A Paz de Cristo

 

São Cipriano: «O Espírito Santo nos faz esta advertência: “busca a paz e vai ao seu encalço” (Sal 33,15). O filho da paz tem que procurar e perseguir a paz. Aquele que ama e conhece o vínculo da caridade tem que guardar sua língua do mal da discórdia. Entre suas prescrições divinas e seus mandamentos de salvação, o Senhor, à véspera de sua paixão, acrescentou o seguinte: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz.” (Jo 14,27). Esta é a herança que nos legou: todos os seus dons, todas as recompensas que nos prometeu tendem à conservação da paz que nos promete. Se somos os herdeiros de Cristo, permaneçamos na paz de Cristo. Se somos filhos de Deus temos que ser pacíficos: “Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!” (Mt 5,9). Os filhos de Deus são pacíficos, humildes de coração, simples em suas palavras, concordam entre si pelo afeto sincero, unidos fielmente pelos laços da unanimidade».

São Cirilo: «Tenhamos vergonha de prescindir da saudação da paz que o Senhor nos deixou quando ia sair do mundo. A paz é um dom e uma coisa doce, que sabemos provir de Deus, segundo o que o Apóstolo diz aos Filipenses: “A paz de Deus” (Flp 4,7), e “Deus da Paz” (2Cor 13,11). Pois Deus mesmo é a Paz, já que “Ele é nossa paz” (Ef 2,14). A paz é um bem recomendado a todos, mas observado por poucos. Qual é a causa disso? Talvez o desejo do domínio, ou a ambição, ou a inveja, ou a intolerância ao próximo, ou o desprezo, ou alguma outra coisa que vemos a cada passo que damos naqueles que desconhecem o Senhor. A paz procede de Deus, que é quem tudo une. Deus, cujo ser é unidade de sua natureza e de seu estado pacífico. Ele a transmite aos anjos e às potestades do céu, que estão em constante paz com o Senhor e consigo mesmos. Também se estende por todas as criaturas que desejam a paz. Em nós subsiste, segundo o espírito de cada um, por meio da busca e exercício das virtudes, e segundo o corpo, no equilíbrio dos membros e dos elementos de que se forma. O primeiro se chama beleza, o segundo saúde».

São Gregório Magno: «Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Só este discípulo estava ausente e, ao voltar e escutar o que tinha acontecido, não quis acreditar no que lhe contavam. Apresenta-se de novo o Senhor e oferece ao discípulo incrédulo seu flanco para que o apalpe, mostra-lhe suas mãos e, mostrando-lhe a cicatriz de suas feridas, cura a ferida de sua incredulidade. O que é, irmãos muito amados, o que revelam nestes fatos? Acaso vocês creem que esse fatos aconteceram por coincidência: que aquele discípulo eleito primeiro estivesse ausente, que assim que veio, ouvisse, que para ouvir duvidasse, que ao duvidar apalpasse, que ao apalpar acreditasse?

»Tudo isto não aconteceu ao acaso, mas sim por disposição divina. A bondade de Deus atuou neste caso de um modo admirável, já que aquele discípulo que tinha duvidado, ao apalpar as feridas do corpo de seu mestre, curou as feridas de nossa incredulidade. Mais proveitosa foi para nossa fé a incredulidade de Tomé do que a fé dos outros discípulos, já que, ao ser ele induzido a acreditar pelo fato de ter apalpado, nossa mente, livre de toda dúvida, é confirmada na fé. Deste modo, com efeito, aquele discípulo que duvidou e que apalpou se converteu em testemunha da realidade da ressurreição.

»Apalpou e exclamou: “Meu senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Creste, porque me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!” Por isso Apóstolo Paulo diz: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê" (Hb 11,1). É evidente que a fé é a plena convicção daquelas realidades que não podemos ver, porque as que vemos já não são objeto de fé, mas sim de conhecimento. Por conseguinte, se Tomé viu e apalpou, como é que lhe diz o Senhor: Não acreditaste senão depois de me haver visto? É que o que acreditou superava o que viu. Com efeito, um homem mortal não pode ver a divindade. Por isso o que ele viu foi a humanidade de Jesus, mas confessou sua divindade ao dizer: meu senhor e meu Deus! Ele, pois, acreditou com tudo o que viu, já que, tendo diante de seus olhos um homem verdadeiro, proclamou-o Deus, coisa que escapava a seu olhar.

»E é para nós motivo de alegria o que vem a seguir: Felizes aqueles que creem sem ter visto! Nesta sentença o Senhor nos designa especialmente, nós que O guardamos em nossa mente sem vê-lO corporalmente. Designa-nos, com o intuito de que as obras acompanhem nossa fé, porque quem crê de verdade age segundo sua fé. Pelo contrário, com relação àqueles que acreditam só de boca, diz Paulo: "Proclamam que conhecem a Deus, mas na prática o renegam, detestáveis que são, rebeldes e incapazes de qualquer boa obra" (Tt 1,16). E São Tiago diz: "A fé: se não tiver obras, é morta em si mesma". (Tg 2,17)».

Fonte: Estudo Bíblico do Movimento de Vida Cristã, 2º Dom. de Páscoa, ano B.

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