Catequese Bíblica (III): Levítico, Números e Deuteronômio

Textos lidos na Paróquia Sâo Dimas, em Padre Miguel, Rio de Janeiro, antes das Missas dominicais.

Caríssimos Irmãos,

Finalizaremos hoje o estudo do Pentateuco, com a análise dos livros do Levítico, Números e Deuteronômio. Renovamos o convite para que todos tragam suas Bíblias, a fim de acompanhar as remissões.

O Levítico (Lv), terceiro livro do Pentateuco, apresenta as leis para o culto (Lv 1,1-10,20), a serem seguidas pelos sacerdotes, e também procura ensinar ao povo o caminho da santidade de vida, como meio de levá-lo a uma comunhão com o Deus vivo. Sendo Deus santo, Israel, que Ele escolheu como o seu povo, deve também ser santo (Lv 19,2).

Ao lermos este livro, devemos levar em conta que o conceito de santidade dos israelitas é, neste ponto, ainda imperfeito, baseado em atitudes exteriores, mediante a observação de diversas prescrições. O contexto histórico é importante para que possamos compreender algumas das leis estabelecidas, como por exemplo, a “lei de talião – dente por dente, olho por olho” (Lv 24,17-20) que era, na realidade, um progresso em relação ao costume da época, que era de vingar um mal sofrido causando-se um mal sete vezes maior.

No Novo Testamento, em passagens da apresentação do Menino Jesus no Templo e da cura do leproso, em que Jesus ordena que se apresente ao sacerdote (Lv 14, 2-32), é possível observar que as prescrições do Levítico ainda estavam em pleno vigor. Entretanto, os sacerdotes e os “doutores da lei” haviam transformado o relacionamento com Deus em um ritualismo vazio, o que foi, de fato, alvo das críticas de Nosso Senhor.

O sacrifício único de Cristo tornou desnecessário o cerimonial do antigo templo (Hb 10, 1-10), mas é importante ver no Levítico, antes de tudo, a proposta de um povo que se sente eleito por Deus, e impressiona-se com Sua grandeza e perfeição, procurando, então, honrá-Lo com o culto mais perfeito possível (pureza ritual) e servi-lo com a máxima fidelidade (pureza moral).

Números (Nm) tem este nome pois narra dois recenseamentos do povo de Israel realizados no deserto. Está intimamente ligado ao livro do Êxodo.

Ao longo do percurso pelo deserto, Israel deixa de ser um bando desorganizado de nômades libertado do Egito e vai ganhando uma consciência nacional e religiosa, e, ao mesmo tempo, vai fazendo também uma caminhada espiritual. O livro mostra que a essência de Israel é ser um Povo reunido à volta de Deus e da Aliança. O deserto é o lugar em que Deus habita e caminha com seu povo, mas é também o lugar do pecado, da ingratidão, da revolta contra Deus, quando o povo não consegue perceber Sua presença e duvida de Seu amor.

Deus demonstra sempre a sua misericórdia para com o povo, mesmo quando lhe é infiel, como se verifica do episódio da “serpente de bronze” (Nm 21), no qual o quarto evangelho enxergou uma prefiguração do sacrifício de Cristo (Jo 3,14).

O Deuteronômio (Dt) (deuteron=segundo; nomos=lei) consta de cinco sermões atribuídos a Moisés que recapitulam a lei (1,1-4,43; 4,44-11,32; 12,1-28,68; 28,69-30, 20; 31,1-29) e da narração do fim da vida de Moisés (31, 30-34,12). Tais sermões consistem, basicamente, em exortações dirigidas ao povo a fim de reconhecer a ação divina na história humana, celebrá-la na liturgia e a corresponder ao amor de Deus, acatando suas exigências de ordem moral e social.

O Deuteronômio continua a desenvolver a teologia da eleição, já presente nos livros anteriores: Deus fez, gratuitamente, a sua aliança com o povo de Israel (Dt 4, 37; 7,7s; 10,14s), entregando-lhe, como dom, o Decálogo (CIC §2077), cuja perenidade é atestada por Jesus (Mt 19, 16-17). Contudo, enquanto o Êxodo evidencia a distância existente entre Deus e o homem (Ex 33,20), o Deuteronômio mostra um Deus próximo de seu povo (Dt 12,5 – Ez 48,35). O Deuteronômio traz a oração do shemá (“Escuta, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6, 4-5)

O amor a Deus sobre todas as coisas é apresentado como o “maior e primeiro mandamento” (Mt 22, 35-39). “Jesus uniu — fazendo deles um único preceito — o mandamento do amor a Deus com o do amor ao próximo, contido no Livro do Levítico: « Amarás o teu próximo como a ti mesmo » (Lv 19, 18; cf. Mc 12, 29-31). Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um «mandamento», mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro.”[1]

No próximo Domingo iniciaremos o estudo dos livros históricos pelo exame do livro de Josué. Lembramos que os textos destas catequeses estão sendo disponibilizados na internet, na Página da paróquia no Facebook.

Fontes: Bíblia Sagrada Ed. Vozes; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB; Dehonianos.org (Roteiro Homilético para a Festa da Exaltação da Santa Cruz – Ano A). Notas: [1] Carta Encíclica Deus Caritas Est, nº1

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