Catequese Bíblica (II): Êxodo

Textos lidos na Paróquia Sâo Dimas, em Padre Miguel, Rio de Janeiro, antes das Missas dominicais.

 

Caríssimos Irmãos,

Hoje daremos continuidade ao nosso estudo catequético da Sagrada Escritura. Mais uma vez, renovamos o convite para que todos tragam suas Bíblias, a fim de acompanhar as citações.

O segundo livro do Pentateuco chama-se Êxodo (Ex), nome que em grego significa “saída”. A mensagem essencial contida no livro pode ser resumida como segue: Deus elegeu seu povo e fez-lhe uma promessa. Tal eleição e promessa são garantidas pela aliança. Comprometendo-se pelas promessas que faz, Deus exige, como única contrapartida, a fidelidade de seu povo. As condições desta fidelidade, estabelecidas pelo próprio Deus, estão na lei que Deus revelou ao seu povo na montanha sagrada, escrevendo-as com o “seu Dedo” (Ex 31,18), e que regula a conduta do povo eleito conforme a Sua vontade. Este, porém, mesmo após ter sido liberto e conduzido por Deus, é-lhe infiel, fazendo para si ídolos e murmurando, a cada dificuldade: “O Senhor está, ou não está, no meio de nós?” (Ex 17,7).

O Gênesis termina com a ida de Jacó com seus filhos para o Egito, onde José era administrador. Com a morte de José (Gn 50) e a subida ao trono de um novo Faraó, que, preocupado com o crescimento da população hebreia (Ex 1,7), passou a oprimi-la com trabalhos forçados e controle de natalidade, o povo clama a Deus, que intervém, levantando, do meio do povo, Moisés, o libertador.

O Êxodo se inicia com a opressão dos israelitas no Egito (Ex 1), narra o nascimento e vocação de Moisés (Ex 2-4), a saída do Egito mediante as dez pragas e a celebração da Páscoa (Ex 7, 8-29,11;13, 17-21), apresenta a aliança e a doação da lei (Ex 19, 1-40,38) e segue até a construção do santuário junto ao monte Sinai, ou seja, até o primeiro dia do segundo ano após a saída do Egito (Ex 40, 2.17).

Ao contrário do Gênesis, que se utiliza de uma linguagem predominantemente simbólica, a narrativa do Êxodo se preocupa em mencionar fatos históricos, que, confrontados com o estudo de documentos arqueológicos, permite aos historiadores situar a saída do povo de Israel do Egito, com grande probabilidade, no período de 1.290 – 1.224 aC, inserido no reinado do faraó Ramsés II, ou no reinado imediatamente posterior. Entretanto, devido à importância do fato para o povo, e a sua incorporação na tradição oral, algumas partes do relato têm um colorido heroico-mítico, como se vê na famosa passagem do Mar Vermelho.

No Êxodo podemos encontrar temas importantes e recorrentes na mensagem bíblica: A lei mantém a aliança e prepara o cumprimento das promessas, numa pedagogia que conduz a Cristo, em quem estas promessas se realizam. O Êxodo é o esboço de nossa redenção.

A figura humana de destaque no livro do Êxodo é Moisés, libertador, portador dos mandamentos e mediador entre Deus e o povo, conduzindo-o rumo à liberdade da Terra Prometida, enquanto ensina os israelitas a viverem na obediência e na confiança em Deus, durante a sua longa permanência no deserto.

Ademais, Moisés é um intercessor capaz de um amor que chega até ao dom total de si mesmo. Reza pelo Faraó quando Deus, com as pragas, procurava converter o coração dos Egípcios (cf. Êx 8–10); intercede pelo povo quando este é infiel (Ex 32, 7-14), e principalmente, vê Deus e fala com Ele «face a face, como alguém que fala com o próprio amigo» (cf. Êx 24, 9-17; 33, 7-23; 34, 1-10.28-35). Quando roga pelo povo, depois da destruição do bezerro de ouro, é possível enxergar nele a prefiguração de Cristo,: «Rogo-te que lhes perdoes agora este pecado! Senão, apaga-me do livro que escreveste» (v. 32), pois toma sobre si os pecados do povo e oferece a si próprio: “apaga-me”.[1]

Por fim, outros pontos de relevo são: a instituição da Páscoa judaica, que prepara a Páscoa cristã e que, a princípio, era uma festa anual de pastores nômades, de origem pré-israelita, para o bem dos rebanhos, em que as primícias eram apresentadas à divindade, e que, posteriormente, tornou-se memorial da saída do Egito (12,11b-14.42), ganhando uma significação inteiramente nova, exprimindo a salvação trazida ao povo por Deus; e o maná, alimento que Deus providencia para o seu povo no deserto (Ex 16,15) e que mais tarde é reconhecido como a figura da Eucaristia, alimento espiritual da Igreja durante o seu êxodo terrestre (Jo 6,26-58).

No próximo Domingo finalizaremos o estudo do Pentateuco, com o exame do Levítico, Números e Deuteronômio. Os textos das catequeses serão publicados na internet pela Pastoral da Comunicação (Página da paróquia no Facebook).

Fontes: Bíblia Sagrada Ed. Vozes; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB.

Notas: [1] SS. Bento XVI, Audiência Geral, 1-VI-2011.

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