Catequese Bíblica (IX): Tobias, Judite e Ester

Textos lidos na Paróquia Sâo Dimas, em Padre Miguel, Rio de Janeiro, antes das Missas dominicais.

Caríssimos Irmãos,

Dando continuidade ao nosso estudo bíblico, prosseguimos na análise dos livros históricos, examinando os livros de Tobias (Tb), Judite (Jt) e Ester (Est).

Os livros de Tobias, Judite e Ester pertencem a um gênero literário próprio: o midraxe – que propõe uma história realçando os aspectos edificantes e moralizantes da mesma, para formação espiritual dos leitores. Estes livros se referem a episódios concernentes apenas a uma parcela do povo, e não são situadas historicamente com precisão, o que inclusive trouxe dúvidas acerca de sua inspiração divina, posteriormente dirimidas.

O livro de Tobias conta a história de um certo homem da tribo de Neftali, Tobite, que foi exilado para Nínive, na Assíria, com sua família; dedicava-se à caridade para com seus compatriotas, tendo sido acometido por cegueira; a esposa, então, o menospreza. Na mesma época, em Ecbátana, na região Média, uma parente de Tobite, Sara, sofria opressão de um demônio, sendo caluniada de homicídio, mas orava a Deus de forma confiante.

Reduzido à pobreza, Tobite enviou seu filho Tobias à Média, a fim de cobrar uma dívida. Ao sair de casa, o jovem Tobias encontra o anjo Rafael, que se oferece para guiá-lo na estrada. Durante a viagem, o anjo persuadiu Tobias a guardar coração, fel e fígado de um peixe que o atacara; a seguir, passando por Ecbátana, promove o casamento de Tobias com Sara, que é libertada do demônio quando o esposo, na primeira noite, queima o fígado e o coração do peixe na câmara nupcial. Rafael foi buscar o dinheiro e reconduz o jovem casal à casa de Tobite. Tobias, então, mais uma vez por orientação de Rafael, curou com o fel do peixe os olhos do pai.

O livro pretende mostrar a Providência de Deus para com o homem fiel posto em aflição e apresentar aos leitores um modelo de observância da Lei de Deus, com numerosas exortações à piedade e à prática de boas obras. Além disso, destaca-se a figura do anjo Rafael, como guarda, curador (8,3; 12,15) e intercessor (3,16; 12,2).

Judite era uma viúva israelita que vivia na cidade de Betúlia, cidade ameaçada pelo exército de Nabucodonosor, chefiado pelo general Holofernes. O pagão Aquior tenta dissuadi-lo, pois sabia que o Deus de Israel defende o seu povo. Os judeus de Betúlia estavam prestes a render-se quando Judite resolveu intervir para defender seu povo. Após orar fervorosamente, revestiu-se dos seus mais preciosos ornamentos e entrou no acampamento inimigo, encantando todos os guardas por sua formosura. Holofernes então manda que ela resida perto de sua tenda. Quatro dias depois, o general assírio, apaixonado, deu um banquete e convidou Judite (12, 10-20). Embriagado, a sós com Judite em sua tenda, cai no sono. Ela então cortou-lhe a cabeça e com ela retornou a Betúlia, o que fez os assírios baterem em retirada e levou à conversão de Aquior.

A finalidade do livro era avivar a fé de Israel no seu Deus, que é capaz de libertar seu povo das calamidades, desde que este se mostre fiel à Aliança. Os meios que salvam Betúlia são espirituais; uma viúva munida somente das forças que a oração e o jejum lhe conferem. A viuvez como estado de consagração a Deus foi sendo estimada em Israel nas proximidades da era Cristã; atualmente a Igreja vê em Judite, mulher fortalecida pela graça de Deus, uma figura de Maria Santíssima.

Nabucodonosor, o “senhor de toda a terra” (Jt 2,5) encarna o adversário de Deus, que resta vencido, como um prenúncio da vitória do bem sobre o mal (16, 2-21). Também se verifica no livro a proposta universalista, através da conversão de Aquior.

O livro de Ester fala de outra judia que, por sua castidade e piedade, se tornou instrumento e libertação para o povo de Deus. O rei Assuero repudiou a rainha Vasti, que foi substituída por Ester, judia, prima órfã de um judeu chamado Mardoqueu, que residia em Susa (pérsia) e servia na corte do rei (2, 1-20).

Mardoqueu pediu a Ester que intercedesse junto a Deus e ao rei pela salvação do povo judeu, que havia sido condenado por um decreto do rei. Após ter jejuado e orado, ela e os judeus de Susa, por três dias, Ester convidou o rei e Amã para um jantar (5, 1-5), ao qual compareceu bem vestida e adornada. Ajudada pela Providência Divina, em um novo jantar consegue um outro decreto, concedendo aos judeus a faculdade de se defenderem de seus opressores no dia previsto para seu extermínio. Amã foi enforcado por ordem de Assuero (5,6-8, 14). Em consequência, os filhos de Israel causaram muitas baixas entre os persas. Para comemorar o acontecimento, Mardoqueu instituiu a festa anual de Purim (9, 20-32).

Note-se a presença de antíteses por todo o livro: Vasti (repudiada) x Ester (exaltada); Amã (exaltado, depois condenado) x Mardoqueu (desprezado, condenado e por fim, exaltado); dois decretos, um contra e outro a favor dos judeus; dois banquetes oferecidos por Ester, para Amã, significaram humilhação e morte, para Mardoqueu, a passagem da morte para a glória.

O livro a princípio foi escrito para levantar os ânimos dos judeus, que, após o exílio, viveram sempre sob domínio estrangeiro. Seu ensinamento perene é que a Providência rege os acontecimentos e cumpre seus desígnios, mesmo que tudo pareça indicar o contrário (Est 4, 13-17).

Durante o mês de agosto, suspenderemos nossa catequese bíblica, para, a pedido de nosso pároco, realizarmos um estudo sobre a família. O texto desta catequese será disponibilizado na internet, na Página da paróquia no Facebook, junto com os demais.

Fontes: Bíblia Sagrada Ed. Vozes; Bíblia de Jerusalém; Curso Bíblico – Escola Mater Ecclesiae – Pe. Estêvão Bettencourt OSB; Curso Bíblico Catequisar.com.br (Tobias, Judite e Ester).

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