Tratar bem a todos

 

Fonte: Falar com Deus

Reflexão da blogueira:

“ninguém tira onda com a minha cara”

“ninguém tira farinha comigo, o buraco é mais embaixo”

“comigo é: bateu, levou”

“não levo desaforo para casa!”

Quantos de nós já não disse uma dessas frases, com orgulho? Sao a nova lei de talião… se sou ofendido, revido !

Precisamos refletir sobre a mansidão e a caridade, virtudes que o cristão deve cultivar, bem como a necessidade de dar o perdão e não guardar mágoas.

– Devemos viver a caridade em qualquer ocasião. Compreensão com os que estão no erro, mas firmeza na verdade e no bem.

– Caridade com os que não nos apreciam. Oração por eles.

– A caridade leva-nos a viver a amizade com um profundo sentido cristão.

I. OUVISTES QUE FOI DITO: Olho por olho e dente por dente. Mas eu vos digo…: àquele que te levar a juízo para tirar-te a túnica, deixa-lhe também o manto; e se alguém te forçar a andar uma milha, vai com ele duas… São palavras de Jesus no Evangelho da Missa1, que nos convidam a viver a caridade para além dos critérios dos homens.

No nosso relacionamento, não podemos ser ingênuos, sem dúvida, e devemos exigir os nossos direitos dentro do que for justo, mas não nos deve parecer excessiva qualquer renúncia ou sacrifício em prol dos outros. Assim nos assemelhamos a Cristo que, com a sua morte na Cruz, nos deu um exemplo de amor acima de toda a medida humana.

O homem não tem nada de tão divino – tão de Cristo – como a mansidão e a paciência na prática do bem2. “Fomentemos aquelas virtudes – aconselha-nos São João Crisóstomo – que, juntamente com a nossa salvação, aproveitam principalmente ao próximo… Nas coisas terrenas, ninguém vive para si próprio: o artesão, o soldado, o lavrador, o comerciante, todos sem exceção contribuem para o bem comum e para o serviço do próximo. Com muito mais razão há de ser assim no terreno espiritual, porque esta é a verdadeira vida. Quem vive só para si e despreza os outros é um ser inútil, não pertence à nossa linhagem”3.

As múltiplas chamadas que o Senhor nos dirige para que vivamos a todo o momento a caridade4, devem estimular-nos a segui-lo de perto com atos concretos, procurando oportunidades de ser úteis, de proporcionar alegrias aos que estão ao nosso lado, sabendo que nunca progrediremos suficientemente nessa virtude. Ao mesmo tempo, consideremos hoje na nossa oração todos esses aspectos em que seria fácil faltarmos à caridade se não estivéssemos vigilantes: juízos precipitados, críticas negativas, faltas de atenção para com os outros por estarmos excessivamente preocupados com os nossos assuntos, esquecimentos que são fruto do desinteresse ou do menosprezo… Não é norma do cristão retribuir olho por olho e dente por dente, mas fazer continuamente o bem, ainda que, por vezes, não obtenha em troca, aqui na terra, nenhum proveito humano. O coração certamente se terá enriquecido.

A caridade leva-nos a compreender, a desculpar, a conviver com todos, de maneira que aqueles que “pensam ou atuam de um modo diferente do nosso em matéria social, política ou mesmo religiosa, devem ser objeto também do nosso respeito e do nosso apreço […]. Esta caridade e esta benignidade não se devem converter de forma alguma em indiferença no tocante à verdade e ao bem; mais ainda, a própria caridade exige que se anuncie a todos os homens a verdade que salva. Mas é necessário distinguir entre o erro, que sempre deve ser evitado, e o homem que erra, pois este conserva a dignidade da pessoa mesmo quando está dominado por idéias falsas ou insuficientes em matéria religiosa”5.

“Um discípulo de Cristo jamais tratará mal pessoa alguma; ao erro chama erro, mas, a quem está errado, deve corrigi-lo com afeto; senão, não poderá ajudá-lo, não poderá santificá-lo”6, e essa é a maior prova de caridade.

II. O PRECEITO DA CARIDADE não se estende somente àqueles que nos querem e nos tratam bem, mas a todos sem exceção. Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

Devemos também viver a caridade com aqueles que nos tratam mal, que nos difamam e roubam a honra, que procuram positivamente prejudicar-nos. O Senhor deu-nos exemplo disso na Cruz7, e os discípulos seguiram o mesmo caminho do Mestre8. Ele nos ensinou a não ter inimigos pessoais – como o testemunharam heroicamente os santos de todas as épocas – e a considerar o pecado como o único mal verdadeiro.

A caridade terá diversas manifestações que não se opõem à prudência e à defesa justa, à proclamação da verdade em face da difamação, e à defesa enérgica do bem e dos legítimos interesses pessoais ou do próximo, e dos direitos da Igreja. Mas o cristão deve ter sempre um coração grande para respeitar a todos, mesmo aqueles que se manifestam como inimigos; e deve fazê-lo “não por serem irmãos – diz Santo Agostinho –, mas para que o sejam; para tratar sempre com amor fraterno aquele que já é irmão e aquele que se manifesta como inimigo, a fim de que venha a ser irmão”9.

Este modo de atuar, que exige uma profunda vida de oração, distingue-nos claramente dos pagãos e daqueles que realmente não querem viver como discípulos de Cristo. Pois, se amardes os que vos amam, que recompensa tereis? Também não fazem isso os publicanos? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis a mais? Também não fazem isso os gentios? A fé cristã pede não apenas um comportamento humano correto, mas virtudes heróicas.

Com a ajuda da graça, estenderemos, pois, a nossa caridade aos que não se comportam como filhos de Deus, aos que o ofendem, porque “nenhum pecador, enquanto tal, é digno de amor; mas todo o homem, enquanto tal, é digno de ser amado por Deus”10. Todos continuam a ser filhos de Deus e capazes de converter-se e de alcançar a glória eterna.

A caridade incitar-nos-á à oração, à exemplaridade, ao apostolado, à correção fraterna, confiando em que todo o homem é capaz de retificar os seus erros. Se vez por outra as ofensas, as injúrias, as calúnias forem particularmente dolorosas, pediremos ajuda a Nossa Senhora, que contemplamos freqüentemente ao pé da Cruz, sentindo muito de perto todas as infâmias contra o seu Filho: grande parte daquelas injúrias, não o esqueçamos, saíram dos nossos lábios e das nossas ações. Os agravos que nos fazem hão de doer-nos sobretudo pela ofensa a Deus que representam e pelo mal que podem ocasionar a outras pessoas, e hão de mover-nos a desagravar a Deus e a oferecer-lhe toda a reparação que pudermos.

III. O CORAÇÃO DO CRISTÃO tem de ser grande. A sua caridade, evidentemente, deve ser ordenada e, portanto, deve começar pelos mais próximos, pelas pessoas que, por vontade divina, estão à sua volta. No entanto, o seu afeto nunca pode ser excludente ou limitar-se a âmbitos reduzidos. O Senhor não quer um apostolado de horizontes tão estreitos. A atitude do cristão, a sua convivência com todos, deve ser como uma generosa torrente de carinho sobrenatural e de cordialidade humana, que banha tudo à sua passagem.

Pedimos a Deus na nossa oração pessoal que nos dilate o coração; que nos ajude a oferecer sinceramente a nossa amizade a um círculo cada vez mais vasto de pessoas; que nos anime a ampliar constantemente o campo do nosso apostolado, ainda que num caso ou noutro não sejamos correspondidos, ainda que seja necessário enterrarmos freqüentemente o nosso próprio eu, ceder nalgum ponto de vista ou nalgum gosto pessoal. A amizade leal exige um esforço positivo – que será alimentado pelo trato assíduo com Jesus Cristo – “por compreender as convicções dos nossos amigos, mesmo que não cheguemos a partilhar delas nem a aceitá-las”11 por não poderem conciliar-se com as nossas convicções de cristãos.

O Senhor não deixa de perdoar as nossas ofensas sempre que voltamos para Ele movidos pela sua graça; tem uma paciência infinita com as nossas mesquinhezes e com os nossos erros; por isso nos pede – e assim nos ensinou expressamente no Pai Nosso – que tenhamos paciência em face de certas situações e circunstâncias que dificultam que os nossos amigos ou conhecidos se aproximem de Deus. A falta de formação e a ignorância da doutrina que as pessoas revelam, os seus defeitos patentes, mesmo a sua aparente indiferença, não nos devem afastar delas, antes hão de ser para nós chamadas positivas, prementes, luzes que indicam uma maior necessidade de ajuda espiritual; hão de ser um estímulo para intensificarmos o nosso interesse por cada uma dessas pessoas e nunca um motivo para nos afastarmos delas.

Formulemos um propósito concreto que nos faça aproximar-nos dos nossos parentes, amigos e conhecidos que estejam espiritualmente mais necessitados, e peçamos graças à Santíssima Virgem para levá-lo a cabo.

(1) Mt 5, 38-48; (2) cfr. São Gregório Nazianzeno, Oração, 17, 9; (3) São João Crisóstomo,Homilias sobre São Mateus, 77, 6; (4) cfr. Jo 13, 34-35; 15, 12; (5) Conc. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 28; (6) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 9; (7) cfr. Lc 23, 34; (8) cfr. At 7, 60; (9) Santo Agostinho, Comentário à primeira Epístola de São João, 4, 10, 7; (10) idem, Sobre a doutrina cristã, 1, 27; (11) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 746.

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“A Dor de Corrigir”

Esconde-se um grande comodismo – e, por vezes, uma grande falta de responsabilidade – naqueles que, constituídos em autoridade, fogem da dor de corrigir, com a desculpa de evitar o sofrimento aos outros. Talvez poupem desgostos nesta vida…, mas põem em risco a felicidade eterna – a sua e a dos outros – pelas suas omissões, que são verdadeiros pecados. (Forja, 577)

O santo, para a vida de muitos, é “incômodo”. Mas isso não significa que tenha de ser insuportável.

– O seu zelo nunca deve ser amargo; a sua correção nunca deve ferir; o seu exemplo nunca deve ser uma bofetada moral, arrogante, na cara do próximo. (Forja, 578)

Portanto, quando na nossa vida pessoal ou na dos outros percebermos alguma coisa que não está certa, alguma coisa que precisa do auxílio espiritual e humano que nós, os filhos de Deus, podemos e devemos prestar, uma das manifestações claras de prudência consistirá em aplicar o remédio conveniente, a fundo, com caridade e com fortaleza, com sinceridade. Não têm cabimento as inibições. É errado pensar que os problemas se resolvem com omissões ou com adiamentos.

A prudência exige que, sempre que a situação o requeira, se apliquem os remédios, totalmente e sem paliativos, depois de se deixar a chaga a descoberto. Ao notardes os menores sintomas do mal, sede simples, verazes, quer tenhais de curar alguém, quer se trate de receberdes vós mesmos essa assistência. Nesses casos, deve-se permitir, a quem se encontra em condições de curar em nome de Deus, que aperte de longe e depois mais de perto, e mais ainda, até que saia todo o pus e o foco de infecção fique bem limpo. Temos de proceder assim, antes de mais nada, conosco próprios e com os que temos obrigação de ajudar por justiça ou por caridade. Rezo especialmente pelos pais e pelos que se dedicam a tarefas de formação e ensino. (Amigos de Deus, 157)

Fonte:   http://www.opusdei.org.br/art.php?p=20803

“Nunca Amarás Bastante”

Por muito que ames, nunca amarás bastante. O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, alarga-se num crescendo de carinho que ultrapassa todas as barreiras. Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar em teu coração. (Via Sacra, 8ª Estação, nº 5)

Reparai agora no Mestre reunido com os seus discípulos, na intimidade do Cenáculo. Aproxima-se o momento da sua Paixão, e o Coração de Cristo, rodeado daqueles a quem ama, estala em labaredas inefáveis: Dou-vos um mandamento novo, confia-lhes: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei; e que, como eu vos amei, assim também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.

Senhor! Por que chamas novo a este mandamento? Como acabamos de escutar, o amor ao próximo já estava prescrito no Antigo Testamento, e todos nos lembramos também de que Jesus, logo nos começos da sua vida pública, ampliou essa exigência com divina generosidade: Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu vos peço mais: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos aborrecem e orai pelos que vos perseguem e caluniam.

Senhor! Permite-nos insistir: por que continuas chamando novo a este preceito? Naquela noite, poucas horas antes de te imolares na Cruz, durante essa conversa cheia de intimidade com os que – apesar das suas fraquezas e misérias pessoais, como as nossas – te haviam acompanhado até Jerusalém, Tu nos revelaste a medida insuspeitada da caridade: como eu vos amei. Como não haviam de entender-te os Apóstolos, se tinham sido testemunhas do teu amor insondável!

Se professamos essa mesma fé, se deveras ambicionamos pôr os pés sobre o trilho nítido que deixaram na terra as pegadas de Cristo, não devemos conformar-nos com a preocupação de evitar aos outros os males que não desejamos para nós mesmos. Isso é muito, mas é pouco, quando compreendemos que a medida do nosso amor se define pelo comportamento de Jesus. Além disso, Ele não nos propõe essa norma de conduta como uma meta longínqua, como o coroamento de toda uma vida de luta. É – deve ser, insisto, para que o traduzas em propósitos concretos – o ponto de partida, porque Nosso Senhor o estabelece como sinal prévio: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos. (Amigos de Deus, 222-223)

Fonte:   http://www.opusdei.org.br/art.php?p=20799

Perseguição

NEM SEMPRE a perseguição teve as mesmas características. Durante os primeiros séculos, pretendeu-se destruir a fé dos cristãos por meio da violência física. Em outros momentos da história, sem que essa violência desaparecesse, os cristãos viram-se – vêem-se – oprimidos nos seus direitos mais fundamentais, ou a braços com campanhas dirigidas a minar a fé dos mais simples e a desorientá-los. Mesmo em terras de grande tradição cristã, levanta-se todo o tipo de obstáculos para que se possam educar cristãmente os filhos, ou privam-se os cristãos, pelo mero fato de o serem, de justas oportunidades profissionais.

Não é infreqüente que, em sociedades que se chamam livres, o cristão tenha que viver num ambiente claramente adverso. Pode-se dar então uma perseguição disfarçada, com o recurso à ironia, que tenta ridicularizar os valores cristãos, ou à pressão ambiental, que pretende amedrontar os mais fracos: é uma dura perseguição não sangrenta, que não raras vezes se vale da calúnia e da maledicência. “Em outros tempos – diz Santo Agostinho -, incitavam-se os cristãos a renegar Cristo; agora, ensina-se os mesmos a negar a Cristo. Naquela época, incitava-se; agora ensina-se; antes, usava-se de violência, agora, de insídias; antes, ouvia-se o inimigo rugir; agora, apresenta-se com mansidão insinuante e envolvente, e dificilmente se deixa descobrir. Todos sabemos de que modo se violentavam os cristãos para que negassem a Cristo: procuravam atraí-los para que renegassem; mas eles, confessando Cristo, eram coroados. Agora ensina-se a negar a Cristo e, enganando-os, não querem que pareça que os afastam de Cristo”. É como se o Santo estivesse retratando os dias de hoje.

O Senhor também quis prevenir os seus para que não se desnorteassem com a contradição que procede, não dos pagãos, mas dos próprios irmãos na fé, que com a sua atuação injusta, motivada geralmente por invejas, falso zelo e faltas de retidão de intenção, julgam que prestam um serviço a Deus. Todas as oposições, mas especialmente estas, devem ser superadas junto do Senhor no Sacrário.

São circunstâncias que expressam um especial convite do Senhor para que estejamos unidos a Ele mediante a oração. São momentos em que devemos exercitar a fortaleza e a paciência, sem nunca querermos devolver mal por mal. Com a ajuda divina, a alma sairá dessas provas mais humilde e purificada, experimentará de um modo especial a alegria do Senhor e poderá dizer com São Paulo: Estou cheio de consolação, transbordo de alegria em todas as nossas tribulações.

Ensinai-nos, ó Deus, a imitar o que celebramos, amando os nossos próprios inimigos, pois festejamos Santo Estêvão, vosso primeiro mártir, que soube rezar pelos seus perseguidores.

O CRISTÃO que sofre perseguição por seguir Jesus tirará dessa experiência uma grande capacidade de compreensão e o propósito firme de não ferir, de não ofender, de não maltratar. O Senhor pede-nos, além disso, que oremos por aqueles que nos perseguem,veritatem facientes in caritate, praticando a verdade com caridade. Estas palavras de São Paulo levam-nos a ensinar a doutrina do Evangelho sem faltar à caridade de Jesus Cristo.

A última das Bem-aventuranças acaba com uma promessa apaixonada do Senhor: Bem-aventurados sereis quando vos insultarem, vos perseguirem e vos caluniarem por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos porque grande será a vossa recompensa nos céus. O Senhor é sempre bom pagador.

Estêvão foi o primeiro mártir do cristianismo e morreu por proclamar a verdade. Também nós fomos convocados para difundir a verdade de Cristo sem medo, sem dissimulações: Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma. Por isso, quando se trata de proclamar a doutrina salvadora de Cristo, não podemos ceder perante os obstáculos, antes havemos de comportar-nos de tal modo que se cumpram em nós estas palavras de Caminho: “Não tenhas medo à verdade, ainda que a verdade te acarrete a morte”.

A história da Igreja mostra que, às vezes, as tribulações fazem com que uma pessoa se acovarde e esmoreça no seu relacionamento com Deus; mas, em muitas outras ocasiões, fazem amadurecer as almas santas, que carregam a cruz de cada dia e seguem o Senhor identificadas com Ele. Vemos constantemente esta dupla possibilidade: uma mesma dificuldade – uma doença, incompreensões, etc. – tem efeitos diferentes conforme as disposições da alma. Se queremos ser santos, não há dúvida de que as nossas disposições devem ser as de seguir sempre de perto o Senhor, apesar de todos os obstáculos.

Em momentos de contrariedade, é de grande ajuda fomentar a esperança do Céu: ajuda-nos a ser firmes na fé perante qualquer tipo de perseguição ou tentativa de desorientação. “E se caminharmos sempre com esta determinação de antes morrer que deixar de chegar ao fim, mesmo que o Senhor vos leve com alguma sede por este caminho da vida, Ele vos dará de beber com toda a abundância na outra e sem temor de que vos venha a faltar”.

Em épocas de dificuldades externas, devemos ajudar os nossos irmãos na fé a ser firmes perante essas oposições. Prestar-lhes-emos essa ajuda se não lhes faltarmos com o nosso exemplo, com a nossa palavra, com a nossa alegria, com a nossa fidelidade e a nossa oração; e sobretudo se procurarmos ser especialmente delicados em viver com eles a caridade fraterna, porque o irmão ajudado pelo seu irmão é como uma cidade amuralhada; é inexpugnável.

A Virgem, nossa Mãe, está particularmente perto de nós em todas as circunstâncias difíceis. Hoje dirigimo-nos também de modo especial ao primeiro mártir que deu a vida por Cristo, pedindo-lhe que nos ajude a ser fortes em todas as tribulações.

Fonte: Falar com Deus.

Ser cada um, outro Cristo…

Custou-te muito ir afastando e esquecendo as tuas preocupaçõezinhas, os teus sonhos pessoais: pobres e poucos, mas enraizados. Em troca, agora estás bem certo de que o teu sonho e a tua ocupação são os teus irmãos, e somente eles, porque no teu próximo aprendeste a descobrir Jesus Cristo. (Sulco, 765)

Se não queremos malbaratar o tempo inutilmente – mesmo com as falsas desculpas das dificuldades exteriores do ambiente, que nunca faltaram desde os inícios do cristianismo, devemos ter muito presente que Jesus Cristo vinculou ordinariamente à vida interior a eficácia da ação com que procuramos arrastar os que nos rodeiam.

Para influirmos mediante a atividade apostólica, Cristo estabeleceu como condição a santidade; corrijo-me, o esforço da nossa fidelidade, porque santos na terra não o seremos nunca. Parece incrível, mas Deus e os homens precisam da nossa fidelidade sem paliativos, sem eufemismos, que chegue até as últimas conseqüências, sem medianias nem barganhas, em plenitude de vocação cristã assumida e praticada com esmero.

Talvez algum de vós pense que me estou referindo exclusivamente a um setor de pessoas seletas. Não vos enganeis tão facilmente, arrastados pela covardia ou pelo comodismo. Senti, pelo contrário, a urgência divina de ser cada um outro Cristo, ipse Christus, o próprio Cristo; em poucas palavras, a urgência de que a nossa conduta transcorra em coerência com as normas da fé, pois a santidade que devemos pretender não é uma santidade de segunda categoria, que não existe. (Amigos de Deus, 5 e 6)

 

Fonte: www.opusdei.org.br

Alivia a Carga do Teu Irmão…

O AMOR DESCOBRE nos outros a imagem divina, a cuja semelhança todos fomos feitos; reconhecemos em todos o preço sem medida que foi pago pelo seu resgate: o próprio sangue de Cristo. Quanto mais intensa for em nós a virtude sobrenatural da caridade, maior estima teremos pelo próximo e, conseqüentemente, crescerá a nossa solicitude pelas suas necessidades e penas.

Nos que sofrem ou passam por dificuldades, não vemos apenas a pessoa em si, mas também Cristo, que se identificou com todos os homens: Em verdade vos digo que, todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes. Cristo faz?se presente no mundo pela nossa caridade. Ela atua constantemente em cada época por meio dos membros do seu Corpo Místico. Por isso, a união vital com Cristo também nos permite dizer: Vinde a mim todos os que estais fatigados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. A caridade é a realização do Reino de Deus no mundo.

Para sermos fiéis discípulos do Senhor, temos de pedir?lhe incessantemente que nos dê um coração semelhante ao seu, capaz de compadecer?se de todos os males que pesam sobre a humanidade. A compaixão foi a atitude habitual de Cristo à vista das misérias e limitações dos homens: Tenho compaixão da multidão…, diz o Senhor repetidamente em tons diversos ao longo do Evangelho; e essa sua inclinação para a misericórdia, há de conservá?la permanentemente diante das misérias acumuladas pelos homens ao longo dos séculos. Se nós nos chamamos discípulos de Cristo, devemos cultivar no nosso coração os mesmos sentimentos misericordiosos do Mestre.

Temos de começar por aliviar as cargas dos que vivem mais intimamente ligados à nossa vida: por terem a mesma fé, o mesmo espírito, os mesmos laços de sangue, o mesmo trabalho…: “Velai, certamente, por todos os indigentes com uma benevolência geral – diz São Leão Magno –, mas lembrai?vos especialmente dos que são membros do Corpo de Cristo e estão unidos a nós pela unidade da fé católica. Pois devemos mais aos nossos pela união na graça, do que aos estranhos pela comunhão de natureza”.

Aliviemos na medida do possível os que suportam o duro fardo da ignorância religiosa, que “atinge hoje níveis jamais vistos em certos países de tradição cristã. Por imposição laicista ou por desorientação e negligência lamentável, multidões de jovens batizados vêm chegando à idade adulta com um total desconhecimento das mais elementares noções da fé e da moral e dos próprios rudimentos da piedade. Atualmente, ensinar a quem não sabe significa, sobretudo, ensinar aos que nada sabem de Religião; significa “evangelizá?los”, quer dizer, falar?lhes de Deus e da vida cristã”. Que peso tão grande o daqueles que, pertencendo à nossa família sobrenatural por estarem batizados, não conhecem Cristo, foram privados na meninice e na juventude da doutrina cristã, e estão mergulhados no erro, porque a ignorância é a fonte da maior parte dos erros.

Peçamos, enfim, ao Senhor, na nossa oração pessoal, a ajuda da sua graça para sentirmos uma compaixão eficaz por aqueles que sofrem o mal incomensurável de estarem enredados no pecado. Peçamos?lhe a graça de entender que o apostolado da Confissão é a maior obra de todas as obras de misericórdia, pois é possibilitar que Deus derrame o seu perdão generosíssimo sobre os que se afastaram da casa paterna. Que enorme fardo retiramos dos ombros de quem estava oprimido pelo pecado e se aproxima da Confissão! Que grande alívio! Hoje pode ser um bom momento para nos perguntarmos: quantas pessoas ajudei a fazer uma boa confissão?

NÃO ENCONTRAREMOS caminho mais seguro para seguirmos o Senhor e para encontrarmos a nossa própria felicidade do que a preocupação sincera por libertar ou aliviar do seu lastro os que caminham cansados e aflitos, pois Deus dispôs as coisas “para que aprendamos a levar as cargas uns dos outros; porque não há ninguém sem defeito, ninguém sem carga; ninguém que se baste a si próprio, nem que seja suficientemente sábio para si”. Todos precisamos uns dos outros. A convivência diária requer essas ajudas mútuas, sem as quais dificilmente poderíamos ir para a frente.

E se alguma vez nós mesmos nos vemos a braços com um fardo excessivamente pesado para as nossas forças, não deixemos de ouvir as palavras do Senhor: Vinde a mim. Só Ele restaura as forças, só Ele sacia a sede. “Jesus diz agora e sempre: Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Efetivamente, Jesus encontra?se numa atitude de convite, de conhecimento e de compaixão por nós; mais ainda: de oferecimento, de promessa, de amizade, de bondade, de remédio para os nossos males, de conforto e, sobretudo, de pão, de fonte de energia e de vida”. Cristo é o nosso descanso.

O segredo é a oração. Quando por vezes na vida nos sentimos esmagados e não sabemos a quem mais recorrer, temos que voltar?nos decididamente para o Sacrário, onde nos espera o Amigo que nunca atraiçoa nem decepciona, e que, nesse colóquio sem palavras, nos anima, nos dá critério e nos robustece para a luta. Quantas preocupações e fardos aparentemente insuportáveis se desfazem à luz trêmula da lamparina de um Sacrário!

O trato assíduo com a nossa Mãe Santa Maria ensinar?nos?á a ter sempre paz e a compadecer?nos das necessidades do próximo. Nada lhe passou inadvertido, porque até os mais pequenos apuros dos homens se fizeram patentes ao amor que sempre lhe absorveu o Coração. Ela tornará mais fácil o caminho para Cristo quando tivermos mais necessidade de descarregar nEle as nossas preocupações e de renovar o impulso da caridade: assim “obterás forças para cumprir acabadamente a Vontade de Deus, encher?te?ás de desejos de servir a todos os homens. Serás o cristão que às vezes sonhas ser: cheio de obras de caridade e de justiça, alegre e forte, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo”.

Fonte: Falar com Deus.

Olha Primeiro a Trave no Teu Olho…

CERTA VEZ, O SENHOR disse aos que o escutavam: Como vês a palha no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu? Ou como ousas dizer ao teu irmão: Deixa que eu tire a palha do teu olho, tendo tu uma trave no teu? Hipócrita: tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás tirar a palha do olho do teu irmão. Uma manifestação de humildade é evitar o juízo negativo – e muitas vezes injusto – sobre os outros.

Pela nossa soberba pessoal, tendemos a ver aumentadas as menores faltas dos outros e, por contraste, a diminuir e justificar os maiores defeitos pessoais. Mais ainda, a soberba tende a projetar nos outros o que na realidade são imperfeições e erros próprios. Por isso Santo Agostinho aconselhava sabiamente: “Procurai adquirir as virtudes que julgais faltarem nos vossos irmãos, e já não lhes vereis os defeitos, porque vós mesmos não os tereis”.

A humildade, pelo contrário, exerce positivamente o seu influxo numa série de virtudes que permitem uma convivência humana e cristã. Só a pessoa humilde está em condições de perdoar, de compreender e de ajudar, porque só ela é consciente de ter recebido tudo de Deus, só ela conhece as suas misérias e sabe como anda necessitada da misericórdia divina. Daí que trate o seu próximo com benignidade – também à hora de julgar -, desculpando e perdoando quando necessário. Por outro lado, nunca esquecerá que a nossa visão das ações alheias sempre é e será limitada, pois só Deus penetra nas intenções mais íntimas, lê nos corações e dá o verdadeiro valor a todas as circunstâncias que acompanham uma ação.

Devemos aprender a desculpar os defeitos, talvez patentes e inegáveis, daqueles com quem convivemos diariamente, de tal forma que não nos afastemos deles nem deixemos de estimá-los por causa das suas falhas e incorreções. Aprendamos do Senhor, que, “não podendo de forma alguma desculpar o pecado daqueles que o haviam posto na cruz, procurou no entanto reduzir-lhe a malícia, alegando a ignorância daqueles homens. Quando nós não pudermos desculpar o pecado, ao menos julguemo-lo digno de compaixão, atribuindo-o à causa mais tolerante que possa ser-lhe aplicada, como é a ignorância ou a fraqueza”.

Se nos habituarmos a ver as qualidades dos outros, descobriremos que essas deficiências do seu caráter, essas falhas no seu comportamento, são, normalmente, de pouca importância em comparação com as virtudes que possuem. Esta atitude positiva, justa, em face daqueles com quem lidamos habitualmente, ajudar-nos-á muito a aproximar-nos do Senhor, pois cresceremos em caridade e em humildade.

Em face das deficiências dos outros, mesmo dos seus pecados externos (murmurações, maus modos, pequenas vinganças…), devemos adotar uma atitude positiva: rezar em primeiro lugar por eles, desagravar o Senhor, crescer em paciência e fortaleza, querer-lhes bem e apreciá-los mais, porque necessitam mais da nossa estima.

O SENHOR NÃO MANDOU embora os Apóstolos nem deixou de estimá-los por causa dos defeitos que tinham, aliás bem patentes nos Evangelhos. Quando começam a segui-lo, vemos que às vezes se deixam dominar pela inveja, que têm sentimentos de ira, que ambicionam os primeiros postos. O Mestre corrige-os com delicadeza, tem paciência com eles e não deixa de querer-lhes bem. Ensina aos que seriam transmissores da sua doutrina algo de importância vital para a sua missão, para a Igreja inteira, para a família, para o mundo do trabalho: o exercício da caridade com atos.

Amar os outros, mesmo com os seus defeitos, é cumprir a Lei de Cristo, pois toda a Lei se cumpre num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, e este mandamento de Jesus não diz que se deva amar só os que não têm defeitos ou aqueles que têm determinadas virtudes. O Senhor pede que saibamos estimar em primeiro lugar – porque a caridade é ordenada – aqueles que Ele colocou ao nosso lado por laços de parentesco, de trabalho, de amizade, de vizinhança.

Esta caridade terá matizes e notas particulares de acordo com os vínculos que nos unam, mas em qualquer caso a nossa atitude deve ser sempre aberta, amistosa, desejosa de ajudar a todos. E não se trata de viver essa virtude com pessoas ideais, mas com aqueles com quem convivemos ou trabalhamos, ou que encontramos na rua à hora do tráfego mais intenso, ou quando os transportes públicos vão lotados. Às vezes, teremos talvez no nosso próprio lar, no nosso próprio escritório, pessoas que têm mau gênio, que são egoístas e invejosas, ou que um dia se levantaram indispostas ou cansadas. Trata-se de conviver, de estimar e de ajudar essas pessoas concretas e reais.

Diante das faltas do próximo, a resposta do cristão, além de compreender e rezar, há de ser, quando for oportuno, ajudar através da correção fraterna, que o próprio Senhor recomendou e que sempre se viveu na Igreja. É uma ajuda fraternal que, por ser fruto da caridade, deve ser feita humildemente, sem ferir, a sós, de forma amável e positiva. Jamais deve dar a impressão de que é uma reclamação, um desabafo, uma manifestação de mau-humor ou de defesa de interesses pessoais, antes deve deixar absolutamente claro que o que se quer é que esse amigo ou colega compreenda que aquela ação ou atitude concreta faz mal à sua alma, ao trabalho, à convivência, ao prestígio humano a que tem direito. O preceito evangélico ultrapassa amplamente o plano meramente humano das convenções sociais e até a própria amizade. É uma prova de lealdade humana, que evita toda a crítica ou murmuração.

SE TOMARMOS COMO NORMA habitual não reparar na palha no olho alheio, ser-nos-á fácil não falar mal de ninguém. Se em algum caso temos que pronunciar-nos sobre determinada atuação, sobre a conduta de alguém, faremos essa avaliação na presença do Senhor, na oração, purificando a intenção e cuidando das normas elementares de prudência e de justiça. “Não me cansarei de insistir-vos – costumava repetir Mons. Escrivá – em que aqueles que têm obrigação de julgar devem ouvir as duas partes, os dois sinos. Porventura a nossa lei condena alguém sem tê-lo ouvido primeiro e examinado o seu proceder?, recordava Nicodemos, aquele varão reto e nobre, leal, aos sacerdotes e fariseus que procuravam condenar Jesus”.

E se temos que exercer o dever da crítica, esta deve ser construtiva, oportuna, ressalvando sempre a pessoa e as suas intenções, que não conhecemos senão parcialmente. A crítica do cristão é profundamente humana, não fere e até conquista a amizade dos que lhe são contrários, porque se manifesta cheia de respeito e de compreensão. Por honradez humana, o cristão não julga quem não conhece e, quando emite um juízo, sabe que este deve subordinar-se sempre a uns requisitos de tempo, de lugar e de matizes, sem os quais poderia converter-se facilmente em detração ou difamação. Por caridade e por honradez, teremos além disso o cuidado de não converter em juízo inamovível o que foi uma simples impressão, ou de não transmitir como verdade o que “disseram”, ou a simples notícia sem confirmação que fere o bom nome de uma pessoa ou de uma instituição.

Se a caridade nos inclina a ver os defeitos alheios unicamente num contexto de virtudes e de qualidades positivas, a humildade leva-nos a descobrir em nós mesmos tantos erros e defeitos que não quereremos senão pedir perdão a Deus e nunca teremos vontade de criticar os outros; pelo contrário, estaremos sempre dispostos a receber e aceitar a crítica honrada das pessoas que nos conhecem e nos apreciam. “Sinal certo da grandeza espiritual é saber deixar que nos digam as coisas, recebendo-as com alegria e agradecimento”. Só o soberbo é que não tolera nenhuma advertência, antes se desculpa ou reage contra quem – levado pela caridade e pela melhor das amizades – quer ajudá-lo a superar um defeito ou a evitar que se repita determinado comportamento errôneo.

Entre os muitos motivos para agradecer a Deus, oxalá possamos contar também o de ter pessoas ao nosso lado que saibam dizer-nos oportunamente o que fazemos mal e o que podemos e devemos fazer melhor, numa crítica amiga e honesta.

A Virgem Santa Maria sempre soube dizer a palavra adequada; nunca murmurou e muitas vezes guardou silêncio.

Fonte: http://www.hablarcondios.org/meditacaodiaria.asp