O Rosário: como rezá-lo bem (II)

Por Pe. Francisco Faus

O sentido profundo do Rosário (segunda parte)

II. Diálogo com Nossa Senhora

Em várias das anteriores meditações, recordamos que “orar é falar com Deus”. Rezar o Rosário, então, é “falar com Deus e Maria”, ou, melhor, “orar a Deus juntamente com Maria”, nossa Mãe e Intercessora: «Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores…»

Como podemos fazer das Ave-Marias um verdadeiro diálogo filial com a Mãe?

1) Já comentávamos antes – em “Como rezar bem o Rosário (I) -, que quando nos concentramos especialmente na “contemplação” dos Mistérios, pode acontecer que as Ave-Marias saiam um pouco distraídas. Dizíamos que não importa: na realidade elas ficam sendo uma bela música de fundo em honra da Nossa Senhora. São Josemaria tinha uma comparação muito bonita para explicar isso. Evocava aquelas épocas antigas, românticas, em que os namorados ficavam fazendo serenata, com o viola ou o bandolim, em baixo da janela da namorada. Cantavam, repetiam as canções, e mesmo que por um tempo longo se distraíssem do sentido das palavras que pronunciavam, a sua serenata continuava sendo um ato de carinho sincero, que a namorada agradecia emocionada. Assim faz Maria conosco.

2) Muitas vezes, porém, depois da breve “contemplação” do Mistério, nos esforçaremos por rezar bem as Ave-Marias (e também o Pai-nosso e o Glória), prestando a maior atenção possível às palavras que recitamos, sem por isso fazer do Terço uma oração longuíssima, interminável. Há várias maneiras de consegui-lo. Vou sugerir-lhe algumas (sempre ressalvando que cada qual deve agir com toda a liberdade e fazendo o que Deus lhe inspirar):

a) Ajuda muito escolher uma ou duas palavras da oração, e rezá-las dando-lhes uma ênfase especial, até mesmo em voz mais alta, se estivermos sozinhos. Por exemplo:

? «Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é covosco». A São Josemaria, essa frase lembrava-lhe que a alma de Maria estava cheia do Espírito Santo, que “estava com Ela”.

? Ou: «Bendito o fruto do vosso ventre Jesus». João Paulo II diz que o nome de Jesus é «o baricentro da Ave-Maria», e comenta: «Ora, é precisamente pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário».

? Ou: «Santa Maria, Mãe»… Carregar a atenção e a ênfase na palavra “Mãe” pode ajudar-nos a manter a atenção e a ter o coração desperto.

? Ou: «Rogai por nós pecadores». Frisar especialmente a palavra “pecadores” ajuda-nos a ser humildes e a sentir mais a necessidade do amparo da Mãe.

b) Por outro lado, o Rosário é «arma poderosa» para pedir, para «suplicar a Cristo com Maria», que é «onipotente por graça» (João Paulo II). Vejamos possíveis maneiras de viver esse espírito de súplica, ao rezarmos o Terço:

? Oferecer o Terço inteiro por uma intenção (por exemplo, pela alma de um parente ou amigo falecido, pela próxima viagem pastoral do Papa, por um recém-nascido, para dar graças pelos benefícios recebidos, etc.);

? Oferecer cada Mistério por uma intenção: Por exemplo: «Primeiro Mistério da Luz» – pela saúde de tal filho. Segundo Mistério da Luz: «Pelo sucesso do meu irmão num concurso». Terceiro Mistério da Luz: «Pela conversão de Tal pessoa»…, e assim em cada Mistério, quer mantendo intenções fixas, habituais, quer intenções que vão variando dia a dia conforme as necessidades.

? O fato de colocar intenções ajuda a prestar mais atenção à Ave-Maria, especialmente às palavras «rogai por nós». Pode-se inclusive ir mais longe neste sentido, e até mesmo colocar intenções em cada Ave-Maria. Nada impede “ampliar” um pouco a Ave-Maria e rezar assim: «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por… (Fulano, pela paz, por minha mãe, etc.) e por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.».

c) Embora, em geral, não seja costume entre nós, há certos países ou regiões em que – como lembram Paulo VI e João Paulo II -, é frequente acrescentarem ao nome de Jesus, em cada Ave-Maria, uma alusão ao Mistério concreto que se contempla (inclusive em voz alta, quando rezam vários). Por exemplo: «… o fruto do vosso ventre, Jesus, que deu a vida por nós na Cruz » (quinto Mistério da Dor); ou «…do vosso ventre, Jesus, que ressuscitou e vive junto de nós» (primeiro mistério da Glória), etc.

Concluindo: O Rosário é um “tesouro escondido”. Vale a pena que você o “descubra” e se entusiasme cada vez mais com ele. E, para isso, convirá que se empenhe:

1º) Em rezar o Terço, se possível, todos os dias; ou, pelo menos, comece a rezá-lo uma vez por semana, de preferência aos sábados, dia dedicado a Nossa Senhora;

2º) Em aproveitar a riqueza de delicadezas e meios práticos – os que comentamos aqui, e outros que Deus lhe inspirará -, que fazem da recitação do Terço uma oração viva, saborosa e eficacíssima, muito grata a Maria Santíssima.

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