Catequese Bíblica (V): Juízes e Rute

Textos lidos na Paróquia Sâo Dimas, em Padre Miguel, Rio de Janeiro, antes das Missas dominicais.

Caríssimos Irmãos,

Dando continuidade ao nosso estudo bíblico, prosseguimos na análise dos livros históricos, examinando o livro de Juízes (Jz) e Rute (Rt).

Para compreender o livro dos Juízes (Jz), precisamos entender o contexto histórico, político e social de Israel na época a que se refere. Josué havia morrido sem deixar sucessor. Após a conquista de Canaã, os israelitas trocaram a vida nômade pela vida agrícola e sedentária. As tribos de Israel tinham se estabelecido em seus territórios, mas não havia governo central, ou seja, o único vínculo que as unia era a religião. Cada tribo em seu território tinha seus próprios interesses e problemas – o que dava lugar ao individualismo e criava um clima favorável às invasões dos povos estrangeiros.

A convivência com os pagãos levou a um sincretismo religioso; os israelitas passaram a prestar culto e homenagem aos deuses cananeus – Baal, Aserá e Astarte – que, assim acreditavam, garantiam a fertilidade das colheitas e a fecundidade dos rebanhos. Mesmo quando cultuavam ao Senhor, os israelitas passaram a fazê-lo nos bosques, nas colinas, junto às fontes (Jz 6,25.31; 8,33; 9,4), assim como faziam os cananeus com suas divindades.

Deus então suscitou juízes em Israel, chefes de tribo, dotados por Deus com especial força e carisma, para libertarem suas tribos de ataques estrangeiros e julgar as causas e litígios da população. São apresentados no livro doze juízes, um para cada tribo; destes, seis são tidos como “maiores”, pois suas histórias são contadas com mais detalhes, e seis são chamados “menores”, pois pouco se sabe a respeito deles.

As histórias dos juízes maiores são narradas segundo uma fórmula proposta em Jz 2, 11-19, que consiste em: os israelitas são infiéis ao Senhor, que os entrega na mão de invasores; os israelitas se arrependem e invocam o Senhor, que então suscita um juiz ou Salvador, que liberta o povo do domínio estrangeiro, garantindo um período de paz. O autor sagrado assim ensina que a opressão é castigo da impiedade e que a vitória é consequência do retorno a Deus, princípio que deriva da ausência de uma noção de vida após a morte. A Carta aos Hebreus apresenta os êxitos dos Juízes como a recompensa de sua fé, propondo-os como exemplos para o cristão, que deve rejeitar o pecado e suportar com valentia a provação a que é submetido (Hb 11,32-34; 12,1).

Os principais Juízes são Gedeão (Jz 6-8), Jefté (Jz 11-12) e Sansão (Jz 13-16).O livro cobre um período de quase duzentos anos, que vai aproximadamente de 1200 a 1050 aC, ou seja, da morte de Josué até o primeiro rei de Israel, Saul.

Sansão (Jz 13-16) tinha feito votos de consagração total a Javé (nazireato, Jz 13, 3-5), o que incluía a obediência a uma série de preceitos, incluindo a proibição de cortar os cabelos (Nm 6, 1-21). Enquanto ele permaneceu fiel a esta consagração, mantendo a longa cabeleira, o Senhor lhe dava força para vencer qualquer inimigo; quando entregou o segredo a Dalila, mulher estrangeira, traiu seus votos e ela cortou-lhe os cabelos, sinal de infidelidade interior de Sansão. Em consequência, o Senhor já não deu o herói a força necessária para o combate, vindo ele a perecer nas mãos dos filisteus.

O livro de Rute (Rt) traz a história, que se passa no tempo dos Juízes, da moabita que havia sido desposada por Maalon, filho de Elimelec, nascido em Belém (de Judá) e emigrado para Moab, em razão de uma fome que assolava sua cidade natal. Falecendo o marido e o sogro, acompanhou Noemi, sua sogra, de volta a Belém, onde, para sobrevivência, pôs-se a catar espigas no campo de Booz, vindo a descobrir que este era parente de Elimelec. Rute abraçou a fé isrealita e terminou por desposar Booz, que estava obrigado a tomar, por mulher, a viúva de seu parente mais próximo sem filhos (levirato). De Booz e Rute nasceu Obed, pai de Jessé, pai do Rei Davi.

Rute é citada como modelo de conduta filial e de fidelidade, em especial a sua fala a Noemi, sua sogra: “Aonde fores, eu irei; aonde habitares, eu habitarei. O teu povo é o meu povo, e o teu Deus, meu Deus.” (Rt 1,16).

O objetivo principal do livro é mostrar como a confiança posta em Deus é recompensada, e como a sua misericórdia se estendeu até mesmo sobre uma estrangeira. O ensinamento perene da narrativa é a fé na providência e a universalidade da salvação – o que é reforçado pela inclusão de Rute na genealogia de Cristo (Mt 1,5).

No próximo Domingo prosseguiremos no estudo dos livros históricos pelo exame dos livros de Samuel. O texto desta catequese será disponibilizado na internet, na Página da paróquia no Facebook, junto com os demais.

Fontes: Bíblia Sagrada Ed. Vozes; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB.

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