Catequese Bíblica (VIII): 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias

Textos lidos na Paróquia Sâo Dimas, em Padre Miguel, Rio de Janeiro, antes das Missas dominicais.

Caríssimos Irmãos,

Dando continuidade ao nosso estudo bíblico, prosseguimos na análise dos livros históricos, examinando os livros de Crônicas (1 e 2 Cr), Esdras (Esd) e Neemias (Ne).

Estes livros constituem um conjunto chamado “obra do cronista” que percorre a história da humanidade desde Adão até a restauração do povo em sua terra após o exílio (sec. V a. C).

As Crônicas visam apresentar a grande história do povo de Israel, com destaque para as tribos de Judá (do Rei Davi), Levi (sacerdócio) e Benjamim (em cujo território se encontrava o templo). O enfoque do livro é mais teológico que histórico, o que explica diversas omissões, sobretudo quanto aos pecados de Davi e Salomão. Apresenta o reino ideal, sintetiza o passado, o presente e o futuro, projetando na época de Davi toda a organização cultual que conhece. A leitura das Crônicas nos mostra a situação e as preocupações da época pós-exílio.

Os livros podem ser divididos em quatro etapas: De Adão a Davi, Reinado de Davi (preparação da construção do templo), Reinado de Salomão e Reis de Judá. A sua teologia gira em torno do protagonismo da dinastia Davídica na história de Israel, dando relevo ao culto e ao templo.

O propósito central das Crônicas é ensinar que a fidelidade a Deus se manifesta no cumprimento da lei e na regularidade de um culto animado pela verdadeira piedade. Seu ensinamento sobre a primazia do espiritual e sobre o governo divino sobre todos os acontecimentos do mundo tem valor perene.

Os livros de Esdras e Neemias relatam os acontecimentos relativos ao retorno do povo exilado na Babilônia para a Terra Santa e à restauração da vida religiosa e civil deste povo (aprox. 538 a 430 a.C), procurando sempre datar os fatos, através de narrativas históricas.

No momento em que o edito de Ciro (538 a.C) autoriza os judeus a regressarem a Jerusalém para construir o templo, o retorno inicia imediatamente, mas o povo enfrenta problemas: A Terra de Judá estava ocupada por estrangeiros, que se opunham à reconstrução da cidade e do Templo de Jerusalém; os vizinhos, de Samaria, hostilizavam os recém-chegados; o contato com os estrangeiros, especialmente os casamentos mistos e as relações comerciais, punham em risco a fé dos judeus; além disso, havia escassez de bens materiais, o que levava muitos ao crime e ao desânimo. O povo foi superando, devagar, estes obstáculos, exortados pelos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias, e chefiados por Esdras e Neemias.

O livro de Esdras divide-se em duas partes: Construção e dedicação do Templo (Es 1, 1-6,22; 5,1-6,22) e reforma moral do povo (Es 7, 1-10,44), em especial a separação dos casamentos mistos. O livro de Neemias também pode ser dividido em duas partes: Reconstrução das muralhas e da cidade de Jerusalém (1,1-7,22) e reforma religiosa e social do povo, com a renovação da aliança.

Neemias era copeiro de Artaxerxes e consegue do rei a missão de ir a Jerusalém para reconstruir as muralhas. Após a conclusão da obra, que sofreu diversos entreveros e oposições, é nomeado governador. Após ter voltado à Pérsia, retorna para uma segunda missão, a fim de reprimir algumas desordens que já tinham se introduzido na comunidade (Ne 13,4-31).

O destaque maior é a figura de Esdras, escriba encarregado dos negócios judaicos na corte da Pérsia, no tempo de Artaxerxes, que concedeu-lhe plenos poderes para realizar a reorganização de Judá a partir da Lei de Moisés, que impõe ao povo. Por ter compilado os escritos do Antigo Testamento e renovado a Aliança com Javé após a restauração de Jerusalém, é chamado o “pai do judaísmo”.

A palavra chave para a compreensão de Esdras e Neemias é restauração. Essa restauração teve capital importância na história do povo eleito: é o nascimento do Judaísmo propriamente dito, com uma noção transcendental de Deus e mais rigor quanto à observância da Lei Mosaica, em especial pelos fariseus.

Nestes livros se verifica também a noção de povo consagrado, eleito, separado dos outros povos, criado para guardar a Lei de seu Deus, bem como a presença da mística dos “pobres de Deus”, mansos e humildes, confiantes na providência divina, e de uma expectativa cada vez mais viva da chegada do Messias.

No próximo Domingo prosseguiremos no estudo dos livros históricos pelo exame dos livros de Tobias, Judite e Ester. O texto desta catequese será disponibilizado na internet, na Página da paróquia no Facebook, junto com os demais.

Fontes: Bíblia Sagrada Ed. Vozes; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB; Curso Bíblico Catequisar.com.br (Cronicas, Esdras e Neemias).

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