Mariolatria – é possível amar Maria demais?

Reprodução

Considera-se culto de latria o amor absoluto que se deve ao Ser Absoluto, de modo que nenhum outro amor rivalize contra esse. É um dever natural e não se proclame justo quem não dá louas ao Ser Absoluto, Criador e Providente. Com efeito, há cultos de latria, estritamente, onde se reconhece um Absoluto. Portanto, como o diferencial é que o homem reconheça um Absoluto e a ele preste culto, pode acontecer de se eleger mal o ente amado e se oferecer este amor de latria a entes incompetentes desse amor. Por exemplo, é possível adorar a saúde, um bem necessário, mas nunca absoluto; é possível adorar o marido ou a esposa, ou os filhos, todos objetos dignos de serem amados, mas nunca com amor de latria. Enfim, pode-se até amar o sucesso e o dinheiro, como fizeram os nossos irmãos mais velhos, os judeus, no tempo de Moisés com o bezerro de ouro; ou certas denominações cristãs atuias, no caso da teologia da prosperidade. Deste modo, é possível “adorar” entes intra-mundanos, como o poder, o dinheiro (ouro e prata) ou a carreira. Esse tipo de adoração, contudo, é tão contrária à razão, que os que a praticam são chamados tolos. A Sagrada Escritura não os chama de descrentes, nem de injustos, pois eventualmente eles podem ser justos e crentes. Chama-lhes insensatos, pois não pensam em quem depositam sua segurança (cf. Lc 12,20).

De modo análogo, como todos os objetos – até mesmo os bons, como a honra e a inteligência – podem ser postos em situação de adoração incompatível com sua dignidade, também Nossa Senhora pode ser amada com um amor incompatível.  Pois bem, o amor que se presta ao objeto amado deve ser proporcional ao valor que o objeto possui em si mesmo. Com efeito, o amor que se deve à Maria, pelo bem que sua adesão à Vontade de Deus proporcionou à humanidade, dificilmente será superdimensionado. Por isso, todo amor que o homem puder devotar à Maria, por causa dos méritos que alcançou diante de Deus, jamais superará o valor que seus méritos merecem.

Por estes motivos, é impossível a Mariolatria, com a única condição de se ter clara a razão deste culto:  a Maternidade Divina. Deve-se notar que – individualmente – qualquer católico pode recair em cultos de idolatria a falsos deuses: assim foi com Israel no passado; assim pode ser conosco hoje em dia. Basta que se ame mais a um objeto que a Deus. O próprio Senhor adverte que quem ama mais os pais que a Ele não é digno dele. Ora, amar mais aos pais que a Jesus é idolatria. Quanto à doutrina, nunca será possível acusar o catolicismo de idolatria pois todos os louvores e honras que se prestam à Virgem Santíssima, todas as merecidas festas realizadas em seu nome, tudo está em vista dos méritos que seu “Fiat” alcançou ao homem. Além disso, é sinal de obediência à Palavra de Deus louvar seu nome pois dela nasceu a Salvação: “todas as gerações me chamarão Bem-aventurada” (Lc 1,48). Proclamá-la bem-aventurada e reconhecê-la acima de qualquer outra mulher é a mais simples obediência ao Evangelho!

Fonte: Humanitatis

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s