Catequese Bíblica (I): Gênesis

Textos escritos e lidos na Paróquia São Dimas – Padre Miguel, no Rio de Janeiro/RJ.

Caríssimos Irmãos,

Por solicitação e sob a orientação de nosso pároco, iniciamos hoje uma série de catequeses sobre temas essenciais à nossa fé, a serem ministradas sempre ao início de cada missa dominical. O primeiro tema a ser abordado é a Sagrada Escritura. Por isso, convidamos a todos a trazerem as suas Bíblias, a fim de melhor acompanhar a explanação.

A escolha do tema se justifica pelo fato de ser a Escritura o meio pelo qual Deus se revela ao homem por palavras humanas, e porque é nela que “a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus.” (CIC §104). Nas palavras de São Jerônimo, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.

O cânon bíblico (lista dos livros inspirados) compõe-se de 46 livros para o Antigo Testamento, abreviado como AT, e de 27 para o Novo Testamento, abreviado NT.

O Novo Testamento nos apresenta Jesus Cristo, seus atos, ensinamentos, paixão e glorificação, assim como os inícios de Sua Igreja sob a ação do Espírito Santo (CIC §124).

Os livros do AT dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus (CIC §122). Toda a narrativa está ordenada para preparar e aponta para a vinda de Cristo, iniciando com a história da criação (“No princípio”, Gn, 1, 1). Ao proceder à leitura, no entanto, deve-se ter em mente que a Sagrada Escritura não tem a pretensão de fazer um relato científico, exato, mas transmitir uma mensagem de Deus aos homens através de linguagem simbólica.

O AT inicia-se com o Pentateuco (penta = cinco; teuchos = rolo, livro), que são os cinco primeiros livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

A mensagem contida no Gênesis (Gn) – que quer dizer origem – é, basicamente, a seguinte: “o Criador fez o mundo e o homem muito bons, mas o pecado estragou a obra de Deus (Caim, Dilúvio, torre de Babel); por isso Deus separa um homem e sua descendência para serem os depositários (guardiões) da esperança de um Messias Salvador.

O livro do Gênesis compreende duas partes: Gn 1-11 e 12-50. A primeira é chamada “pré-história” bíblica, pois são acontecimentos anteriores à história do povo de Deus, que começa no capítulo 12 com Abraão. Tudo o que precede Gn 12 pretende contextualizar a Aliança, ou seja, explicar porque Deus quis chamar Abraão e fazer-lhe promessas, de forma gratuita e unilateral.

Gn 1-11 relata a criação do universo e do homem, a queda original e suas consequências, e a perversidade crescente, castigada pelo dilúvio. A partir de Noé, a terra se repovoa, e a segunda parte do Gênesis conta a história dos antepassados, mediante os quais Deus vai realizando a preparação do Messias: Abraão, Isaque, Jacó e seus doze filhos, que deram origem às doze tribos de Israel, a história de José.

Abraão é o homem da fé, cuja obediência (em oposição à desobediência dos primeiros pais, Adão e Eva) é recompensada por Deus com uma numerosa descendência, a quem prometeu a Terra Santa (Gn 12,1-25,18).

Jacó é o homem da astúcia, que foi preferido por Deus desde antes de seu nascimento a seu irmão Esaú, de quem roubou a bênção de seu pai Isaque. Deus renova com Jacó, a quem dá o nome de Israel, as promessas da aliança concedida a Abraão (Gn 25,19-36,43).

José é o homem sábio cuja fé e virtude é recompensada pela Providência Divina.

O livro do Gênesis é o princípio da mensagem revelada, apresentando os temas da eleição, da promessa e da aliança, que estarão presentes durante todo o AT. Da leitura aprendemos que Deus escolheu o seu povo, fez-lhe promessas gratuitamente e recompensa aqueles que nEle confiam.

Domingo que vem daremos continuidade a este estudo, abordando o livro do Êxodo. Renovamos o convite para que todos tragam suas Bíblias, a fim de criarmos familiaridade com o seu manuseio. Aqueles que desejarem tomar notas, sintam-se à vontade para fazê-lo.

Os textos das catequeses serão também publicados na internet pela Pastoral da Comunicação (Página da paróquia no Facebook).

Fontes: Catecismo da Igreja Católica; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB.

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