Catequese Bíblica (VI): 1 e 2 Samuel

Textos lidos na Paróquia Sâo Dimas, em Padre Miguel, Rio de Janeiro, antes das Missas dominicais.

Caríssimos Irmãos,

Dando continuidade ao nosso estudo bíblico, prosseguimos na análise dos livros históricos, examinando os livros de Samuel (1 e 2 Sm).

Estes livros fazem parte de um projeto histórico-teológico maior, que tem quatro etapas: conquista da terra (Josué), confederação tribal (Juízes), instituição da monarquia (Samuel), desenvolvimento e final dramático da monarquia (Reis). Na realidade, a presença de Samuel limita-se à primeira parte do primeiro livro, sendo Saul e Davi os protagonistas do resto da obra.

Os dois livros de Samuel continuam a história narrada por Juízes, a partir da figura de Eli, sacerdote e juiz, até o final do reinado de Davi, passando por Samuel e Saul, ou seja, desde 1.050 até 970 a.C. Os inimigos ameaçavam as tribos, faltava um chefe único que mobilizasse todo Israel e garantisse tanto a unidade nacional como a fidelidade religiosa das tribos.

O povo pede a Samuel um rei (1Sm 8, 5), e apesar de alertados por Deus – por meio de Samuel – dos inconvenientes da realeza (como os tributos e o custo de manter uma corte, por exemplo), o povo ainda assim deseja um monarca, no que Deus então assente (1Sm 8, 22). Os modelos monárquicos existentes em redor de Israel implicavam certa divinização do rei, e adotá-los supunha um risco de afastamento de Javé, o único e verdadeiro Senhor. O equívoco desfaz-se, no entanto, porque o próprio Senhor dá a sua aprovação. Tanto Saul como David (e, mais tarde, Salomão) são "ungidos" de Deus (ou seja, eram assistidos pelo Espírito Santo) e "obrigados" a manter-se submissos à sua vontade, pois Deus é o verdadeiro rei do povo.

A monarquia israelita só foi consolidada no reinado de Davi, que conseguiu estabelecer a paz por tempo suficiente para organizar administrativamente o reino e estabelecer a capital, Jerusalém, que passa a ser um dos sinais de identidade mais importantes do judaísmo. Estes aspectos são intencionalmente destacados em diversas passagens (2 Sm 5; 6; 24,18-25).

O profeta aparece como elemento limitador do poder do Rei; é a memória constante do senhorio de Deus. Face à tendência institucional (2 Sm 7), significa o elemento carismático; e, perante a pretensão absolutista do poder, assegura a consciência crítica (2 Sm 12). Samuel e Natã encarnam, de maneira especial, essas funções.

Samuel, o último dos juízes, foi um filho dado por Deus a uma mulher estéril, Ana (1Sm 1). Na Bíblia, os filhos de promessas sempre têm uma missão particular (ex. Isaac, Sansão, João Batista). Samuel tem uma função decisiva na história da instituição da realeza (1 Sm 8-12) e ungiu o primeiro rei de Israel.

Saul, o primeiro Rei de Israel, escolhido por Deus, precisou enfrentar invasões de inimigos estrangeiros durante quase todo o seu reinado. Por sua desobediência (1Sm 13, 8-15,15,10-23), foi rejeitado por Deus e passou a perseguir Davi, jovem da tribo de Judá e amigo de seu filho Jônatas, que tinha sido escolhido por Deus para sucedê-lo (1Sm 16). Saul parece ter sofrido de doença psíquica, que lhe tirava a paz.

Davi, por sua vez, “[…] é um personagem complexo, que atravessou as mais diversas experiências fundamentais da vida. Jovem pastor do rebanho paterno, passando por alternadas e às vezes dramáticas experiências, ele se converte em rei de Israel, pastor do povo de Deus. Homem de paz, combateu muitas guerras; incansável e tenaz buscador de Deus, traiu o amor e isso é uma característica sua: sempre foi um buscador de Deus, ainda que tenha pecado gravemente muitas vezes; humilde e penitente, acolheu o perdão divino, também o castigo divino, e aceitou um destino marcado pela dor.” [1]

Davi era um “orante apaixonado” (2Sm 12,20; 15,25s), que sabia suplicar e louvar, sendo-lhe atribuída a autoria de muitos dos Salmos, verdadeiras obras primas de poesia religiosa. A este “homem conforme o coração de Deus” (1 Sm 16,13), é feita a promessa, por meio do profeta Natã (2Sm 7, 1-17), a partir da qual se fundou a esperança messiânica: “Teu trono será firme para sempre” (2Sm 7,16). O Novo Testamento se refere a estas promessas feitas à Casa de Davi por três vezes: At 2,30; 2Cor 6,18; Hb 1,5. É possível enxergar em Davi uma antecipação do mistério de Cristo, eleito para a salvação de todos, rei do povo espiritual de Deus.

No próximo Domingo prosseguiremos no estudo dos livros históricos pelo exame dos livros de 1 e 2 Reis. O texto desta catequese será disponibilizado na internet, na Página da paróquia no Facebook, junto com os demais.

Fontes: Bíblia Sagrada Ed. Vozes; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB; Curso Bíblico Catequisar.com.br (Samuel). Notas: [1] S.S. Bento XVI, Catequese do dia 22-VI-2011 (ZENIT)

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