Celebrações da memória facultativa de S. Jorge

 

Texto da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Celebrações da memória facultativa de São Jorge durante o Sábado Santo

                     23 de abril de 2011 –

1. A Igreja existe a partir de Jesus Cristo. Em cada gesto que realiza, seja rezando, seja no convívio fraterno, na prática da caridade ou no culto aos santos, o centro de sua vida é sempre o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Este mistério é celebrado incessantemente, ocorrendo, no entanto, dias de especial celebração. Conforme antiga tradição, a data mais importante para os cristãos é a Páscoa. Todas as demais festividades ficam a ela subordinadas.
2. Também conforme antiga tradição, a indicação da data da Páscoa é móvel, pois obedece ao calendário lunar. Dependendo do dia em que a mesma é celebrada, pode ocorrer a coincidência com outras festas que, embora ligadas ao mistério de Jesus Cristo, deixam de ser celebradas porque a Ele se remetem indiretamente. É isto que ocorreu este ano, ao se juntarem, no mesmo dia, a grande Solenidade Pascal, maior de todas as festas, com a memória facultativa do mártir São Jorge. Na hierarquia das celebrações, as solenidades ocupam o lugar mais alto e as memórias facultativas, como o próprio nome indica, podem deixar de ser celebradas.
3. Em geral, as memórias facultativas ligam-se a tradições locais, ao carinho com um santo ou santa. São Jorge, por exemplo, recebe o carinho, isto é, a devoção em várias partes do mundo. No Rio de Janeiro, existem algumas igrejas que levam seu nome e mesmo outras que, não lhe sendo diretamente dedicadas, celebram a memória facultativa de São Jorge.
4. Como, pois, integrar corretamente a celebração do grande Dia do Senhor com a memória facultativa de São Jorge? Reconhecendo que, na variedade dos locais, cada um tem seu jeito próprio de o fazer, a Arquidiocese do Rio de Janeiro, após ouvir os padres que mais diretamente se envolvem nas festividades de São Jorge, o Conselho Presbiteral, os Vigários Episcopais e outras instâncias do governo arquidiocesano, determina o que segue:
4.1 O Sábado Santo é um dia de oração e reflexão pessoal acerca da pessoa e a mensagem de Jesus Cristo. Não deve ser considerado apenas como um grande feriado para atividades de lazer, que, embora humanamente válidas, não esgotam a beleza do ser humano, que é também chamado à prece e ao recolhimento.
4.2 Para tanto, as igrejas diretamente dedicadas a São Jorge e aquelas que historicamente celebram sua memória poderão permanecer abertas no dia 23 de abril, propiciando aos fiéis a oração pessoal e comunitária. Para as orações comunitárias, a Arquidiocese do Rio de Janeiro preparou texto litúrgico específico e insubstituível.
4.3 Sob justificativa alguma, celebrar-se-ão missas. A única celebração será a grande Vigília Pascal, que só poderá ser celebrada a partir do por do sol, no próximo dia 23 de abril, previsto, de acordo com os órgãos oficiais, para as 17:33.
4.4 Do mesmo modo, procissões e outras manifestações públicas, tais como barracas, alvoradas, queima de fogos e similares, não poderão ocorrer no dia 23 de abril, Sábado Santo, antes da Vigília Pascal. A manutenção do ambiente de oração e recolhimento onera diretamente a consciência dos responsáveis, clérigos ou leigos.
4.5 Os atos públicos, solenes e festivos, só poderão ocorrer após a Vigília Pascal, seja na noite do dia 23, seja ao longo do dia 24, Domingo da Páscoa.
4.6 Em todas as celebrações, seja Cristo Senhor o centro. As celebrações pascais adquirem prioridade absoluta. As referências a São Jorge devem ser feitas à luz do mistério da ressurreição.
5. Todos os cristãos são, portanto, convocados a darem, com São Jorge e com todos os demais santos e santas, firme testemunho de amor a Cristo Ressuscitado, celebrando condignamente os mistérios pascais. Os santos são cristãos que, em suas épocas, viveram radicalmente a fidelidade a Jesus Cristo. Serão eles os primeiros a não aceitarem ocupar posição mais importante que as celebrações pascais.

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