Estudo Bíblico: Ascensão do Senhor

 

"O Senhor foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus.”

I. A PALAVRA DE DEUS
II. APONTAMENTOS
III. LUZES PARA A VIDA CRISTÃ
IV. PADRES DA IGREJA
V. CATECISMO DA IGREJA
VI. PALAVRAS DE LUIS FERNANDO

I. A PALAVRA DE DEUS
At 1, 1-11: “Viram-no elevar-se”

No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei as obras e os ensinamentos de Jesus, desde o princípio até ao dia em que, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera, foi arrebatado ao Céu. A eles também apareceu vivo depois da sua paixão e deu-lhes disso numerosas provas com as suas aparições, durante quarenta dias, e falando-lhes também a respeito do Reino de Deus.

No decurso de uma refeição que partilhava com eles, ordenou-lhes:

— Não se afastassem de Jerusalém, mas esperem lá o Prometido do Pai, do qual me ouvistes falar. «João batizava em água, mas, dentro de pouco tempo, vós sereis batizados no Espírito Santo.»

Estavam todos reunidos, quando lhe perguntaram: «Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?»
Respondeu-lhes:
— «Não vos compete saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a sua autoridade. Mas ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo.»
Dito isto, elevou-se à vista deles e uma nuvem subtraiu-o a seus olhos. E como estavam com os olhos fixos no céu, para onde Jesus se afastava, surgiram de repente dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: «Homens da Galileia, porque estais assim a olhar para o céu? Esse Jesus que vos foi arrebatado para o Céu virá da mesma maneira, como agora o vistes partir para o Céu.»
Sal 46, 2-3.6-7.8-9: “Subiu Deus por entre aclamações, o Senhor, ao som das trombetas.”
Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é temível;
Ele é o grande rei de toda a terra.
Subiu Deus por entre aclamações,
o Senhor, ao som das trombetas.
Cantai à glória de Deus, cantai;
cantai à glória de nosso rei, cantai.
Porque Deus é o rei do universo;
entoai-lhe, pois, um hino!
Deus reina sobre as nações,
Deus está em seu trono sagrado.
Ef 1, 17-23: “Sentou-o à sua direita, no alto do Céu”
Irmãos:

Que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê o Espírito de sabedoria e vo-lo revele, para o conhecerdes; sejam iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes que esperança nos vem do seu chamamento, que riqueza de glória contém a herança que Ele nos reserva entre os santos e como é extraordinariamente grande o seu poder para conosco, os crentes, de acordo com a eficácia da sua força poderosa, que eficazmente exerceu em Cristo: ressuscitou-o dos mortos e sentou-o à sua direita, no alto do Céu, muito acima de todo o Poder, Principado, Autoridade, Potestade e Dominação e de qualquer outro nome que seja nomeado, não só neste mundo, mas também no que há de vir.

Sim, Ele tudo submeteu a seus pés e deu-o, como cabeça que tudo domina, à Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude daquele que tudo preenche em todos.

Mc 16, 15-20: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura”
Naquele tempo, Jesus apareceu aos  Onze e disse-lhes:
—«Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura.
Quem acreditar e for batizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado.

Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: em meu nome expulsarão demônios, falarão línguas novas, apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados.»

Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus.

Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam.

II. APONTAMENTOS

Antes de subir ao Céu o Senhor Ressuscitado manda que seus Apóstolos permaneçam em Jerusalém para aguardar o Dom do Espírito, prometido pelo Pai. Por Ele receberão «a força do Espírito Santo que descenderá sobre vocês» para serem suas testemunhas «em Jerusalém, em toda Judeia, na Samaria, e até os confins do mundo» (1ª. leitura). A reconciliação obtida pelo Senhor Jesus já não é somente para os filhos de Israel, mas tem um alcance universal: é para todos os homens, de todos os tempos e culturas.

O mandato explícito e a missão de ir ao mundo inteiro proclamando o Evangelho a todas as nações é uma tarefa que os discípulos não poderão realizar só com suas forças. Para isso necessitarão a força e o impulso do Espírito divino. O Espírito do Senhor é que acende nos corações o fogo do amor divino e os lança ao anúncio audaz, decidido, valente. A evangelização, nesse sentido, tem como protagonista o Espírito Santo que atua naqueles que humilde e decididamente cooperam com Ele, emprestando-lhe suas mentes, seus corações e seus lábios. Com esta força que vem de Deus, os Apóstolos poderão tocar outros corações e acender neles o fogo do amor divino. O Espírito Santo anima e conduz a Igreja na tarefa evangelizadora ao longo dos séculos, até que o Senhor volte em sua glória.

Na Ascensão contemplamos o Senhor ressuscitado que vitoriosamente sobe ao Céu. Mas, quem sobe ao Céu, senão Aquele que antes baixou do Céu? O mistério da Ascensão é o ápice de um processo que se inicia com o “abaixamento” do Filho de Deus, mediante a encarnação do Verbo eterno. O Filho de Deus “se abaixou” ao assumir nossa natureza humana, e se “abaixou” até a morte na Cruz. Este abaixamento é descrito pelo termo grego “kenosis”. Logo depois de ser glorificado na Cruz, o Senhor com sua Ressurreição inicia um processo de ascensão, de elevação (ver Flp 2,6 -11), mediante o qual eleva todo ser humano novamente à condição divina mediante a participação nos mistérios de sua Morte e Ressurreição.

Assim, pois, todos os mistérios do Verbo encarnado no ventre puríssimo da Virgem Maria por obra do Espírito Santo, estão unidos entre si, da kenosis ou abaixamento da Encarnação, passando pelos acontecimentos dramáticos da Sexta-feira Santa, até o júbilo do Primeiro Dia da Semana, a Páscoa do Senhor, a Ressurreição e finalmente a Ascensão.

A Ascensão, pela qual o Senhor «deixa o mundo e volta ao Pai» (ver Jo 16, 28), integra-se no mistério da Encarnação e é seu momento conclusivo. A Ascensão ao Céu constitui o fim da peregrinação do Verbo Encarnado neste mundo. A presença visível do Senhor Jesus «termina com a entrada irreversível de sua humanidade na glória divina simbolizada pela nuvem e pelo Céu» (Catecismo da Igreja Católica, 659).

Ao subir aos Céus o Senhor Ressuscitado leva consigo uma multidão de redimidos. Por isso a Ascensão é uma festa de esperança para toda a humanidade. Celebrar a Ascensão do Senhor ressuscitado é confessar que Ele é verdadeiramente o Caminho, a Verdade e a Vida que conduzem ao Pai (ver Jo 14, 6), é repetir com o coração alegre que realmente vale a pena ser homem pois Deus, fazendo-se homem, reconciliando-nos por sua morte na Cruz, ressuscitando ao terceiro dia e realizando uma nova Criação mediante o dom de seu Espírito, abriu-nos, por sua Ascensão, o caminho ascensional que conduz à plena realização humana, na participação da Comunhão Divina de Amor.

Eis aí a esperança à qual todo ser humano foi chamado por Deus, a riqueza da glória que outorga em herança aos Santos (2ª. leitura). O Senhor Jesus, como primícia, como Cabeça da Igreja cujos membros somos nós, subiu à direita do Pai para nos preparar um lugar (ver Jo 14, 2-3). Para onde o Senhor Ressuscitado ascendeu, dirige-se também todo aquele que faz de Cristo seu Caminho, a Verdade que ilumina seus passos, a Vida da qual se nutre e que ao mesmo tempo é a meta final de seu peregrinar terreno (ver Jo 5, 24; 6, 40).

Logo depois de sua Ascensão os Apóstolos voltaram para Jerusalém à espera do acontecimento anunciado e prometido. No Cenáculo, unidos em comum oração em torno de Maria, a Mãe de Jesus (ver At 1, 13-14), os discípulos preparam seus corações aguardando a Promessa do Pai.

Nos Atos dos Apóstolos São Lucas relata a vida e ação evangelizadora da Igreja primitiva a partir da Ascensão. Este acontecimento, junto com o dom do Espírito Santo no dia de Pentecostes, marca o início do desdobramento da missão evangelizadora da Igreja. São Paulo é chamado pelo Senhor a somar-se àqueles Apóstolos que cumprem fielmente a missão confiada a eles pelo Senhor. O “Apóstolo dos Gentios” escreve aos efésios sobre Aquele a quem o Pai, logo depois de ressuscitá-lO de entre os mortos, sentou a sua mão direita nos Céus», submetendo todas as coisas sob seus pés e constituindo-O «Cabeça suprema da Igreja, que é seu Corpo» (2ª. leitura).

III. LUZES PARA A VIDA CRISTÃ

Contemplamos a Cristo, o Senhor ressuscitado, que vitoriosamente sobe ao Céu. Ao contemplá-lo nossos olhos se dirigem com firme esperança para esse destino glorioso que Deus por e em seu Filho nos prometeu também a cada um de nós: a participação na vida divina, na comunhão de Deus-Amor, por toda a eternidade (ver 2Pe 1, 4; Ef 1, 17ss).

Mas ao contemplar nosso destino glorioso não podemos menosprezar nossa condição de viadores#. Enquanto estivermos neste mundo, há caminho a percorrer. Portanto, tampouco nós podemos ficar  «aqui parados olhando ao céu» (At 1, 11), mas sim temos que “descer o monte” e “voltar para a cidade” (ver At 1, 12), voltar para a vida cotidiana com todos seus afazeres, com toda a carga de preocupações diárias às vezes pesada. Entretanto, embora submersos novamente nas diversas atividades e preocupações de cada dia, tampouco podemos perder de vista nosso destino eterno, não podemos deixar de dirigir nosso olhar interior para o Céu.

Assim temos que viver dia a dia este dinamismo: sem deixar de olhar sempre para onde Cristo está glorioso, com a esperança firme e o ardente desejo de poder participar um dia de sua própria glória junto com todos os Santos, temos que viver intensamente a vida cotidiana como Cristo nos ensinou. Devemos procurar, em cada momento, impregnar com a força do Evangelho nossas próprias atitudes, pensamentos, opções e modos de vida, assim como as diversas realidades humanas que nos rodeiam.

A “aspiração às coisas do alto” (ver Cl 3, 2), o desejo de participar da mesma glória de Cristo, longe de nos deixar inativos frente às realidades temporárias nos compromete a trabalhar intensamente para transformá-las segundo o Evangelho.

Sem deixar de olhar ao Céu, devemos agir! Há muito por fazer! Há muito que mudar, em mim mesmo e a meu redor! Muitos dependem de mim! É todo um mundo que deve ser transformado desde seus alicerces! E o Senhor nos promete a força de seu Espírito para que sejamos hoje seus apóstolos anunciando seu Evangelho oportuna e importunamente. Um pequeno exército de Santos que com a força de seu Amor trabalhemos incansavelmente por mudar o mundo inteiro, para fazê-lo mais humano, mais fraterno, mais reconciliado, segundo o Evangelho do Jesus Cristo e com a força de sua graça, sem a qual nada podemos.

IV. PADRES DA IGREJA

São Leão Magno: «Assim como na solenidade da Páscoa a Ressurreição do Senhor foi para nós causa de alegria, assim também agora sua Ascensão ao céu nos é um novo motivo de felicidade, ao recordar e celebrar liturgicamente o dia em que a pequenez de nossa natureza foi elevada, em Cristo, acima de todos os exércitos celestiais, de todas as categorias de anjos, de toda a sublimidade das potestades, até compartilhar o trono de Deus Pai».

São Gregório de Nisa: «Cristo, o primogênito de entre os mortos, que com sua ressurreição destruiu a morte, que mediante a reconciliação e o sopro de seu Espírito fez de nós novas criaturas, diz hoje: Subo a meu Pai e a seu Pai, a meu Deus e a seu Deus. Oh mensagem cheia de felicidade e de formosura! Ele, que por nós se fez homem, sendo o Filho único, quer nos fazer seus irmãos e, para isso, faz chegar até o Pai verdadeiro sua própria humanidade, levando nela consigo a todos os de sua mesma raça».

São Cirilo da Alexandria: «O Senhor sabia que muitas de suas moradas já estavam preparadas e esperavam a chegada dos amigos de Deus. Por isso, dá outro motivo para sua partida: preparar o caminho para nossa ascensão para estes lugares do Céu, abrindo o caminho, que antes era intransitável para nós. Porque o Céu estava fechado aos homens e nenhum ser criado tinha penetrado nunca neste domínio santíssimo dos anjos. É Cristo quem inaugura para nós este caminho para as alturas. Oferecendo-se Ele mesmo a Deus Pai como primícia dos que dormem o sono da morte, permite à carne mortal subir ao céu. Ele foi o primeiro homem a penetrar nas moradas celestiais… Assim, pois, Nosso Senhor Jesus Cristo inaugura para nós este caminho novo e vivo: “inaugurou para nós um caminho novo e vivo através do véu de sua carne” (Heb 10, 20)».

São Gregório Magno: «O Senhor arrastou cativos quando subiu aos céus, porque com seu poder mudou nossa corrupção em incorrupção. Repartiu seus dons, porque enviando de cima o Espírito Santo, a uns deu palavras de sabedoria, a outros de ciência, a outros a graça dos milagres, a outros a de curar, a outros a de interpretar. Assim que Nosso Senhor subiu aos céus, sua Santa Igreja desafiou o mundo e, confortada com sua Ascensão, pregou abertamente o que acreditava às ocultas».

V. CATECISMO DA IGREJA
«Jesus Cristo subiu aos Céus, e está sentado à direita de Deus, Pai todo-poderoso»

659. «Então, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus» (Mc 16, 19). O corpo de Cristo foi glorificado desde o momento da sua ressurreição, como o provam as propriedades novas e sobrenaturais de que, a partir de então, ele goza permanentemente. Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com os discípulos e instruí-los sobre o Reino, a sua glória fica ainda velada sob as aparências duma humanidade normal. A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível da sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem e pelo céu. onde a partir de então, está sentado à direita de Deus. Só de modo absolutamente excepcional e único é que Se mostrará a Paulo, «como a um aborto» (1 Cor 15, 8), numa última aparição que o constitui Apóstolo.

661. Esta última etapa continua intimamente unida à primeira, isto é, à descida do céu realizada na Encarnação. Só Aquele que «saiu do Pai» pode «voltar para o Pai»: Cristo. «Ninguém subiu ao céu senão Aquele que desceu do céu: o Filho do Homem» (Jo 3, 13). Abandonada às suas forças naturais, a humanidade não tem acesso à «Casa do Pai», à vida e à felicidade de Deus. Só Cristo Pode abrir ao homem este acesso: «subindo aos céus, como nossa cabeça e primogênito, deu-nos a esperança de irmos um dia ao seu encontro, como membros do seu corpo».

662. «E Eu, uma vez elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32). A elevação na cruz significa e anuncia a elevação da ascensão aos céus. É o princípio dela, Jesus Cristo, o único sacerdote da nova e eterna Aliança, «não entrou num santuário feito por homens […]. Entrou no próprio céu, a fim de agora se apresentar diante de Deus em nosso favor» (Heb 9, 24). Nos céus, Cristo exerce permanentemente o seu sacerdócio, «sempre vivo para interceder a favor daqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus» (Heb 7, 25). Como «sumo sacerdote dos bens futuros» (Heb 9, 11), Ele é o centro e o ator principal da liturgia que honra o Pai que está nos céus.

663. Doravante, Cristo está sentado à direita do Pai: «Por direita do Pai entendemos a glória e a honra da divindade, em cujo seio Aquele que, antes de todos os séculos, existia como Filho de Deus, como Deus e consubstancial ao Pai, tomou assento corporalmente desde que encarnou e o seu corpo foi glorificado».

664. Sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino messiânico, cumprimento da visão do profeta Daniel a respeito do Filho do Homem: «Foi-Lhe entregue o domínio, a majestade e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu domínio é um domínio eterno, que não passará jamais, e a sua realeza não será destruída» (Dn 7, 14). A partir deste momento, os Apóstolos tornaram-se as testemunhas do «Reino que não terá fim».

668. «Cristo morreu e voltou à vida para ser Senhor dos mortos e dos vivos» (Rm 14, 9). A ascensão de Cristo aos céus significa a sua participação, na sua humanidade, no poder e autoridade do próprio Deus. Jesus Cristo é Senhor: Ele possui todo o poder nos céus e na Terra. Está «acima de todo o principado, poder, virtude e soberania», porque o Pai «tudo submeteu a seus pés»(Ef 1, 20-22). Cristo é o Senhor do cosmos e da história, NEle, a história do homem, e até a criação inteira, encon tram a sua «recapitulação», o seu acabamento transcendente.

O mandato missionário

849. «Enviada por Deus às nações, para ser o sacramento universal da salvação, a Igreja, em virtude das exigências íntimas da sua própria catolicidade e em obediência ao mandamento do seu fundador, procura incansavelmente anunciar o Evangelho a todos os homens» (AG, 1). «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 19-20).

A origem e o fim da missão.

850. O mandato missionário do Senhor tem a sua fonte primeira no amor eterno da Santíssima Trindade: «Por sua natureza, a Igreja peregrina é missionária, visto ter a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo». E o fim último da missão consiste em fazer todos os homens participantes na comunhão existente entre o Pai e o Filho, no Espírito de amor.

VI. PALAVRAS DE LUIS FERNANDO (conforme textos publicados)

«A Anunciação-Encarnação do Verbo Eterno de Deus no ventre Imaculado da sempre Virgem Maria, e sua consequência — os mistérios de sua Vida, Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão —, arrancam-nos de uma perspectiva que poderia colorir-se de pessimismo para nos situar em um horizonte pascal pleno de esperança. Nesse horizonte, pela força da graça, que nos chama à cooperação, aderimo-nos vitalmente ao Senhor Jesus em um dinamismo ascensional que transforma o sentido do obrar e nos conduz à vida plena».

«A nova criação no Senhor Jesus — que nos faz homens novos pelo dinamismo kenótico, que alcança seu momento sacrificial na Cruz, e o ascensional, cuja realização culminante se dá na Ressurreição e Ascensão — ao nos reconciliar com o Pai, tal como na primeira criação, abre novamente o horizonte de amizade, de comunhão. Trata-se de uma realidade concreta, efetiva, mas que convida livremente à participação do ser humano em seus dons. Termos sido marcados com a Vida de Cristo pelo sacramento do Batismo, que realiza o que significa, não é uma garantia de que nos dias e anos deste peregrinar terreno vamos responder às graças de amor que o Espírito Santo derrama abundantemente em nossos corações. Viver a dinâmica da reconciliação supõe uma vontade que se adira ao Plano de Deus e a seu dinamismo reconciliador com a força da graça, com fortaleza e firmeza ».

«A consciência missionária está fortemente presente nos escritos do Novo Testamento. Acima de tudo a missão do Filho ocupa um lugar super central no anúncio apostólico. “Mas, ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher”, para restaurar o vínculo quebrado, redimir a humanidade e realizar o dom da adoção filial. “Com efeito, quando ainda estávamos fracos, no tempo marcado, Cristo morreu pelos ímpios; na verdade, alguém aceitaria morrer por um justo; por um homem de bem talvez alguém se atrevesse a morrer; mas a prova de que Deus nos ama é que Cristo, sendo nós ainda pecadores, morreu por nós. Com mais razão ainda, nós, justificados agora por seu sangue, seremos por ele salvos da cólera! Se quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida!”.

»Prolongando essa missão através da história, aparece a Igreja, em Maria, nos Apóstolos, nos discípulos, nos seguidores do Senhor Jesus. A Epístola aos Hebreus diz: “Meus santos irmãos e companheiros da vocação celestial, considerai atentamente a Jesus, o Apóstolo e Sumo sacerdote da nossa profissão de fé” (Hb 3,1). O chamado à fidelidade onde aparece esta passagem faz referência à consequência do chamado celestial de confessar e anunciar a fé no Apóstolo e Sumo Sacerdote por excelência: Jesus, o Senhor. O sentido missionário da existência cristã fica belamente explicado no relato sobre a Ascensão, quando o Senhor Jesus revela a missão daqueles que teriam que receber a força do Espírito Santo: “serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os limites da terra”. O anúncio evangélico está ligado ao chamado a ser cristão como se vê na história da Igreja desde o começo. A vida apostólica de São Paulo é um exemplo especial disso. Dando testemunho de sua missão ele declara: “E me disse: ‘Vai, porque é para os gentios, para longe, que eu quero enviar-te’”. E em outra ocasião escreve: “Pregar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes, uma necessidade que se me impõe. E ai de mim se não evangelizar!”.

»A Igreja que brota publicamente na Páscoa do Senhor como humanidade nova tem como missão, pela efusão do Espírito sobre os discípulos, servidores responsáveis pela marcha do novo Povo de Deus, dar testemunho da Vida, prolongando sua missão. Em Pentecostes, a grande efusão do Espírito divino inicia a manifestação pública da Igreja, que se produz através dos frutos do dom, pela palavra que gera a fé e pelos sacramentos. O horizonte transcende o antigo povo escolhido para estender-se universalmente no novo Povo de Deus. As conversões de samaritanos e gentios tornam concreta a missão universal do anúncio do Senhor Jesus, O Salvador. Há um novo horizonte produzido pela irrupção do Verbo Eterno na história humana, fazendo-se Filho da Virgem Maria para a reconciliação dos seres humanos, seus irmãos. Este novo horizonte leva à adesão pessoal ao Senhor Jesus e à aceitação de seu Plano. O sentido missionário da existência cristã brota precisamente dessa adesão, do aceitar a vocação de viver o amor e permanecer nele, e de compartilhar essa experiência de graça com todos os irmãos. A generosidade no compartilhar, no comunicar os bens alcança também, e em primeiro lugar, a maior riqueza que se possui: a fé».

 

Fonte: Movimento de Vida Cristã

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