanda de Deus amorosa, dolorosa, obstinada, e a uma vontade toda filial de perscrutar o seu pensamento nos Livros Santos. Várias horas por dia passa ele nesta meditação. Não hesitou em estudar hebraico para ler com fruto o Antigo Testamento. Ouçamo-lo a revelar-nos alguns aspectos dessa experiência bíblica. Qualquer comentário é, aqui, inútil.

A Bíblia é uma carta pessoal que Deus envia a cada um de nós (31).
De cada vez que abro a Bíblia, encontro nela uma alusão directa à minha vida, aos meus problemas, às formas particulares que em mim toma a fraqueza moral (32).

A Bíblia contém para cada um de nós uma mensagem cifrada. A cifra, é a fé que no-la dá (33).

Esta noite, quando cheguei, li a Bíblia, para tentar fazer brilhar a luz na minha noite (34).

O que em todo o caso eu quereria dizer é que a Bíblia foi a fonte onde copiosamente bebi nas horas de angústia, a água refrescante, a cuja borda me estendi para sonhar não sei com que esplêndidos lugares donde é banido o sofrimento (35).

A Bíblia tem isto de particular: que, por mais que todos os dias se leia, não é nunca o mesmo livro que se abre (36). Momentos há – não o digo sem hesitação – em que afasto a tentação de abrir a Bíblia, porque conheça toda a força hipnótica deste livro. Para mim é muito mais que um livro; é uma voz e uma pessoa (37).

Não será muito significativo que os mestres espirituais que puseram as almas em guarda contra as palavras divinas extraordinárias – como João da Cruz – ou que não parecem ter sido beneficiados com esses favores – como Santa Teresa do Menino Jesus – são também aqueles que conjuravam as almas a alimentar-se com a Sagrada Escritura? Teresa foi categórica: “Basta-me o Evangelho”. O cristão da Nova Aliança não tem já que esperar mensagens de Deus; não tem que dizer, como Samuel: “Falai, Senhor, o vosso servo escuta-vos” (I Sam., III, 9-10); nem que consultar o Senhor como Moisés, no interior do tabernáculo. Tem de perscrutar a mensagem de Deus: «Deus tornou-se como que mudo; nada mais tem para dizer; porque aquilo que em parcelas dizia aos profetas, disse-o inteiro em seu Filho, quando nos deu esse todo que é o seu Filho. Eis por que aquele que quisesse agora interrogá-lo ou desejasse uma visão ou uma revelação, não somente cometeria uma loucura, mas faria uma injúria a Deus, por não voltar os olhos unicamente para Cristo, não buscando qualquer outra coisa ou qualquer novidade…» (38).

Será exato que Deus não fala às almas? Ele fala por meio de uma luz que subitamente clarifica o horizonte, por meio de uma força que quebra uma tentação e mantém um entusiasmo; por meio de uma amizade que se oferece num momento de isolamento, por meio de uma separação que nos desperta e nos projeta em Deus, por meio de uma doença que nos separa do mundo, por meio de uma leitura que apazigua e conforta, por meio de uma série de acontecimentos providenciais, por meio de um insucesso que nos vem barrar uma estrada perigosa, ou de um êxito que nos abre um caminho de apostolado. “É preciso que entremos em nós próprios e procuremos em nós aquele que nunca nos deixa e nos ilumina sempre. Ele fala baixo, mas a sua voz é distinta; ilumina pouco, mas a sua luz é pura” (39). A quem sabe e quer ler, não faltam os sinais. É o homem que falta aos sinais. Perde-se a fé – costuma-se dizer – porque Deus se cala. Pelo contrário: é porque se perdeu a fé que não se pode já ouvi-lo e não se quer já dar-lhe atenção. Discípulos de Emaús, que, em lugar de serem filhos da Ressurreição, são ainda os discípulos desamparados da Sexta-Feira Santa!

“Não, não, meu Deus! Ide-vos;
eu não vos peço nada!
Estais aqui e isso basta. Calai-vos somente,
Ó meu Deus, a fim de que a vossa criatura ouça!
Quem provou do vosso silêncio
Não precisa já de explicação» (40).

O Cântico da Mesa
leva-nos para longe da tentação gideana e das reações ateias, leva-nos em cheio à experiência religiosa do Deus do silêncio procurado pela fé, possuído no amor e comunicado pela oração.

Vós estais aqui…
O homem moderno, cujo espírito as técnicas paralisam, se toma consciência desta usura e ausência da verdadeira vida, precipita-se para as Fontes do Silêncio (41), na esteira de Thomas Merton. Silêncio ascético, condição e prelúdio da presença de Deus. Procura do silêncio; silêncio que serve a procura. Cansados de um mundo mecanizado, sem amor, os cistercienses dos Estados Unidos saboreiam esse silêncio, que, no Novo Mundo, cria para eles um mundo novo.

Vós estais aqui… Ê
-na certeza desta presença, cetteza viva e v
ivificante, merecida por uma, fé que tudo arriscou, que o frade da Cartuxa está firme e que a sua existência se transfigura em louvor. “O cartusianismo – escreve um deles – assenta num fundo de silêncio que conheceis e amais. É desse fundo que nasce para cada um de nós aquele que é a palavra eterna. Toda a nossa vocação está nisto: escutar aquele que gera essa palavra, e disso viver. A palavra procede do silêncio, e nós esforçamo-nos por ir buscá-la no seu princípio. É que o silêncio de que se fala não é um vazio e um nada; é, pelo contrário, o ser na sua plenitude fecunda. Eis por que ele é fecundo. Eis por que nos calamos” (42). Silêncio místico, experiência e efeito da presença. Posse do silêncio e silêncio de posse. O cartusiano prova deste silêncio. É o segredo do seu paraíso.

Vós estais aqui… No aprofundamento e na irradiação desta presença das Três Pessoas se desenrolou toda a vida de Soror Elisabeth da Trindade. O silêncio tinha sido o clima privilegiado da sua espiritualidade e a lei do seu desenvolvimento interior. Dias antes da morte, dirigia ela a uma irmã conversa estas linhas que resumem a sua experiência e a sua missão: “Parece-me que, no céu, a minha missão será atrair as almas, ajudando-as a saírem de si mesmas para aderirem a Deus por um movimento inteiramente simples e cheio de amor, e guardá-las nesse grande silêncio do interior que permite a Deus imprimir-se nelas e transformá-las em si” (43). Silêncio apostólico do testemunho. Ao silêncio de Deus dos ateus, opõem os místicos o Deus do silêncio, o Deus que é espírito e que se manifestava a Elias num murmúrio dulcíssimo e subtil.
O silêncio é uma ciência que se aprende, uma sabedoria que se adquire, uma experiência que se vive, mas, antes de tudo, um amor que se dá. O silêncio está reservado aos pequenos, aos pobres do Senhor.


(1) Cit. Por MAX PICARD. Le Monde du Silence. P.U.F., 1953, pág 184.
(2) MAX PICARD, op. cit., pág. 177.
(3) E. PSICHARI, Les voix qui crient dans le désert, págs. 266-7.
(4) A. DE SAINT-EXUPÉRY, Citadelle, Gallimard, Paris, 231a. Ed., págs. 133-135.
(5) Ibid., pág. 204.
(6) Ibid., pág. 204.
(7) Ibid., pág. 135.
(8) J. LUSSEYRAN, Silence des hommes, La Table Ronde, 1954, pág. 76.
(9) J. GREEN, Journal, t. v, pág. 64.
(10) Ibid. t. I, pág. 64.
(11) J. LUSSEYRAN, Silence des hommes, págs. 53-54
(12) Ibid., pág. 75.
(13) JEAN DE COURBERIVE, Plaidoyer pour le silence, Spes, 1933, e MAX PICARD, Le monde du silence, P. U. F., 1953
(14) L. LAVELLE, La Parole et l’Écriture, L’Artisan du Livre, 1942, pág. 144. O autor sublinha com insistência a função do silêncio que é «uma homenagem que a palavra presta ao espírito» (pág. 130), pois a «palavra tira ao pensamento a pureza e o segredo» (pág. 133).
(15) J. LUSSEYRAN, Et la lumière fut, págs. 23-24. Em Silence des hommes: «O meu pensamento, neste novo espaço, já não se aplicava a nenhum objeto: era livre. Daí não resultava uma sensação de vazio, mas sim de íntegro poder» (pág. 216).
(16) SANTO AGOSTINHO, Confissões, XI, XXVI, 33: Daí (de uma longa análise sobre o tempo) concluo que o tempo não é senão uma extensão – de quê, não o sei eu. Seria estranho que não fosse extensão do próprio espírito.
(17) J. GREEN, Journal intime, t, v, pág. 247 (30 de Março de 1949).
(18) J. R. HUYSMANS En route, Plon, 46.a ed., 1921: «Estás bem certo de não te teres sugestionado, de não teres armado a cilada contra ti mesmo? A força de quereres acreditar, acabaste por dar à luz e impor a ti mesmo, disfarçando-a, ocultando-a com o nome de graça, uma, ideia fixa, em volta da qual agora tudo gira. Queixas-te de não teres experimentado graças sensíveis depois da comunhão; isso demonstrou simplesmente que tu não eras bastante terno ou que a tua imaginação cansada dos seus próprios excessos da véspera se revelou incapaz de te compor o enlouquecedor encantamento que depois da Missa exiges» (pág. 351).
(19) Ibid, pág. 350.
(20) A. GIDE, Ler Cahiers d´André Walter, Gallimard, 13.a ed., 1952, págs. 144-5.
(21) A. GIDE, Ler Faux Monnayeurs, Gallimard, 1925, t. II, pág. 245.
(22) F. MAURIAC, O Lobo e o Cordeiro, trad. de Teixeira Leite, Livros do Brasil, Lisboa, págs. 140-141.
(23) SANTA TERESA D´ÁVILA, Livro da Vida, cap. XXV, págs. 218-230 e cap. XXVI, págs. 230-235; Castelo Interior, Sextas Moradas, cap. III, págs. 106-114.
(24) Livro da Vida, pág. 218.
(25) Castelo, pág. 111.
(26) SÃO JOÃO DA CRUZ, Subida do Monte Carmelo, 1, I, cap. XXVI, XXVII, XXVIII, XXIX.
(27) Relações Espirituais, IV, pág. 85.
(28) Ibid., XVIII, pág. 107.
(29) Ibid., xxv, pág. 117.
(30) Livro da Vida, ed. cit., cap. XXV, pág. 223.
(31) JULIEN GREEN, Journal, t. III, pág. 202, 24 de Março de 1942.
(32) Ibid., t. II, pág. 107; 27-VII-1937.
(33) Ibid., t. III, pág. 25, 4-IX-1940.
(34) Ibid., t. IV, pág. 244, 18-X-1945.
(35) Ibid., t. III, pág. 58, 23-I-1941.
(36) Ibid., t. v, pág. 307, 24-X-1949.
(37) Ibid., t. v, pág. 201, 27-IX-1948. Em Bible et Vie Christienne, o nosso estudo Julien Green et Ia Bible, Junho de 1956.
(38) SÃO JOÃO DA CRUZ, Subida do Monte Carmelo, 1, li, cap. XXII, pág. 175.
(39) MALEBRANCHE, Recherche de ta Vérité, 1. v, cap. IV, ed. de G. Lewis, Vrin, t. II, pág. 99.
(40) P. CLAUDEL, Partage de Mídi, Gallimard, 8.a ed., 1949, pág. 205, e ed. La Pléiade, Théâtre, t. I, pág. 978.
(41) THOMAS MERTON, Aux sources du silence, Desclée de Brouwer, 195 3:.
(42) Silence Cartusien, Roma, Benedettine, di Priscilla, 1951, pág. 23. Voix Cartusienne, 1953; Harmonie Cartusienne, 1954. Nunca se recomendará exageradamente a leitura meditada destas páginas que nos parecem merecer o primeiro dos primeiros lugares entre a produção contemporânea da literatura espiritual.
(43) Texto citado na obra do Pe. Philippon, A doutrina espiritual de Soror Elitabeth da Trindade.

Pierre Blanchard

Fonte: Jacob e o Anjo, Editorial Aster, Lisboa, 1959.
Link:
Tradução: Henrique Barrilaro Ruas

Fonte: Quadrante

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